Olhar Crítico

Desafios

Começo meus aforismas deste domingo, parabenizando o Capitão de Cavalaria do Exército Brasileiro, Claudio de Souza dos Santos. Primeiro pelos serviços prestados ao Exército Brasileiro nas últimas três décadas e, depois, por ter aceito o desafio de estar à frente do Serviço de Iniciação ao Trabalho da prefeitura local. O posto está subordinado à Secretaria de Desenvolvimento e Trabalho, cujo responsável é o empresário do setor de vinícolas, Fabio Ferracini. O militar, agora oficial da reserva das Forças Armadas Brasileira, será o responsável pela geração de cursos de capacitação à juventude penapolense. Recordo-me aqui de um dos projetos anunciados num passado não muito longínquo que Penápolis poderia ser contemplada com uma Incubadora Tecnológica.

 

Tecnologia

Na dupla condição de educador e cientista social, que analisa não somente as estruturas sociais deste pais, bem como os desafios que o setor pedagógico nacional enfrenta nas últimas décadas, sempre tenho indicado neste espaço e em diálogos com os amigos, que a criança, o adolescente, o jovem de hoje está diante de uma realidade totalmente diferente daquela quando éramos iniciantes no mundo do trabalho. Aquele período não existe mais, inclusive muitas profissões daquela época desapareceram com as constantes revoluções tecnológicas que proporcionaram avanços na qualidade de vida das pessoas, mas ao mesmo tempo, trouxeram desafios que é justamente o de auxiliar os filhos da atualidade a encontrar empregos num futuro não muito distante.

 

Emprego e empregar

Acho interessante, mesmo que de forma lacônica aqui, tratar da distinção entre o substantivo masculino emprego e o verbo empregar. É comum em diálogos com os alunos ouvirmos que eles desejam empregos, entretanto, para obtê-los é preciso saber o que têm para empregar objetivando um salário no final do mês, seja ele pago em forma de jornadas, horas/trabalho, conforme os professores recebem. A temática é alvissareira, pois em muitas atividades laborais estão sendo empregadas ferramentas tecnológicas como robôs e outros expedientes, inclusive essa pandemia que está grassando o orbe tem feito o homem se repensar enquanto sujeito que desenvolve suas atividades profissionais, tendo em vista que o isolamento social é um dos mecanismos de contenção do vírus Covid-19.

 

Trabalho

Neste sentido, entendo que o desafio do Capitão da reserva do Exército brasileiro seja significativo nesse sentido. Quais cursos, quais expedientes utilizar no sentido de preparar a mão de obra que o futuro do mundo do trabalho requer? O economista e professor do Instituto de Economia da UNICAMP, Márcio Pochmann – com quem trabalhei durante minha passagem por aquela universidade – afirmou numa de suas visitas à Penápolis que o operário e, de quebra, o mundo metalúrgico que produziu uma geração considerável de líderes políticos, entre eles, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), não existe mais. Portanto, para o autor do livro Desigualdade econômica do Brasil (São Paulo: Ideias e Letras, 2015), o desafio daqui para frente é justamente criar empregos empregando os recursos tecnológicos. É preciso ter claro que a rotinização de muitas jornadas e postos de trabalhos são realizadas com maestria pelos robôs e outras máquinas. Enfim, o time do prefeito Caíque Rossi (PSD) adquiriu um excelente profissional.

 

Poesia

Mudando de assunto, ou como se diz com o jargão popular, “de pato para ganso”, em conversas com o secretário de Cultura, o publicitário Lucas Casella, sobre o lançamento da Coletânea Penapolense de Poesia, fui informado que o volume ainda não circula entre os apreciadores dos verbos tornado versos em virtude de alguns enunciadores terem solicitado mais tempo para ajustarem suas rimas e poesias e isso atrasou o lançamento virtual da obra. Segundo o secretário, o desafio é também encontrar patrocinadores para que o livro circule em forma física e figure em bibliotecas físicas e eletrônicas, como se sabe que existem aos montes em diversos pontos deste país, inclusive este que vos escreve, meus caros leitores, também aderiu a esse expediente quando não for possível encontrar a obra material, como por exemplo, a primeira edição do romance Os trabalhadores do mar, do escritor realista francês Victor-Marie Hugo (1802-1885). Para quem não sabe, essa enunciação foi vertida pela primeira vez para a Língua Portuguesa pelo escritor Machado de Assis (1839-1908). Tenho aqui comigo uma edição de 1972, publicada pela Abril Cultural.

 

Contos

De acordo com o secretário municipal de Cultura, o próximo passo é executar outro projeto também no campo literário. É a edição duma coletânea de contos. Creio que será nos mesmos moldes do universo poético. Sendo assim, meus caros leitores que gostam de transpor coisas do mundo real ao universo ficcional, principalmente no que tange às narrativas breves, preparem seus papiros, como me dizia sempre o professor de Sociologia da Universidade Federal do Amazonas, Odenei de Souza Ribeiro – desenvolvemos pesquisas juntos em meados dos anos 90 na Universidade Estadual de Campinas. Os contos, segundo o escritor Julio Florencio Cortázar (1914-1984), podem ser considerados como escritos dentro de uma garrafa, isto é, devem dizer tudo no menor espaço textual possível. Para aqueles que ainda não conhecem nada desse literato belga, recomendo a leitura da obra A autoestrada do Sul & outras histórias (Porto Alegre: L&PM Pocket, 2015).

 

Pandemia

Ao que tudo indica, a pandemia ainda grassará sobre a sociedade humana neste 2022. Essa afirmação não diz respeito a ideia de que se torce pelo touro, mas se escuda no comportamento que as pessoas tiveram nesses dois últimos anos. Não foi uma nem duas, mas várias as vezes que tratei aqui da problemática, inclusive no último domingo. Muitos políticos, mais interessados em reeleição, querem fazer crer que essa nova variante ainda não provocou morte e a única registrada é de uma pessoa que possuía outros problemas de saúde. Do meu lado, penso que não é preciso esperar um morticínio e a construção de criptas para entender que o problema é grave e de saúde pública. Então que todos compreendam que é necessário o uso de máscaras, álcool gel e evitar aglomerações: medidas que podem salvar vidas. Por hoje é só, meus caros leitores. Na próxima semana penso em tratar das temáticas que passeiam pelas páginas do romance Cafeína [Maurício Torres Assumpção] e Capitalismo e escravidão [Eric Williams]. Os dois livros, dentro de suas respectivas áreas e formas enunciativas, abordam o escravismo e suas consequências. gilcriticapontual@gmail.com, d.gilberto20@yahoo.com,   www.criticapontual.com.br.

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