Olhar Crítico

70 mil

Alvissareira a informação veiculada por este jornal a coisa de uns 15 dias, segunda a qual, provavelmente no próximo ano Penápolis atingirá os 70 mil habitantes. Contudo, é preciso não festejar nada, pois são apenas números que, para alguns significa determinados objetivos a serem alcançados, entretanto, procuro olhar com mais acuidade sobre tudo isso, principalmente no que diz respeito à renda per capta do penapolense, ou seja, a média da massa salarial que cada cidadão maria-chiquense recebe mensalmente. Se os valores médios se mantiverem na casa dos dois salários mínimos e meio, haverá problemas para as próximas décadas, já que o mundo do trabalho vem mudando de maneira acelerada.

 

Pós-trabalho

Não é de hoje que os cientistas sociais vêm observando que há uma transformação em curso e que se já não estiver em funcionamento, chegará em breve. Trata-se do mundo do pós-trabalho, pelo menos no que diz respeito ao âmbito do trabalho como muitos dos que me leem neste domingo conheciam. O professor do Instituto de Economia da UNICAMP, Marcio Pochmann – autor do livro Desigualdade economia do Brasil – disse, durante a sua passagem por Penápolis em julho de 2018, que aquele mundo fabril que forjou vários líderes sindicais e políticos, como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), não existe mais e tendo a concordar com ele.

 

Universo produtivo

É preciso ter claro que o mundo produtivo não deixou de existir, mas, com o avanço tecnológico, a maneira de se transformar matéria-prima em mercadoria foi alterada. Por exemplo, quando olho para uma nota de R$ 2 e penso no quanto custou para chegar até minhas mãos, compreendo tudo o que foi gasto em sua circulação, desde a sua confecção, passando pela despesa com seguranças e transportes até de fato fazer meu bolso sorrir quando lá foi depositada. Não tenho os percentuais exatos aqui, mas creio que pelo menos uns 30% do seu valor de face se esvaíram nesse processo. Agora, se o brasileiro mudar a forma como são feitas as transações comerciais, provavelmente, os R$ 2 valerão exatamente isso, já que não haverá despesas para confeccionar a nota e nem a colocar em circulação.

 

Expectativas

É com essa visão futurista, sem querer dizer que já é uma prática no presente, que fico pensando cá como será possível mudar a matriz profissional da cidade, objetivando o aumento da renda per capita dos cidadãos. Se diz muito isso e aquilo, entretanto, todos sabem os motivos dos atrasos que são registrados no presente nas paragens maria-chiquenses, contudo, não se pode ficar atolado até o pescoço nas opções que foram feitas num pretérito longínquo, é preciso ousar para transformar o futuro, principalmente no que diz respeito à formação de mão de obra de qualidade, mas vejam bem, meus caros leitores, isso significa deixar o universo manual para adentrar no mundo mecânico e elétrico. Como fazer essa inversão, eis o desafio dos representantes do povo que propalaram durante as campanhas eleitorais isso e aquilo.

 

Educação

Não é preciso reinventar a roda para saber que as alterações devem partir do universo da educação. Os educadores têm dados que mostram as preocupações dos adolescentes que ingressam no ensino médio. Os números indicam que a maioria deseja uma escola que os prepare para o mercado de trabalho, tamanho anseio que têm de ter dinheiro no bolso e a tão sonhada carteira assinada. Diante das evidencias e constatações, vos pergunto, meus caros leitores: que trabalho esses jovens almejam? O que sabem fazer para serem a diferença no mundo do trabalho, na sociedade capitalista e seu âmbito corporativo? Claro que os pais estão preocupados com seus rebentos e, muitas vezes, se perdem diante do oceano de possibilidades profissionais, todavia, é necessário olhar as qualidades que os filhos são portadores, pois a partir daí é possível construir uma jornada profissional profícua.

 

Reprodução

Tenho sempre em mente algumas situações que, na medida do possível, compartilho com os meus alunos e parceiros de jornada pedagógica. Uma delas é auxiliar os discentes e docentes a compreenderem que a criança aprende muito mais por ver do que por ouvir. Um exemplo desta minha pequena assertiva se encontra no campo da leitura. Como fazer os nossos estudantes se tornarem leitores, se dentro de suas casas não se observa o ingresso de nenhum livro, pequeno que seja, um romance, um jornal, uma revista que permitam todos lerem? Quantas vezes os pais levaram os filhos para comprar livros? E vou mais longe ainda: quantos destes adquiriram para si um desses objetos que, segundo o escritor francês Marcel Proust (1871-1922), abrem portas sem os quais não seriam possíveis descerrá-las?

 

Socialização

É neste sentido que sempre indico a socialização primária como a principal responsável pelos cidadãos que andam pelas ruas, avenidas, praças de nossas cidades e ocupam os cargos nas estruturas sociais e administrativas dos postos-chaves nas esferas públicas e privadas e é, a partir daí, que o sujeito precisa se pensar enquanto ente responsável pela ossificação das mazelas que carcomem os alicerces de uma sociedade que deveria ser mais justa, contudo, o homem sempre espera que o outro faça aquilo que cabe a ele, indivíduo individualizado, realizar.

 

Solidariedade

No domingo passado, os integrantes da Igreja Nazareno de Penápolis sob a condução do pastor Marco Aurélio Lacerda, alcançaram um importante objetivo para aquela congregação religiosa: suas reuniões e cultos semanais começaram a acontecer na nova sede do tempo. A construção do espaço se deveu ao esforço de todos que congregam naquela unidade religiosa. Sendo assim parabenizo a todos que, de forma direta ou indireta, assentaram um tijolo naquele prédio. E-mail: gilcriticapontual@gmail.com, d.gilberto20@yahoo.com,   www.criticapontual.com.br.

 

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