Olhar Crítico

Educação

No próximo dia 15, vence o prazo que o prefeito definiu para que não ocorra aulas presenciais nas escolas municipais e estaduais na cidade e, na rede particular, as instituições precisam seguir determinados protocolos para que os procedimentos letivos sejam levados a cabo. A pergunta que faço é a seguinte: a sociedade está pronta para o retorno das atividades educacionais, bem como em outras esferas da vida ativa na polis? Cada um que vier a responder a essa interpelação terá suas motivações para se posicionarem, entretanto, vejo que a peleja se arrasta por ausência de políticas públicas eficazes na área de saúde coletiva e olha que a carga fiscal no Brasil é enorme, contudo, o brasileiro paga caro por uma “mercadoria” que lhe é ofertada como se fosse uma esmola e não um direito do cidadão conferido pela Constituição Federal.

 

Economia

A grita é sempre do ponto de vista econômico, daí talvez porque o pensador alemão Karl Marx (1818-1883) tenha centrado suas análises nesse importante viés da sociedade contemporânea. Quem ainda não leu, recomendo pelo menos a leitura do primeiro capítulo de O Capital: “A mercadoria”. Esse importante setor da vida ativa se faz com e por pessoas, por mais que a tecnologia esteja dando o ar da grassa e não tem como voltar aos tempos das máquinas de escrever e das diligências, entretanto, não existe equipamento que funcione sem ter a mente humana o conduzindo e o programando. Sendo assim, tudo que existe e tem sentido no orbe, pelo menos da perspectiva que diz respeito ao humano, mesmo que tenhamos muitos deles agindo e reagindo instintivamente, pois não conseguem distinguir emoção da razão e nem compreender que uma coisa não funciona sem a outra. Sendo assim, não haverá economia se a vida não for preservada.

 

Semestre

O primeiro semestre de 2021 já vai alto, como diziam os antigos, e está prestes a se encerrar no final deste mês e tudo indica que a coisa se processa como dantes, não por falta de ação dos homens das ciências no Brasil, na maioria das vezes, tratados como Dom Quixote pelos teólogos e políticos demagogos que querem vender um pedacinho do céu, como faziam os padres da era medieval. Mas se os cientistas estão fazendo aquilo para que se formaram, conforme afirmou a médica infectologista Luana Araújo durante a sua fala na CPI do Covid-19 que acontece no Senado Federal, por que a letalidade do vírus não arrefece, ceifando vidas de milhares de pessoas diariamente no país? Antes de tentar caminhar com os leitores nos aforismas que se seguem, pergunto-vos, qual é a natureza do vírus?

 

Natureza

Entendo, de forma bem simples até porque não sou douto na área, então qualquer equívoco que me corrijam aqueles que se debruçam com mais acuidade sobre a problemática, que não há como debelar o vírus, isto é, eliminá-lo do orbe, justamente por sua natureza. Se essa observação estiver correta, então o trabalho é reduzir a letalidade do patógeno e enquanto isso não acontece, se faz necessário o uso de expedientes como os definidos pela ciência e não por líderes políticos e seus aliados transfigurados de líderes religiosos mais interessados em ávidos recursos monetários oriundos da venda de um quinhão no céu do amanhã. Ou seja, isolamento social e medidas de higienização como uso de máscaras e álcool gel. Ainda como afirmou a médica infectologista durante a sua sabatina no Senado, não existe o tratamento precoce que tanto se aventou pelos quatro cantos do país. O que precisa ser feito é vacinação, eis a prevenção.

 

Febre amarela

Só para relembrar aqui o recente surto de febre amarela numa região do Estado de Minas Gerais, parte de São Paulo e Rio de Janeiro. Uma secretária de saúde duma cidade mineira disse que, quando um macaco apareceu morto e, depois de investigar a causa do óbito, determinou a vacinação de toda população contra a febre amarela. Naquela cidade não foi registrado caso algum da doença. O vírus permaneceu, mas população estava protegida. Em outras paragens, uns ignorantes começaram a sacrificar os animais acreditando que eles eram os transmissores, todavia, quando um aparece morto e é feita uma avaliação criteriosa sabe-se que o problema está próximo do humano, então é feito o cordão sanitário com vacinação em massa.

 

Protelação

Retornando a questão da protelação ou não das aulas presenciais em nossa cidade, entendo que sem os devidos conhecimentos por parte da população, uma resposta coerente ficará prejudicada, ainda mais se houver a defesa do “meu pirão primeiro”. Do meu lado, na condição de educador, creio que o prefeito, juntamente com a sua assessoria pedagógica, da área de saúde e demais técnicos, terá a sapiência de entender que o momento ainda não é para um retorno minimamente presencial em nossas instituições de ensino público, seja no âmbito municipal ou estadual, lembrando que norma do STF (Supremo Tribunal Federal) delega aos municípios e estados ações no sentido de combater a proliferação do vírus e sua letalidade. Os ados em Penápolis dizem tudo: até o momento em que esses aforismas eram confeccionados o número de óbitos provocados pelo Covid-19 ultrapassava a casa dos 200.  Diante disso, entendo que é preciso que todos compreendam que os sinos não dobram apenas para as famílias que perderam entes nessa pandemia. O problema é de todos, pois atingiu a sociedade de uma maneira geral.

 

Privado versus público

Não poderia deixar de enfatizar aqui as diferenças entre escolas públicas e privadas. No caso das últimas, a questão é bem no campo da particularidade e pode ser observado em cada unidade individualmente, agora a situação das instituições públicas, as medidas não podem ser diferenciadas, e precisam ser seguidas à risca em uníssono por todas as escolas. Há quem diga que no final da pandemia e durante o processo de reconstrução de nossa economia e nas décadas futuras, a distinção entre ensino público e privada aparecerá. Entendo que a pandemia escancarou o que já se discutia há décadas, sem que o Estado conseguisse equacionar a problemática. Paga-se mal os profissionais da área de educação, cobrando deles situações em que a logística oferecida não dá conta, como por exemplo, salas de aulas superlotadas. Qual a saída? Deixo-vos meus caros leitores com essa pergunta para ser respondida a partir de cada um de nós, educadores, pais, alunos, enfim, da sociedade como um todo, pois quando se trata do lucro muitos gostam de privatizar os resultados, como pretendeu aquele deputado estadual do Rio de Janeiro ao apresentar proposta de extinção da UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro), mas quando ocorre o prejuízo, esse tende a ser socializado e culpar o professor. gilcriticapontual@gmail.com, d.gilberto20@yahoo.com,   www.criticapontual.com.br.

 

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