Sobras de um amor … parte II

54

 

         No horário marcado, Márcio e Angélica estacionam defronte à casa de Fernanda que estava ansiosa. Ricardo não tinha aparecido ainda, deixando a amiga aflita. “- Eu te falei para não forçar a barra! Olha ai! O cara desistiu. Seu filho de uma puta. Agora que está tudo bem com você, eu é que me foda”, descarregou toda a adrenalina em cima do editor.

Angélica só olhava, pensando: “Pobre Márcio. Uma noiva neurótica, uma amiga desajustada. É muito para a cabeça dele”. Tendo esse pensamento, a arquiteta chama Fernanda para uma conversa. “- Venha aqui! Como está o jantar? Foi você quem preparou? Se foi, se acalme. Se ele realmente estiver interessado em ti, aparecerá. Se não, Márcio está aqui, eu e creio que deverá vir mais gente”.

– Mais gente? Eu só convidei vocês dois. Para que muita gente? Ricardo vai se sentir na lona.

– Me diga uma coisa: por que toda essa ansiedade? Não é só mais um homem em sua vida? Se é, então não tem porque ficar assim toda irritada. É melhor se acalmar. Vamos lá ver o que você preparou.

– Não é nada especial. Só uma carne assada na cerveja e uma salada tropical e tem um vinho branco. Achei que você gostaria de beber comigo, enquanto o Marzinho depena o coitado do Ricardo com um caminhão de perguntas.

Quando Fernanda olha para a porta e enxerga Roberto entrando, ela quase tem um treco. “- Eu não acredito que você veio. Meu deus do céu. Uma comitiva para expulsar Ricardo de minha casa. Acho que ele soube que seria recebido por esses dois seguranças e não virá”.

Roberto fica na sala com Márcio enquanto Danisa se junta a Angélica. “-Mas por que a madrinha do meu filho está tão ansiosa assim? Afinal é só mais um cara na sua vida ou estou enganada”, pergunta a futura comadre de Fê.

– Danisa esse cara, desde que nos conhecemos na sua casa, vive me ligando, mandou flores e as trouxe aqui debaixo de muita água e agora essa dupla aí na sala feito generais. Estou fodida: 30 anos nas costas e tutelada por dois bunda-mole de homens. Se fossem bons teria me casado com um deles.

As três deram risadas, porque os dois eram casados com Danisa e Angélica estava prestes a se tornar esposa de Márcio. Já no seu limite do desespero, Fernanda ouviu a voz de outra mulher. “- Quem será desta vez”, pergunta desesperada e quando vê que era Débora já vai para cima dela perguntando pelo irmão.

A secretária olha para as duas com vontade de dar risada, mas segurou. “-Ele saiu com Márcio e Roberto para comprar cervejas sem álcool. O noivo de dona Angélica não bebe com álcool, então foram buscar”, disse Debora se sentando numa das cadeiras que sobraram.

Ao fazer uso do assento, a secretária pergunta o que ela tem. Angélica e Danisa rindo dizem: “- O mesmo que nós duas. Se apaixonou por um homem que parece com os nossos”.

– Eu apaixonada? Quem disse?

As três respondem: “Você”.

– Meu irmão estava com medo que você desse o fora nele. Deu o que fazer para trazê-lo. Só veio porque soube que Márcio e Roberto estariam aqui e caso tu o despachasse teria a companhia dos dois.

Depois dessa informação, Fernanda foi se acalmando e pode ter uma conversa mais serena com as três mulheres. “- Cuidado! Ansiedade depois dos 30 anos costuma não ter cura. Não é meninas”, pergunta a arquiteta para Danisa e Débora que concordam com ela.

Mas do nada, Danisa pergunta a Angélica como estão as coisas com Márcio. Ela não esconde nada e fala da briga do dia anterior. Tudo por conta do ciúme. “- Fui achá-lo num boteco naquela área degradada da cidade. Já tinha bebido meia garrafa de conhaque. Mas conseguimos equilibrar tudo e a noite ele fez as pazes com o pai”.

Curiosa Débora quis saber mais. “- Débora quando você achar o homem especial de sua vida, estará no paraíso, mas ao mesmo tempo sempre preocupada que ele vai te trair no momento seguinte. Márcio e Roberto são desses tipos. Não é Danisa”, pergunta Angélica para a esposa do amigo. Ela concorda com a cabeça e acrescenta. “- Eles não são de fazer escândalos, mas saem sem rumo e você não sabe onde encontrá-los. Muitas vezes vinham aqui chorar no colo da amiga, mas pelo que estou vendo isso acabou, não é Fernanda”, interrogou Danisa.

Fernanda não está prestando muita atenção na conversa delas. O corpo está ali, mas a cabeça e o coração estão ansiosos e quando ela escuta a voz de Roberto, não pensa duas vezes. Apressa-se em direção a ele e já vai beijando-o. Márcio dá uma dura nela. “- Será que a mocinha pode respeitar as visitas que ainda nem jantaram”.

Todos dão risada e Ricardo fica sem saber. Nunca foi recebido desta forma e fica mais surpreso ainda quando Fernanda manda o editor tomar no cu. Roberto para sacaneá-la fala com o irmão de Débora. “-Vai encarar? É daí para pior, mas se tu machucar esse coração aí, comprará briga com nós dois aqui. O coração de nossa irmã postiça vale ouro, hein moleque”.

– Já fui avisado. Mas de fato, não posso dizer que o que sinto seja amor, pois estaria mentindo não para ela, mas principalmente para mim mesmo a partir de tudo o que acredito que seja estar com alguém.

Fernanda pegou na mão de Ricardo e mostrou a língua para todo mundo. Sentaram-se à mesa e Fernanda, a exemplo do irmão de Angélica, dominou a conversa. Só ela falava, explicava. Do nada Ricardo a beijou e ela perguntou porque ele tinha feito aquilo: “- Para sentir o sabor dos seus lábios enquanto você conversa”. A partir daí ela se controlava.

Depois do jantar a conversa fluiu até perto da meia-noite quando Débora chamou o irmão para ir embora. “- Deixa ele ficar, Débora”, pediu Fernanda. “- Não! Ele prometeu aos nossos pais que me levaria de volta e amanhã ele tem trabalho. Então é melhor não se lambuzar no doce”.

Aproveitando a deixa, Roberto e Danisa também se preparam para ir embora e Márcio falou baixinho para ela. “- Se você se comportar, prometo que te deixo morar no meu apartamento”.

– Seu veado. Quer parar de me atiçar.

– Guarde isso até domingo. Tenho certeza que ele é a pessoa para te acompanhar no meu casamento. Mas não vai exagerar no doce. Na segunda-feira tu começa a trabalhar. Te amo querida.

Ela o abraçou e agradeceu. “- Marzinho obrigado. Eu sei que estou impaciente e agora entendo Angélica, mas será que ele terá paciência de me esperar”, pergunta Fernanda.

– Deixa ele te amar e descobrirá. Tchau.

Quando Ricardo chegou em casa, a primeira coisa que fez foi ligar para Fernanda. “- Quereria eu poder ficar falando contigo até a estrela maior de nossa constelação aparecer, mas preciso levantar cedo amanhã. O que fará no sábado”, lhe pergunta Ricardo.

– Domingo é o casamento do Márcio e se não fosse, estaria livre, mas preciso ajudar a Danisa e o Roberto. Eles se mudaram do apartamento para uma casa que ganharam de presente do Marzinho e pediram minha ajuda no sábado. Por que não aparece por lá como quem não quer nada. Diz que estava passando e ouviu a minha voz.

– Excelente. Será um dia legal, porque no domingo, não te verei mesmo.

– Ué! Por quê?

– Não é o casamento desse Marzinho com aquela ricaça? Ah e a propósito, vocês tiveram alguma coisa? É um grude com ele?

– O Marzinho é meu amigo, meu irmão. Adoro ele. Mas por que está perguntando isso?

– Por nada!

– No domingo eu estarei lá no casamento e te quero lá comigo.

– Eu não fui convidado.

– Então espere que tenho certeza que será ou pelo menos sua irmã e aí tu vai de bicão.

“- Não é do meu feitio entrar onde não fui convidado”, tenta se explicar Ricardo.

– Mas vamos esperar. Tchau. Te vejo no sábado. O endereço é esse.

Ao desligar, Fernanda fica pensando. “Meu deus do céu. Tanto triturei Márcio e do Roberto e agora essa. Ricardo é igual aos dois e ainda metido a poeta. Estou lascada”.  Mudou de pensamento, pegando um livro para ler até o sono chegar, mas a leitura não rendia, pois a todo momento vinha em sua mente a face do irmão de Débora.

Enquanto Fernanda, sem saber ao certo, tinha encontrado o seu príncipe encantando num jantar dedicado ao noivado de seu melhor amigo, no apartamento de Angélica, o casal estava dentro banheira num momento de relaxamento total e a arquiteta perguntou o que conversaram com Ricardo. “-Nada! Só tiramos o selinho dele. Estava tenso, com medo de levar um fora de Fernanda se propusesse algo além do que já tem”.

– Você e o Roberto, para variar, dificultaram a jornada do rapaz.

– Não! Facilitamos-lhe o caminho. Se ele se atirasse aos pés da Fê, ela enjoaria logo e sairia em busca de outro.

“- Então foi essa técnica que você usou comigo, né seu filho de uma puta”, disse indignada Angélica.

– Claro que não. Contigo não tem técnica alguma. Você já chegou acendendo todos os palitos de fósforo de uma só vez. Um clarão todo. No início me cegou tanto que precisei fugir, mas depois as coisas foram se acentuando e hoje estou aqui, te amando mais do que outrora.

Ao dizer isso, Márcio a puxou para si beijando ternamente e em seguida ficaram um tempo abraçados sentido a respiração um do outro e as batidas do coração. “- Amor como vai ser amanhã, sua última sexta-feira solteiro”, pergunta empresária.

– Se eu conheço meu pai e meus irmãos, amanhã antes de o sol ir para o oriente, os três estarão aqui. E o que tu pretendes fazer?

– Apesar de você não desejar, no domingo, minha mãe faz questão de que alguns diretores apareçam ao cerimonial. Eu sou contra, mas não quis dizer não para não desapontá-la. Ela já não viu o Amadeu casando com Tarsila.

– Mas pede para deixarem os celulares na entrada. Não quero ninguém tirando fotos. Sem coluna social.

– Amor! Não consigo entender essa sua aversão por fotos, imagens. Se casará comigo e querendo ou não, sou presidente de um dos maiores grupos empresariais deste país. Posso fazer muita coisa, mas isso eu não farei. E pode ir se acostumando. Cansei de me esconder. Estou com um homem lindo ao meu lado e tenho direito de exibir, o mínimo que seja, a minha felicidade. E não quero ninguém atrás de mim. Não vou te puxar pela mão e não quero que me puxe. Te quero do meu lado e sei que tu és um homem singularíssimo e tem charme suficiente para isso.

“- É! Realmente Amadeu tem razão. Tu és mesmo uma Rainha diaba e quer me aprisionar na sua Torre”, exclama Márcio.

– Vem me dizer que não gosta dessa Torre comigo dentro?

– Melhor coisa do mundo que me aconteceu. A mulher que desejava me atropelar com seu nariz empinado de dondoca, bateu num mourão de concreto.

“- E que mourão! Tanto o homem quando o que ele transporta entre as pernas”, disse Angélica suspirando.

Ele a beija e ambos saem da banheira. “- Amanhã vou cedo ao escritório só dar uma olhada nuns projetos e deixar tudo mais ou menos organizado para segunda-feira e de lá irei a organizações fazer a mesma coisa. Na segunda já terei o Roberto para me ajudar na comunicação entre todos os setores e empresas. Antes do almoço, venho para cá. Só por isso, não vou te cadastrar ainda na minha portaria. Vai que foges do meu coração”.

Ambos se jogam pelados na cama se acariciando lentamente. Cada um sentindo o corpo do outro, observando como cada parte reage ao toque do parceiro. Angélica percebe que a cada toque seu no corpo do amado, ele tenta se segurar, mas não consegue e toda a musculatura vai ficando meio rígida. “- Por que está fazendo isso, amor”, pergunta a arquiteta. “- Estou tentando segurar a minha ereção”.

Angélica não diz nada e acaba pegando no membro dele, fitando bem dentro dos olhos, questiona: “- Agora tente controlar. Não foi você quem me disse que não podemos controlar os raios, os trovões”, enquanto dizia isso foi sentido o pênis de Márcio se agigantar na palma de sua mão.  “- Não precisa controlar nada quando estiver comigo. Eu adoro esse pau e mais ainda o dono dele. Então deixe-o livre para voar e sentir o tesão que nutres por mim”.

O jornalista abraça a arquiteta dando um profundo beijo, enquanto sua mão lhe percorre o corpo, a incendiando, sentindo o fogo chegando de várias partes do corpo em direção ao seu sexo. Márcio percebe o calor que emana de todos os poros dela. Enquanto Angélica lhe segura o falo, o noivo começa a fazer movimentos circulares em torno dos lábios vaginais dela. Quando introduz dois dedos no sexo da empresária, ela arfa de prazer.

“- Amor! Não pare! Estão tão bom”, suspira Angélica que começa a fazer o mesmo movimento com o falo do jornalista, movimentando a mão para cima e para baixo. Ela não resiste às massagens que o noivo lhe proporciona, ficando sobre ele, fazendo com que o pênis lhe invada totalmente sua vagina. A empresária fez movimentos de subir e descer, enquanto com a mão faz compressão no peito de Márcio, que urra de prazer, devolvendo a massagem nos seios de Angélica que, entre gemidos e palavras desconexas, grita que o ama.

Ao lhe massagear a bunda passando os dedos na porta do ânus de Angélica, ela não segura mais e tem um intenso orgasmo, sendo acompanhada pelo noivo que ejacula abundantemente. A arquiteta desaba sobre o corpo do jornalista, se deixando ficar ali até passar todo os espasmos do corpo e os batimentos cardíaco voltarem ao normal.

Passados quase vinte minutos dos orgasmos dos dois, ambos se levantam, se dirigem ao banheiro onde tomam banho novamente e se deitam, desta vez vestidos. Ela com um baby doll preto com detalhes em branco e ele com um pijama verde esmeralda. Mergulham no silêncio da noite.

Despertam com o som do telefone de Márcio tocando. Era sua mãe. “- Alô mãe! Aconteceu alguma coisa?”

– Sim meu filho. Teu pai e seus irmãos já estão aqui loucos para te ver.

– Que horas são?

“- Nove horas filho”, responde Judith.

– Deixe eu e Angélica darmos uma ajeitada nas coisas aqui. Ela tem trabalho na parte da manhã, mas por volta de meio-dia estará aqui. Ai vocês podem vir.

– Está bem meu filho. Eles vão tomar café aqui na mansão e depois vamos ajustar os quartos para eles ficarem. Mas querem falar contigo. Estão empolgados com o seu casamento. Não deu para esconder a condição financeira de tua noiva. Eles reviraram tudo pela internet antes de virem para cá.

– Tudo bem, mãe. Só segura eles um pouco. Lá para meio-dia eu ligo e aí vocês poderão vir.

Angélica já estava saindo do banheiro quando escutou a conversa. Pediu o telefone para Márcio. “- Dona Judith. Não precisam vir para cá. Eu e o Marzinho vamos até a mansão. Almoçaresmos todos juntos. Chame minha mãe. Alô! Será que podemos fazer um almoço a beira da piscina”, pergunta a arquiteta.

– Não sei filha! Esse tempo pode desabar a qualquer momento. Mas se até às 11h estiver firme, pedirei para os empregados preparem tudo. Você e o Márcio virão que horas”, quis saber Eleanora.

A arquiteta devolve o telefone para o noivo e ele desliga dizendo a mãe que mais tarde falaria com ela. “- Angélica está saindo para o trabalho. Mas volta antes do meio-dia. Tchau”.

O editor acompanhou a noiva até o elevador, mas ao olhar o jeito que estava vestida fez um comentário que a arquiteta não gostou. “- Não tinha uma roupa mais simples para colocar, já que vai ficar pouco mais de uma hora e meia em suas empresas”, lhe pergunta Márcio.

–  Já vai começar! Que homem chato! Não vou trocar de roupa agora porque estou em cima da hora. Mas a sua reclamação foi anotada.

– Troque pelo menos a blusa. Acho que tem transparência de mais. Por favor. Não tem necessidade de mostrar nada além do que todos já sabem o que tu tens.

– Mas que saco de homem ciumento do caralho. Está bem!

Irada, Angélica volta e coloca outra blusa. “- Assim está bem. Vai ficar lá pouco tempo, então pode ir simples”, disse o noivo.

– Mas quando você quer, sabe ser chato de galocha. Tchau. E não sai sem a minha companhia. Mesmo que Eleanora venha aqui. Eu te proíbo qualquer movimentação fora deste apartamento sem que eu esteja junto.

– Olha só quem é a Rainha do ciúme.

– Eu tenho cá os meus motivos e você não. Nunca te dei motivo para ter ciúmes ou brigar comigo porque me viu olhando para outro homem.

– Mas se eu vir, já sabe né!

Angélica saiu e ao chegar percebeu que estava eufórica. Tinha ficado nervosa com o jornalista, mas adorou o ciúme dele. Gostou de ter voltado e trocado a blusa. Tinha colocado a outra só para provocá-lo. E tinha alcançado o seu objetivo. “Não deixa ele comandar, mas eles adoram imaginar que estão no comando. Então provoque. Coloque uma roupa que sabe que eles vão pedir pra você tirar, mas coloque assim mesmo e só mude se ele pedir e guarde bem o que fez e depois cobre”, tinham lhe dito Eleanora e sua sogra, Judith.

Resolveu tudo o que tinha para fazer em suas empresas e por volta das 11 horas entrou em seu apartamento e surpreendeu Márcio ainda na cama e do jeito que Amadeu tinha visto uns tempos atrás. Ele dormindo e com o pênis ereto. “-Espero que essa tenda armada é porque está sonhando comigo”, disse a arquiteta dando um tapa de leve no jornalista.

– Desculpe amor, peguei no sono.

– É bom dormir agora, pois a noite te quero bem aceso e de preferência a noite toda.

Márcio saiu da cama e foi direto ao chuveiro. Mas não ficou só. Angélica entrou e falando ao seu ouvido pediu uma pequena massagem para adiantar o expediente da noite. O jornalista atendeu o desejo da loira que, em menos de cinco minutos, estava mordiscando a boca do noivo enquanto gozava com os dedos dele introduzidos em sua vagina.

Ao saírem do chuveiro, ambos minimamente saciados um com outro, Márcio abraça Angélica por traz e pergunta todo apaixonado: “- Amor, tem certeza de que quer seguir em frente e se casar comigo domingo? Estou perguntando, pois não pretendo dar um passo atrás, simplesmente porque não consigo conceber o meu amanhã sem tê-la do meu lado”.

– Meu Marzinho, desde que iniciamos a nossa jornada, é a primeira vez que me pergunta isso com tamanha profundidade. Antes de te conhecer, vivia batendo cabeças aqui e ali querendo aparecer, ser mais isso e aquilo, mas hoje não quero nada disso, mas apenas ser e te fazer feliz. Sei que preciso amadurecer muito mais para dar a paz que sua alma merece, mas tenha certeza absoluta que esse é o passo que mais desejo dar: estar contigo até o fim da eternidade. Te amo. Agora vamos se não sua mãe liga, a minha me telefone estarão aqui batendo em nossa porta.

Márcio escolheu uma roupa bem esportiva: sapa-tênis, bermuda jeans e uma camiseta branca sem estampas, enquanto Angélica trajava um modelo semelhante ao de noivo. Tudo muito discreto, como Márcio sempre lhe dizia que devia ser. A empresária tirou de dentro de sua bolsa dois pares de óculos de sol, passando um para o jornalista. “- Acho que meu Marzinho ficará um gato que atiçará os desejos de minhas cunhadas”, disse a arquiteta.

– Olha só! Depois arma barraco. E é apenas uma cunhada. Tenho um irmão solteiro ainda. Quem se casou foi Leônidas. Esdras ainda encontrou a sua tampa. Quando sai de minha cidade, dizia que não se casaria nunca e minha mãe me falava, em nossas conversas, que ele permanecia fiel à promessa. Mas sei que isso ocorreu porque ainda não achou a sua metade. Olha só Fernanda! Está toda babona pelo irmão de Débora.

– Ela é solteira hein e diz que passará longe de casamento. Só que pensar nisso depois que terminar a faculdade. O sonho dela e deixar de ser minha secretária e trabalhar comigo nos projetos de arquitetura.

“- Mas tem jeito para as coisas”, pergunta Márcio.

– Ela sabe como é o meu estilo de trabalho e indiretamente já deixo ela fazendo algumas coisas. Acho que leva jeito para o riscado.

Assim que terminaram de se arrumar, desceram até o estacionamento e quando estavam dentro do elevador, Eleanora ligou: “- Filha! Já estão vindo? A mãe do seu noivo está ansiosa aqui. Se demorarem muito terei que ir com ela buscá-los”.

– Estamos no elevador, mãe.

Entraram no carro e em meia hora chegaram à mansão. Judtih foi em direção ao filho, o abraçando e provocando Angélica. “-Cuidado hein menina. Se deixar esse homem sozinho hoje, duvido muito que saia algum casamento no domingo”. Ao falar assim com a futura nora, a mãe de Márcio procurou deixá-la mais tranquila.

Quando o jornalista viu os dois irmãos, estes vieram em sua direção e se abraçaram e o futuro marido de Angélica chorou copiosamente porque fazia cinco anos que não falava com nenhum deles. Enxugando as lágrimas, pediu desculpas pelo derretimento das lágrimas. A futura esposa veio em seu socorro, dizendo aos irmãos que por ele ser assim que o amava desesperadamente.

O último a vir ter com o filho foi Rogério. Ficaram um tempo de pé um olhando para o outro, enquanto a sala se esvaziava. Os dois precisavam conversar sem segredos e de preferência sem plateia. Desta vez quem caiu em lágrimas foi o pai, pedindo perdão ao filho por ter sido tão ignorante com ele. “- Pai eu só fui entender minha parcela de culpa nisso tudo quando conheci a minha noiva. E não faz muito tempo. Creio que uns 90 dias”.

– Dona Eleanora me falou e quando soube que tinha feito isso, percebi que eu não conhecia esse meu filho e não o enxergava porque estava cego pela presunçosa vaidade. Querendo fazer tudo para ser aceito por pessoas que só pensavam em me sugar. Tua sogra me disse que você conseguiu trazer o filho dela para o seio da família. Como esse homem pode ser o moleque que eu achava irresponsável por conta de uma vagabunda que só quis se vingar da família dela?

– Obrigado pai. Esse é o melhor presente de casamento que eu poderia receber. Ter o senhor aqui comigo no dia mais importante de minha vida. O meu casamento com a mulher que amo de paixão.

– Tua mãe me falou que ela é meio desparafusa. Doida que já fez coisas que até deus dúvida para não deixar você ir embora e tem um ciúme do cão de ti.

– Exato pai. E agora com vocês participando desse meu momento singular, estou imensamente feliz.

– Mas ela tem dinheiro que não acaba mais filho. Como vai ser isso?

– O senhor disse bem. Ela tem dinheiro. Eu não! Não quero nada disso. Quem trabalhou foram os dela, então nada mais justo que fiquem com eles. Desejo construir algo meu e dela. Claro que muitas coisas serão facilitadas, mas vamos, juntos, construir a nossa existência a partir do que conseguirmos com o nosso trabalho. Eu montei minha editora, um sonho antigo, e ela tem o escritório de arquitetura e acho que dá para começar.

Pai e filho se abraçaram novamente e Rogério lhe segreda. “- Não deixa ela mandar em você. Seja firme, mostre quem manda, mas se ela falar firme, afine. Melhor ceder do que ficar brigando e transformando o casamento num relacionamento tóxico. Vai por mim. Se fosse para casar com sua mãe, eu me casaria de novo, mesmo ela sendo mandona, sabe mandar nesse coração aqui. Te amo filho”.

Do nada aparece Angélica cobrando ser apresentada ao futuro sogro. “- Pai essa é Angélica que será sua nora a partir de domingo”, disse Márcio. A noiva retira os óculos de sol do rosto e abraça Rogério. “- Obrigado por ter educado esse homem para o meu coração, senhor Rogério”.

– Faça o meu Marzinho feliz e será bem-vinda à família. Mas não conseguir, eu sinto em te dizer que terá que se entender com a mãe dele. Pergunte para a esposa de Leônidas. Ela corta um bocado com a minha nega. Ela que não anda na linha para ver se a locomotiva Judtih não atropela sem dó nem piedade.

Em um segundo a sala estava cheia de gente e todos conversando. Quando Márcio pensou que seria apenas um almoço em família na beira da piscina, percebeu que Roberto havia chegado com Danisa. O noivo ficou intrigado para saber quem tinha convidado. Quando olhou para ele, descobriu. Apenas com um gesto de cabeça indicou que tinha sido obra de Judith.

Quando estavam conversando alegremente, aparece Débora com o irmão. Nem precisou perguntar de quem tinha partido o convite. Escondido atrás de Ricardo estava Fernanda. “- Como você veio parar aqui. Achei que ia te ver só no domingo, lindinha”, disse Márcio a Fê.

– E você acha que eu ia deixar meu namorado vir para essa festa sozinho. Vai que tivesse outras mulheres. Quando se consegue um peixão desse, Marzinho, é preciso agarrar com as duas mãos.

“- Então vocês já estão namorando sem a minha anuência e de Roberto”, questiona Márcio.

– Por que não vai tomar no seu cu. Eu tenho 30 anos e ele 32. Não precisamos de autorização de ninguém, muito menos de dois generais que tenho como amigos.

“- Então me responda: tem certeza de que ele pode te fazer feliz”, interpela o jornalista.

– Claro! Do contrário não estaria aqui com ele. O Ricardo quer a mesma coisa que eu e não são dois carolões como tu e o Roberto que vão empatar a nossa foda.

Ao ouvir a conversa dos dois, Ricardo se aproxima da dupla e agradeceu o convite para participar de importante reunião familiar. “- Nunca imaginei que a patroa de minha irmã iria abrir a casa dela para nós. Me sinto honrado, Márcio. Eu queria falar contigo e com Roberto sobre eu e a Fê, mas ela não deixou. Peço desculpas”.

– Tudo bem! Só cuide bem dela, do contrário, agora terá mais três para te pegar. Então são cinco. Mas vem cá. Deixemos essa mulherada de lado, traga a sua irmã quero apresentá-la aos meus.

Débora foi apresentada a todos os familiares de Márcio como secretária de Angélica e a patroa, para deixá-la à vontade a acompanhou na apresentação que o noivo estava fazendo e, quando chegou em Esdras, a arquiteta observou como este olhou para Débora e se esforçou para não rir.

Feitas as devidas as apresentações, Angélica pergunta a secretária se esta havia levado biquíni ou maiô. Tendo a resposta positiva, a arquiteta disse a ela que estava na hora de todos irem para a piscina e aproveitar a tarde de sol. “- Dona Angélica obrigada por abrir-me as portas de sua casa. Estou muito feliz de estar aqui. Olha que a Fernanda já grudou no meu irmão e vejo o quanto ele está bem. Só fala nela desde que a conheceu em seu noivado”.

– Débora, deixe ele lá com Fê. Quem sabe tu não saias daqui hoje com alguém olhando de maneira diferente para ti?

– Como é que é?

– Depois eu te digo. Venha comigo convidar as mulheres para vestirem seus biquínis e maiôs e eu vou te mostrar uma coisa.

Márcio percebendo o movimento da mulherada, chegou perto de Angélica e perguntou o que era aquilo. “- Amor! Vamos todas colocar biquíni e iremos para a piscina”, explica a noiva.

Por perto estava Débora e Judith quando ele disse que não a queria de biquíni e sim de maiô. “- Não fica bem minha noiva no meio desse monte de homem com biquíni”. Ao terminar de falar, só sentiu o beliscão no braço. “- Que isso moleque? Está parecendo velho. Tua noiva vai colocar biquíni sim e pronto. Se começar com muita frescura falarei para o teu pai te prender no banheiro. Venha filha. Eu e sua mãe sim, vamos de maiô e vocês, com esses corpões maravilhosos tem que aproveitar, depois que chegar em nossa idade ficará só a saudade”.

As três saíram e Débora olhou para a patroa espantada. “- A senhora sabia que ele ia fazer isso”, pergunta a secretária. “- Sabia e é a parte mais bela nele. Quando fica enciumado e a mãe dele vem e corta o barato”.

Seguindo as mulheres, os homens colocaram suas sungas de piscina e Eleanora pede aos funcionários para levarem as bebidas à beira da piscina. O almoço poderia seria servido na varanda. A matriarca pensou inicialmente em churrasco, mas achou que o melhor era um cardápio leve a base de carne branca, peixes, vinhos, sucos, refrigerantes e cervejas com e sem álcool.

Automaticamente os homens ficaram de um lado e as mulheres de outro. A divisão foi feita naturalmente e quando Débora passou perto deles de biquíni, Angélica percebeu novamente os olhares de Esdras para a sua secretária. “- Dona Angélica, estou me sentindo sem roupas. Aquele irmão do seu Márcio me olhou dum jeito como me despindo sem colocar as mãos”.

– Primeiro: Débora aqui é Angélica, nada de senhora e senhor. Pelo que Judith me falou esse olhar é de família e os três herdaram do pai e só fazem isso com mulher que mexem com eles. Agora curta o dia. Como está indo o curso?

– Tenho mais um semestre e depois em o estágio.

– Você fará o estágio comigo. Está acertado.

O almoço transcorreu tudo normalmente, risos daqui e dali e quando Leônidas foi querer saber mais coisas sobre a noiva de Márcio, Rogério entrou na conversa sentenciando: “- Até agora eu não vi o Marzinho querendo saber nada de tua mulher Léo, porque então quer saber da dele? Não acha que se quisesse que você soubesse mais do que já sabe, ele teria lhe dito.

“- Obrigado pai. Não sei porque o Léo insiste em querer saber de coisas das quais não quero e nem preciso falar”, agradeceu Márcio ao pai pela intervenção.

– Poxa! Mas somo irmãos e acho que poderia me segredar algumas coisas sobre a ricaça que fisgou.

– Léo. Acho que já sabe o suficiente e pronto. Está aqui num almoço que deveria ser um simples evento de apresentação, mas ela, dona Judith e Eleanora conseguiram transformar isso numa prévia do nosso casamento no domingo. Agora sossega aí e aproveite.

Quando Márcio terminou de falar, Angélica o chamou para tirar uma foto e Leônidas pode ver como a noiva do irmão era bela e o biquíni em tons de laranja e detalhes verde esmeralda combinava com a cor dos olhos dela.

– Amor! Venha aqui. Tua mãe quer uma foto nosso para guardar com ela.

– Coloque uma saída de banho e vamos tirar a foto para dona Judith.

Léo e Rogério se olharam e caíram na risada. “- Pai, o Marzinho continua o carolão de sempre”. O pai concordou com a cabeça, mas disse: “- A noiva gosta dele assim. Repare que ela cobriu o corpo sem problema nenhum. Eleanora me disse que ele detesta aparecer. Odeia fotografias e coluna social e olha que é jornalista”, explica Rogério.

Depois do que viu, entre Márcio e Angélica, Leônidas percebeu que o irmão não iria falar nada. Não era de ficar falando de suas conquistas ou derrotas. A vida dele com a empresária seria fechada e quem saberia mais sobre isso, seria a própria mãe e Eleanora e as duas com certeza não diriam nada, pois o relacionamento do irmão não deveria ser motivo de fotos, imagines, vídeos e matérias em jornais. Ele sempre foi discreto e parece que a noiva também era assim.

Como de hábito, no final do dia, quando todos pensavam que o encontro tinha terminado, a anfitriã disse que era preciso ser servida a ceia composta por chás, torradas e bolos. “- Meus amigos. Hoje é um dia especial, pois vejo como minha filha está feliz e meu filho que se casou com a mulher de sua vida na Alemanha, está nas nuvens e devemos muito a isso ao Márcio.  No começo nos enroscamos e eu cheguei a ofendê-lo, mas ele, com toda a educação que tem e dada pelos pais, soube me dizer o quanto eu estava errada e, no domingo, terei a honra de recebê-lo como meu genro”, explanou Eleanora.

Ao término da refeição da noite, a matriarca fez outro comunicado. “-Amanhã só as mulheres aqui em minha casa, inclusive você Débora e Fernanda. Os homens se virem com Márcio. Ele só vai ver minha filha no domingo. E está decidido”.

Roberto olhou para o amigo e falou. “- Tem o seu apartamento. Eu já me mudei. A chave está aqui. Eu pego seu pai e seus dois irmãos e Ricardo na casa de Débora. O dia será nosso, depois de domingo a sua musa não vai te dar mais trégua mesmo”. Os dois irmãos e o pai acharam a ideia genial.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *