Sobras de um amor … parte II

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O casal dorme por cerca de duas horas e foi o noivo quem despertou para a vida, acordando a futura esposa para viverem um domingo com cores e sabores diferentes. “- Não me diz que tudo o que vivi e senti contigo, foi sonho”, pergunta Angélica. “- Tenho que lhe informar, minha senhora, que tudo foi real. Nossa primeira noite juntos foi excelente, meu amor”.

Ao dizer isso, o jornalista se levanta e sem que pudesse reagir, leva um tapa na bunda desferido pela arquiteta que exalta: “- Eita bunda gostosa. Ainda bem que é toda minha, meu amor”.

– Querida, vamos tomar banho. Estou com fome.

“- Fome do que mesmo”, interroga Angélica.

– Sempre terei fome do que nos alimentamos a noite toda, minha paixão, mas o estômago precisa de outras formas de vitaminas e energias. Que tal almoçarmos no shopping?

– Acho uma ótima ideia, mas já vou avisando: nada de carne vermelha. O senhorito abusou dessas proteínas animais ontem. Hoje mais salada e um minúsculo pedaço de carne branca, até que consigamos eliminar completamente a ingestão de alimento de origem bovino.

Enquanto dizia isso a arquiteta seguiu o jornalista até o banheiro, entrando com ele debaixo do chuveiro, o beijando sem aviso-prévio, acariciando seu corpo inteiro. “- Meu deus do céu, essa mulher quer acabar comigo”, exclama Márcio.

– Se quiser eu paro e nunca mais faço nada e te deixo a seco.

– E quem disse que eu quero que pare com essa mão boba que sempre procura os melhores lugares do meu corpo para tocar?

Ambos deram gargalhadas e terminaram o banho de forma carinhosa. Se arrumaram, saindo em seguida, mas quando já estavam dentro do elevador, a empresária fitou Márcio bem no fundo dos seus olhos e disse: “- Amor estão tão feliz pela nossa noite. Vou querer sempre mais”.

Ele ficou em silêncio, apenas a beijando, pensando em tudo o que aconteceu desde que voltaram da mansão. Não houve posse, medo, mas puro desejo que brotou d’alma dos dois, fruto da sexualidade que os envolvia desde o dia em que a conheceu. Sabia que tudo estava no começo e que haveria momentos em que ela não conseguiriam corresponder aos próprios desejos, portanto, tinham que estar preparados.

Entraram no automóvel, com o jornalista atento a todos os movimentos da noiva. Sabia que podia mudar do nada. Precisava se preparar para essas mudanças bruscas. Ela seguida prestando atenção à estrada, porém, se ocupava dos movimentos de Márcio. “- Amor, coloque uma música para nós. Sei que se começar a falar agora não vou parar mais”.

O jornalista informou que não estava afim de música. “- Quero apenas ouvir as batidas de seu coração e o som de sua respiração, bem como a melodia que os nossos sentimentos estão compondo agora e acho que isso é amor”.

“- Que lindo paixão! De onde tirou essa frase”, lhe pergunta a motorista.

– Não sei ao certo, mas acho que de algum lugar onde a perfeição possa de alguma forma plasmar o nosso relacionamento. O final dela é de uma música que tem quase o mesmo nome e se a memória não me falha é do compositor mineiro.

Ao ouvir isso, Angélica aperta a mão do carona. “- Amor! Penso que nossa editora deveria se chamar Jardim da Leitura. O que acha”, pergunta o futuro editor.

– Excelente. Passa a ideia de que todos devemos ler nos jardins, buscando nos livros aromas e cheiros que só são encontrados em vergéis cuidados por mãos talentosas e corações gratos pela existência.

– Obrigado, minha cara patroa. Depois você cria o logo para darmos andamento a esse projeto, cujo primeiro lançamento será de um enunciador que, de tão poético que és, foi capaz de proporcionar o encontro de duas pessoas com probabilidade quase nula de se encontrarem no orbe.

Tendo uma ideia de como poderia ser a logomarca da empresa, Angélica e Márcio chegaram ao shopping. Quando se dirigiam ao restaurante, encontraram com Roberto e Danisa.

“- Mas que surpresa vocês dois aqui e sem brigar”, disse a esposa de Roberto.

“- Viemos almoçar e fecharmos o nosso noivado na casa de vocês amanhã”, explicou Márcio.

– Em minha casa? Quanta honra em receber o dono da mais nova editora brasileira.

“- Claro meu diretor”, disse Angélica para Roberto. “Amanhã será o dia de grandes surpresas. Mas o que fazem aqui nesse começo de tarde de domingo”, pergunta a noiva de Márcio.

– Danisa quer comprar o enxoval para o bebê. Como hoje é domingo e o espaço está mais calmo, então poderemos olhar com calma para comprar quando estiver perto de o bebê chegar.

– Vamos com eles amor. Assim já presenteamos o seu afilhado?

“- Como assim, Angélica, pergunta Roberto.

– Eu sei que o meu negão aqui vai ser padrinho junto com Fernanda, então, eu dou o enxoval. Vamos lá e vocês já saem daqui com tudo pronto. Mas antes quero que almocem conosco.

Quando Angélica acaba de falar, aparece Fernanda e como sempre não dá a mínima para a noiva de Márcio. Beija Roberto no rosto e Márcio também, deixando tanto a arquiteta quando Danisa enciumadas, porém, não falaram nada. O jornalista quebra o clima a convidando para almoçar com eles e depois participar da escolha do enxoval dos afilhados.

– Se a loira aí não me agredir a garfadas, eu até vou, mas desde que seja da vontade de todos. Não quero segurar vela de ninguém!

– Pode ficar tranquila. Estou de boa hoje, mas amanhã, na oficialização do meu noivado com o Marzinho, se você quiser monopolizá-lo aí já sabe.

“- Três contra uma é covardia”, brinca Fernanda

“-Três contra uma”, pergunta Danisa à Fernanda.

– A loira dele, a mãe dele e a sogra dele.

-Então coloque quatro. Eu também te dou uns tabefes.

Todos riram e se encaminharam para o restaurante. Danisa agarrou Roberto e Angélica Márcio e Fernanda só olhando e muito feliz por saber que os dois amigos estavam bem com suas respectivas mulheres. “- Estou imensamente feliz por vê-los assim, pelo menos esses dois param de pegar no pé e deixa eu escolher meus homens em paz”, disse Fernanda.

Sentaram-se e o garçom chegou para anotar os pedidos. Danisa e Angélica não tiravam os olhos de Fernanda. As duas sabiam que ela gostava de dominar a cena e se deixassem monopolizaria os dois. “-Roberto, Márcio já escolheu o nome da editora: Jardim da leitura. Eu gostei e você”, pergunta a arquiteta.

“- Eu gostei. Só podia vir da cabeça do Marzinho”, responde Fernanda que depois se tocou que havia atravessado o samba. “-Desculpe-me por ter sido enxerida”.

Todos gargalharam. Fernanda pediu um chope sem colarinho e deu um risinho. Angélica e Márcio entenderam aquele leve movimento dos lábios da amiga dos dois homens que estavam à mesa. Quando chegou a vez de Márcio, a arquiteta não pensou duas vezes: suco de abacaxi com hortelã.

“- É! Mandou bem, minha amiga”, disse ironicamente Fernanda que levou um bico na canela desferido por Márcio.

– Os médicos disseram que meu noivo não deve ingerir bebida alcoólica e nem muito alimento gorduroso. Então hoje eu escolho o cardápio para ele.

Roberto desejaria uma cerveja, mas nem foi preciso. Danisa lhe apertou a mão por baixo da mesa e ele resolveu acompanhar o amigo. A esposa pediu água, enquanto Angélica solicitou laranja com manga.

Enquanto as bebidas eram preparadas, eles escolheram e, novamente Angélica escolheu. “- Amor! Acho que esse estrogonofe de jiló vai ser excelente para nós dois. Ontem nos empanturramos de carne, então, penso que seja o prato ideal. Tudo bem para você”, pergunta a noiva de Márcio.

Fernanda olhou novamente e pensou em dizer alguma coisa, mas levou um beliscão de Roberto que olhou indignado para ela. “-E para a senhorita”, pergunta o garçom voltando sua atenção para Fê que pede um mini rodizio. Na vez de Danisa, ela resolveu acompanhar Angélica, como para isolar a amiga. “- Para Roberto também: estrogonofe de jiló”.

Enquanto o garçom deixava a mesa, Márcio fez um movimento com a cabeça chamando Roberto para irem ao banheiro. Já dentro do compartimento, os dois conversaram e o noivo de Angélica disse: “- Está tudo certo entre nós dois. E tu não sabe quem está do lado dela: minha mãe! Roberto, se dona Judith ficou do lado dela, então você imagina o que vai sobrar pra mim”, diz o jornalista.

– Obedecer. Só isso. E delimita o espaço de Fernanda em suas vidas. Ela é doida de pedra e ficará provocando Angélica. Não viu ontem? O tempo fechou porque a Fê começou a fazer gracinha. A Danisa me falou que se fosse com ela, a Fernanda estava no cemitério hoje.

– Olha só. Amanhã pegaremos as alianças, oficializando o noivado em sua casa. Veja lá hein. Não quero ninguém estranho e sem fotos. Só umas para registrar o evento. Vamos eu, Angélica, minha mãe que quer falar mais contigo e ficará aqui na cidade até o casamento no domingo, dona Eleanora, a Fernanda, você e Danisa. Quero você e a Danisa nossos padrinhos ou testemunhas, sei lá como é que isso se processa.

– Está bem! Eu falo com Danisa.

– E como estão as coisas? O dinheiro que te deixei está dando para segurar legal?

– Sim, mas quando ela souber que perdi o emprego e que logo teremos que desocupar o seu apartamento, sem ter lugar certo para ir. A casa vai cair. Aí não sei se segurarei as pontas.

– Você está morto? Não né! Então se acalme, creio que amanhã será um dia especial. Quem sabe não conhecerá seu novo patrão?

– Você? Está maluco? Acha que vou embarcar nesse seu projeto de editora sem ganhar um centavo, esperando a chegada do meu primeiro filho? Pode esquecer, meu amigo. Adoro você, mas não dá.

– Querido! Tu não tens escolha. Ou aceita ou aceita. Se se recusar vou te cobrar amanhã todo o dinheiro que te emprestei.

– Acho que andastes de mais com essa doida da Angélica e agora está agindo como ela. Quero distância. Se uma só já dava trabalho, imagina agora formando um casal. Fodeu geral.

“- Você confia em seu amigo aqui”, lhe pergunta Márcio.

– Claro né! Mas sem essa de embarcar em coisas que ainda estão apenas em forma de embrião.

– Hoje vais levar para casa o enxoval do bebê e amanhã quem sabe as coisas não começam a melhorar mais para ti e de repente não precisará dizer a Danisa que perdeu o emprego.

– Mas eu vou dizer. Preciso. Ela é minha esposa e se não confiarmos um no outro, acaba o relacionamento. E quer saber, vou dizer agora mesmo.

– Não faça isso, moleque. Vai estragar o almoço dela e a surpresa de amanhã. Cala a boca e vamos curtir o o nosso encontro de agora.

Quando os dois saíram do banheiro, encontraram Danisa e Angélica na porta. “- Achamos que os dois estavam tirando no palitinho quem ia comer Fernanda primeiro. Que mulher abusada! Acho que participaram de bacanais com ela”, falou firme a esposa de Roberto.

Os dois se olharam e caíram na risada. “- Só na cabeça de vocês duas mesmos. Primeiro: eu não gosto de bacanal, Márcio também não e, Fernanda pode parecer muito independente, mas não topa esse tipo de aventura. O coração dela busca um homem que a compreenda. Metade de tudo o que ela fala é autodefesa. O Márcio já tirou ela de diversas roubadas. Coisa de irmão mais velho”, explicou Roberto.

Os dois casais voltaram à mesa quando Fernanda já havia devorado uma quantidade de carne vermelha que deixaria Angélica de cabelos em pé. “-Enquanto vocês ficaram lá tricotando e falando mal de minha pessoa, eu fiquei com a melhor parte: a comida”, disse a comerciária rindo que olha para as duas mulheres e fala: “- Podem ficar tranquilas: adoro esses dois, mas não quero nenhum deles como marido, namorado e amante. São caretas de mais. Parecem meus dois irmãos. Cruzes. Só vocês mesmas para aguentá-los como noivo e esposo”.

Todos se sentaram e fizeram suas respectivas refeições. Conversaram bastante sobre tudo e nada. Fernanda se sentiu incomodada. Desejou sair, mas Márcio a conteve: “- Você veio conosco e só sai daqui com a gente. Pode ficar sossegada aí. Se quiser beber mais alguma coisa, pode pedir”, disse Márcio.

“- Danisa e Roberto, vocês já escolheram o nome da criança”, perguntou o jornalista.

O casal respondeu que não. Fernanda se prontificou a escolher, mas Angélica já soltou a dela. “- Você será a madrinha e agora quer escolher o nome também. E o que sobrará para a esposa do padrinho”, pergunta a arquiteta de um jeito tão espontâneo que todos caíram na gargalhada.

“- Tudo bem Angélica, desde que não seja o seu e o de Márcio, você pode escolher”, disse Danisa para delírio da arquiteta que venceu mais uma peleja com Fernanda.

Saíram do restaurante, caminhando direto para a loja ver os enxovais e Fernanda tentou ir embora, mas tanto Roberto quando Márcio não deixaram. “- Você será a madrinha, então nos ajude a escolher o enxoval presenteado pela Angélica”, ordena o futuro papai.

Ajudados pela comerciária, por ela ser vendedora em loja de roupas, o casal escolheu e a futura esposa de Márcio pagou, ficando muito feliz por isso. Quando estava no caixa perto de Roberto e Danisa, ela disse aos dois. “- Ainda tem um presente melhor para o bebê, mas os dois só saberão amanhã noite. Meu amigo, se você não tivesse aparecido lá naquela noite, hoje Márcio poderia ser defunto”.

– E você e Fernanda? Se ajustaram?

– Não! Vai ser difícil. A briga foi feia ontem. Só o tempo para cicatrizar as nossas agressões. Ela me provoca, faz gracejos porque sabe que me irritam e esse grude com Márcio, me ferve o sangue. Estou aqui me segurando e sei que vou levá-la para casa.

– Querida! Ela não se meterá entre vocês dois. Ela adora o Márcio e não engoliu ainda o fato dele ter ido parar na UTI porque te ama e tu brigava muito com ele por conta do ciúme. O quebra-pau de ontem é mais por conta disso do que realmente pelo que aconteceu depois que chegaram da Alemanha. Ela é uma ótima pessoa.

– Angélica, eu aguento essa conversa desde que nos conhecemos e só foi por conta dessa doida aí. Sempre íamos ao mesmo barzinho e eu olhava o Roberto. Achava-o diferente. Ela simplesmente foi lá conversou comigo dizendo que o Márcio queria me conhecer. Não tinha entendido porra nenhuma, porque eu e ele nunca trocamos um olhar se quer. Quando eu sento à mesa com eles e começo a conversar com o seu noivo, ela o chama para irem buscar bebida no bar.

– E aí?

– Eu e Roberto terminamos a noite na cama, onde estamos até hoje. Márcio queria ir para um hotel. Ela não deixou e o levou para casa dela.

“- Eles transaram”, já perguntou Angélica com o sangue começando a ferver.

– Jamais. Isso eu posso lhe garantir. Márcio a trata como a irmã mais nova e como fazia cinco anos que estava distante dos seus familiares, transferiu para ela o cuidado que teria com os seus irmãos. Com o tempo você vai observar que é uma excelente pessoa, mas coloca limites nela. O Márcio não sabe falar não para ela. Então caberá a ti fazer isso.

– Obrigado Danisa. Me deixou mais tranquila. Vou lhe ser sincera. Se eu perder o Márcio acho que entro em parafuso, fico sem chão.

– Eu sei o que é isso. Quando esse aqui saiu de casa por uma noite, quase fiquei doida. Xingava ele, não o queria de volta, mas logo em seguida, que baita saudade batia aqui dentro. Foi naquela noite em que Márcio entrou em coma que eu vi o quanto o amo e justamente por ver como ele adora o amigo.

Assim que Danisa terminou de falar, Márcio chegou perto dos três e convidou todos para irem embora. Já passava das cinco horas. “- Vamos meu amor! Está com saudades da sua galega aqui”, pergunta a arquiteta. “-Sim amor”, disse Márcio chamando Roberto para tirar no par ou impar quem levaria Fernanda para casa. O jornalista perdeu e a empresária torceu o bico por conta da lembrança do dia anterior.

Todos entraram no carro e Fernanda ficou em silêncio. Sabia que a arquiteta era esquentada e pavio curto. Para explodir era rapidinho. Chegaram na casa de Fê, ela desceu, deu um beijo no rosto de Márcio, despedindo-se de Angélica, mas de forma muito amistosa.

No caminho, Angélica perguntou da noite em que dormiu na casa de Fernanda. Sem saber que Danisa tinha lhe contado, ele fala a mesma coisa, inclusive disse que isso aconteceu porque Roberto tinha levado ela pra casa. “- Eu já te contei essa história, mas a sua bronca de Fernanda não te deixava ver o obvio.

– Eu sei amor. Entendi que a Fê não te vê como homem, mas como um irmão que sempre vai protegê-la. Tenho observado isso, pois sou assim com o meu irmão e por ser desta forma é que te conheci e estou muito feliz por tê-lo aqui comigo. Mas isso não significa que a sua amiga ficará atravessando o meu caminho.

– Ela entendeu isso, amor. Enquanto você conversava com Danisa e Roberto eu expliquei tudo a ela. Ela entendeu que tu não levas a coisa tão na boa como Danisa. Disse-lhe que não é porque estou me casando contigo que vamos abandoná-la. De certa forma, ela te provocava porque achava que estava me tirando dela. Para ela, você é estranha no ninho.

– Você está querendo me dizer que o comportamento dela pode ser invertido. Isto é, ela te vê como irmão, mas quando eu apareci na sua vida, ela ficou com medo de ser abandonada por ti?

– Exato! De certa forma, pensa que vai perder a proteção que eu e Roberto lhe dávamos. Ela fala tudo isso sobre nós porque sabe que, por sermos assim, não vamos deixá-la se machucar. Eu já tirei ela de um monte de confusão e o Roberto também.

– Agora estou entendendo. Ela quer te ver feliz comigo, desde que eu não a deixe sem o amigo. Realmente, tu és de outro planeta amor. Não sei se vou me tornar amigo dela, mas a olharei com mais carinho. Tentarei levá-la para uma das empresas do grupo, quem sabe não conhece outras pessoas e para de fazer maluquices.

– Ontem enquanto estavas no carro, disse a ela que não vou te deixar em hipótese alguma e que não deixaria de ser amigo dela, mas tinha que entender certas coisas. Precisava deixar eu tomar as minhas próprias decisões e uma delas era simplesmente me casar contigo, mesmo sabendo que tu tens um gênio do cão, mas que tirando isso, és bela, linda e fica mais tesuda ainda com esse seu gênio de mandona.

Chegaram ao apartamento a tempo de ficarem observando o espetáculo do sol arrumando as malas para ir brilhar no Oriente.  Os dois ficaram olhando o laranja tingindo o céu, enquanto Márcio abraçando Angélica pela cintura estava encantado com aquela beleza singular. “- Amor. Acho que não vou te perder para a Fernanda, mas sim para esse espetáculo da natureza. Parece-me que ele quer me tirar você”.

– Não te deixo por nada desse mundo, minha paixão.

Ainda intrigada com a explicação que Márcio lhe dera sobre a amiga, Angélica o pegou pela mão e o levou até o sofá. “- Querido ainda estou com aquela coisa da Fê na cabeça. Eu tento compreender, mas ainda me falta, vamos dizer subsídios”.

– Amor! Todos temos, em algum ponto de nós, coisas que nos deixam inseguros e por várias razões. Por exemplo, você diz que eu tenho um olhar que se outras mulheres enxergarem, tu me perdes. Eu não sei que olhar é esse, mas se estás dizendo, é porque de alguma forma existe, mesmo que seja só para ti. Precisamos cada um entender qual é o nosso ponto que pode ser intransponível.

– Estou entendendo. Eu ainda, de certa forma, estou presa a alguns acontecimentos do passado, como por exemplo, as sevicias que meu pai me submetia. Se eu não sair de lá, jamais conseguirei construir um futuro contigo.

– Com a Fernanda, com Roberto, comigo também funciona assim, mas uns conseguem entender isso mais rápido e trabalham as consequências em suas vidas. Eu levei cinco anos para me livrar daquela noite e foi preciso uma porrada bem no meio de minha cara dada pela sua mãe. Naquela noite, eu entendi que estava querendo me refugiar no passado com medo de ser feliz.

– Ontem o que rolou entre nós foi lindo. Espero que seja sempre assim.

– Adorei, mas sei que vai haver momentos que não conseguirás estar inteira na relação e não adianta eu forçá-la. Nesses casos, o melhor a fazer é deixar a coisa seguir e amanhã ou depois recomeçarmos.

– Fernanda quer se fazer de durona, mas é um cristal. Estou certa?

– Na verdade enxerga eu e Roberto como seus guardiães. Ela não esperava que o Roberto fosse se casar e deixar, de certa forma, de protegê-la. Ele seguiu a vida dele, mas sempre cuidou e cuidará dela, mas com Danisa por perto a coisa fica mais complicada. Estava sobrando eu e aí uma certa esmeralda capturou meu coração. Ela se viu perdida.

– Amor você jura que nunca houve nada entre vocês dois?

– Ela não faz meu tipo.

– E qual é o seu tipo de mulher?

– Você!

– Quando fui parar na UTI, ela queria te esgoelar. O Roberto a segurou. O motivo dela foi muito simples: eu sou quadradão, metódico, mas fico na chuva com o amigo.

– E agora? Você se casando comigo. Como será?

– Bom! Eu me casando, continuaremos cuidando dela, contudo, a distância. Até porque Fernanda detesta que ficamos no pé dela, mas na primeira portada que leva na cara, vem procurar abrigo, falar e tentar entender porque não consegue ser feliz. A Fê, como muitas outras mulheres, ainda continua presas a algo que não existe mais, mas deixaram marcas que parecem ser indeléveis. Isso não é só as mulheres, mas os homens, enfim, os seres humanos de um modo em geral são assim.

-E em que ponto acha que Fernanda está?

– Por mais que se diz independente, não se abre muito, e quando tentamos aproximar mais, ela passa uma ou duas semanas sumida, sem dar explicações alguma. Ela sabia onde eu e Roberto almoçávamos. Aí ela aparecia e como se tivéssemos nos encontrado no dia anterior, começa a conversar. Acho que ela ainda não superou o sumiço do pai e fica procurando ele nos homens com os quais saem.

– Bom! De qualquer forma, você não se parece com o pai dela e não quero ela de fricote contigo. Seus tempos de solteirice acabaram. Agora o sistema é outro e não se fala mais nisso.

– Ela sabe disso. Eu e o Roberto estaremos sempre por perto quando precisar, mas almoçar juntos, irmos aos barzinhos a noite, sem chance.

– Você que pensa que vai sair por aí com ela a tiracolo. Morre os dois.

Antes que ela terminasse de falar, Márcio a abraçou, a beijando carinhosamente. “- Eu encontrei a pessoa que sempre procurei e foi justamente num domingo chuvoso que ela apareceu. Não estava ensopada da água da chuva, mas desfilava toda a sua imponência. Meu deus do céu que mulher. Ela chegou chegando e quando eu a olhei, que diva, mas que arrogância”, disse Márcio.

– Quando pensei que tinha me livrado dela, na segunda-feira, lá estava ela me importunando no meu trabalho, pedindo a minha cabeça. Me humilhando na frente do proprietário.

– É! Eu passei a tarde de domingo possessa, pelo seu descaso. Na segunda-feira, achei que alteraria sua postura, mas mudou nada. Pelo contrário, só reforçou o caráter e a conduta ilibada e agora estamos aqui há uma semana de nos tornarmos esposos.

Os dois olharam para o relógio ao mesmo tempo, observando que os ponteiros se aproximavam das 21 horas. Angélica tinha que acordar cedo no dia seguinte para voltar as atividades nas empresas em dois períodos e Márcio cuidar do adiantamento da editora e dar andamento na parte jurídica. Decidiram por relaxar e em seguida dormirem.

Disputaram no par ou impar para saber quem tomaria banho primeiro e esperaria o outro na cama, na sala, ou escondido. Angélica venceu e se dirigiu ao banheiro enquanto Márcio ficou por ali, mas resolveu se esconder. No quarto de hóspedes o guarda-roupa era enorme, ideal para deixá-la maluca até encontrá-lo. Quando o achou, levou ao banheiro, dizendo que o preço por feito ela ficar o procurando por meia hora, era levá-la ao sétimo céu.

Quando Márcio saiu do chuveiro, a noiva lhe cobra pelo trabalho de localizá-lo, mas antes mesmo que ele falasse alguma coisa, Angélica informa que naquela noite a massagista seria ela. A empresária repetiu tudo o que Márcio havia feito com ela na noite anterior, lhe massageando as costas com o mesmo gel, em seguida passando os seios nas costas, lhe apertando a bunda e massageando os testículos, deixando Márcio à beira do êxtase.

Quando ele vira de frente para Angélica, ela lhe sente a temperatura no corpo inteiro, mas principalmente em seu sexo. Despeja gel no tronco e no corpo inteiro e com uma das mãos lhe massageio o pênis e com a outra distribui o gel pelo corpo todo de Márcio. Quando o jornalista está quase nas nuvens, ela lhe toma o sexo na boca, ofertando a vagina para a boca dele. Os dois ficam nessa troca fluída por 10 minutos, estando os dois em seus respetivos limites, quando Angélica movimenta o corpo colocando o membro do noivo em sua vagina, enquanto lhe massageio o peitoril. Nesse movimento de vai e vem, ambos chegam, depois de cinco minutos, no êxtase.

Ambos exaustos, a arquiteta deita do lado do noivo depositando a cabeça no ombro dele. Adormeceram, sendo despertados pelo barulho da chuva que batia forte na janela. “- Amor, vamos tomar um banho e voltarmos a dormir”, sugere Márcio. Angélica aceita e dois se banham e voltam a mergulhar no silêncio do apartamento, enquanto a chuva vai aumentando.

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