Olhar Crítico

Poesia

Quem não aprecia um bom verbo tornado verso? Quem não se recorda daquela épica exposição poética, segundo a qual “no meio do caminho havia uma pedra; havia uma pedra no meio do caminho”, da lavra poética de Carlos Drummond de Andrade (1902-1987)? Há quem recorde os parnasos Olavo Bilac (1865-1918) e Manuel Bandeira (1886-1968) – este famoso por ter encontrado um ser humano comendo lixo. E de Cora Coralina (1889-1985), que residiu em Penápolis e dá nome a uma sala contigua à Biblioteca Municipal “Prof. Fausto Ribeiro”? Creio que todos são cônscios destas importantes personalidades para o mundo das letras no Brasil. Não posso deixar de citar aqui o escritor Machado de Assis (1839-1908) que após visitar o túmulo de sua amada, legou, em meu simples olhar quase que crítico, um significativo poema, ou melhor, uma ode à sua esposa e o seu devotamento à sua companheira de vida.

 

Temática

Mas por que usar um aforisma para falar de poesia, quando a cidade, pelo menos até o momento em que escrevia essas linhas, acusava o golpe de 76 vítimas fatais, levadas deste mundo pela pandemia do covid-19? Claro que ainda tratarei dessa questão, mas, para começar a conversa com meus leitores neste último domingo de fevereiro, que, pode não ter sido o Mês pela ausência do reinado de Momo, optei por tratar da temática alusiva à literatura por várias razões, entre elas, o fato de que se esbraveja aqui e ali que as escolas não estão conseguindo formar leitores e, por conta disso, não é possível haver considerável redução nos preços dos livros! Há controvérsias sobre tudo isso, contudo, não me aterei a elas neste ponto de minhas abordagens.

 

Versos

Sendo assim, o foco será na iniciativa que a Secretaria Municipal de Cultura da cidade, oferece aos cidadãos penapolenses que adoram não só escrever, mas brincar com os verbos, lhe dando múltiplos significados a partir das rimas ou sem elas, pois o importante é comunicar ao mundo como o coração poético lê as estrelas e suas luzes do cotidiano. Eu, por exemplo, gosto de pensar que elas se comunicam como homem desde que este surge no mundo com a proposta de se tornar um ser hominal. Quem nunca escreveu ou pensou em dizer a alguém que gostaria de ter o poder de dialogar com o cosmo ou de compreender como a natureza se comunica com o homem, indicando que, quiçá as mazelas provocadas pela essência de milhares de sujeitos sociais, ainda acredita, tem esperança em dias melhores.

 

Diálogos poéticos

Pois bem! Todos esses diálogos poéticos podem encontrar guarida nesse projeto da Secretaria de Cultura. Sendo assim, quem tem seus verbos, versos e outras conversas poéticas acomodadas num canto secreto da casa e n’alma. Naquela gaveta, cuja chave está bem guardada dentro do coração e a senha para acessar são verbos que estão latentes na sublimidade do escrevinhador, do literato que usa a escrita para deixar o espírito mais leve, expondo como a sua condição social asfixia seus desejos de contribuir de forma mais fecunda para a sociedade da qual faz parte, contudo, a mão invisível da hipocrisia humana não permite. Creio que, meus caros leitores, o momento é esse. Conforme informações da própria Secult, o município passa a ter uma editora pública.

 

Editora

“A Editora Municipal de Penápolis será um órgão institucional, portanto, sem fins lucrativos. Poderão ser publicados documentos oficiais do município, livros institucionais e demais livros que sejam fruto do trabalho de outras secretarias, como por exemplo, projetos vinculados às Secretarias de Educação e de Cultura. Com a editora, será possível criar diversos selos que podem setorizar as publicações, como por exemplo, selo de Cultura, Educação, entre outros. Além disso, também podem ser criadas coleções com diversos títulos institucionais. A Editora Municipal de Penápolis é um projeto da Secretaria de Governo, mas contará com o envolvimento de todas as demais secretarias municipais. A editora já está registrada junto à Câmara Brasileira do Livro (CBL)”, informa a Secult.

 

Coletânea

E já que a temática de hoje gira em torno de uns versos redondos, sonoros, dançantes, é interessante indicar que um dos projetos desta editora municipal será a organização duma coletânea de poesia, objetivando dar vozes aos poetas e poetisas penapolenses que gostam de poetizar seus sonhos e desejos, mesmo aqueles que são cônscios de que tudo não passa de utopias otimizadas nos e através dos verbos que ao tornar-se-ão versos para elevarem a consciência, não só do que se expressa através daquela escrita, mas também do ser que acessa o conteúdo. Os diálogos poéticos em forma de versos, livres, métricos ou não podem ser encaminhados à Secult por meio do e-mail secult@penapolis.sp.gov.br até o dia 2 de abril. Junto com o texto, o prosador em versos deve encaminhar um breve currículo.

 

Publicações

Parece-me que com esse projeto da Editora Municipal, da Secretaria de Governo será possível por exemplo a realização de semanas literárias, concursos de contos, poesias, crônicas e até romances, cujos prêmios poderão ser em dinheiro, advindos dos valores pagos pelos inscritos, ou simplesmente ter as obras publicadas pela editora e posteriormente comercializadas a partir de tiragens feitas quando da solicitação da compra. Por exemplo, o próprio autor da obra pode pedir a publicação em livro e revendê-la, como ocorre em muitos lugares do Brasil, entre eles, a Cooperifa. De qualquer forma, a proposta é digna, vamos ver agora como a coisa ganha robustez.

 

Slogans

Depois do “Penápolis, cidade que acontece”, os edis eleitos na última eleição vetaram a utilização de “logomarcas, slogans, frases, números e símbolos que possam ser associados a uma determinada gestão de governo”, conforme informações da assessoria de imprensa da Câmara de Vereadores. A proposta foi apresentada na gestão passada, mas não encontrou anuência entre aqueles pares, mas agora foi reapresentada e a aprovação acontece. Confesso-te meu caro leitor que eu não entendo: por que no passado não foi adiante com boa parte dos vereadores de hoje presentes na gestão pretérita. Sei lá, diria o velho adágio, “coisas de política”, entretanto, não se podia esperar muito daquela legislatura que não fez nada diante das denúncias de irregularidades ocorridas no governo passado. Aliás, o ex-chefe do Executivo já inicia seu calvário de ex-prefeito sendo condenado pela Justiça a pagar multa de R$ 94 mil em processo que “transitou em julgado”, ou seja, não cabe recurso. A sentença diz respeito à “criação do caro comissionado de secretário de Negócios jurídicos”. gilcriticapontual@gmail.com, d.gilberto20@yahoo.com,   www.criticapontual.com.br.

 

 

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