Olhar Crítico

Raio-X

Em tempos de operação judicial, objetivando combater os núcleos e nichos de corrupção nas estruturas administrativas de alguns municípios brasileiros que carcomiam o setor de saúde, é sempre bom trazer notícias positivas para Penápolis. Desta forma destaco aqui o trabalho que a secretaria de Educação no sentido de melhorar a ambientação em que as crianças estudarão a partir de 2021, quando, crê-se, haverá o retorno às aulas presenciais. A prefeitura iniciou na semana que terminou ontem o seu processo de aclimatização das salas de aula. Ação digna de nota e o que todos que atuam na educação desejam, é que os pais enviem filhos melhores para as instituições educacionais: crianças e adolescentes com valores éticos e morais condizentes com o convívio em sociedade. E não adianta culpar o outro, pois a educação que é dada em casa é individual e intransferível, ou seja, é dos pais e de ninguém mais!

 

Cobranças

Não se pode cobrar honestidade dos políticos se escolhem seres humanos indicados por padrinhos envolvidos e condenados em ações corruptíveis. Não adianta pedir mais creche, mais escolas, se o trabalho de casa não é feito. Querem um Brasil diferente do que se tem? Iniciem as mudanças durante os processos de socialização primária, quando os filhos começam a ser preparados para a fase adulta. É uma grita geral contra a categoria política, mas no momento de ir às urnas, escolhe-se aqueles que prometem ou até furaram a fila de espera para se realizar exames, ou quando vereador, pede para que determinado ponto de ônibus seja trocado de local, atendendo à solicitação de uma personalidade específica da cidade. Essas mudanças comportamentais no campo social têm início em casa e com consequências na esfera da política eleitoral e partidária.

 

Pandemia

Deixando, por hora o campo da política paroquiana e enveredando pelo global, num processo dialético, é triste as informações que chegam do Velho Continente – Europa. Pelas bandas de lá do Oceano, a pandemia está na sua segunda volta em torno do orbe e a pergunta que se faz é: por quê? Claro que a resposta está tão próxima de nós, brasileiros. Aqui em Penápolis é possível compreender porque a coisa está beligerante e o vírus ameaçador sem querer ir embora. Sabe-se que os casos aqui já ultrapassaram a casa do milhar e os óbitos passam das três dezenas. Muitos podem tematizar, justificar isso e aquilo, mas como transmitir conforto aos familiares daqueles que foram vítimas dessa pandemia, classificada num passado não muito distante de uma gripezinha?

 

Egoísmo

No momento em que escrevo essas linhas há uma família sendo aterrorizada pelo vírus. “Mas e daí?” Perguntarão os egoístas de plantão, crentes e divulgadores das mentiras forjadas em “gabinetes do ódio” criados para manter o povo alienado. Não adentrarei nesse mérito, pois não é esse meu escopo aqui a partir dos meus olhares. Objetivo tão somente, através de meus aforismas, contribuir para o debate em torno de um problema global, em que líderes paroquianos querem torná-lo pequeno, já que pretendem manter, a exemplo dos tempos do coronelismo, a massa dentro de determinados currais ideológicos e tocando o berrante em épocas eleitorais, sendo que cada um com a sua cédula já preenchida com o nome do comandante. No passado, era chamada “cola”, hoje é posts do WhatsApp e outras redes sociais!

 

Debates

Realizar debates em tempos de covid-19 é complexo, contudo, é possível usar as redes sociais de modo racional para propor diálogos entre os postulantes ao cargo máximo da cidade. Contudo, assim como em religião e futebol, o mundo da política não prima muito pela racionalidade, caindo no universo da paixão. Interessante notar que esse substantivo feminino quanto vertido para o italiano é grafado como passione evidenciando um tanto quanto de passionalidade, isto é, sem nada de razão. Talvez seja por isso que discussões e conversas em torno desses mundinhos terminam sempre em ofensas e confusões. Mas todo mundo tem um time de futebol que idolatra, uma mercadoria-política de estimação e defende um credo religioso. Entretanto, por que não é possível um diálogo sereno nessas três áreas da vida privada do sujeito social, mas que perpassa o campo da existência no âmbito público?

 

Campanha eleitoral

Voltando a esfera local e política, essa campanha eleitoral parece que está serena. Será em virtude dos tempos pandêmicos ou por conta de muitos telhados de vidros que existem entre os postulantes? Sabe-se que no apagar das luzes, no mundo do populismo econômico, apela-se para tudo quanto é santo, inclusive colocar dinheiro em circulação mediante folha de pagamento antecipada. Claro que a lei prevê que os salários sejam pagos até o 5.º dia útil do mês subsequente, entretanto, quando a temática é administração pública, seria interessante observar quantas vezes isso aconteceu nos últimos oito anos. Claro que para o pai de família, em tempos pandêmicos e em que as vacas começam a emagrecer, é extremamente importante quando medidas como essas tomadas pelos gestores públicos. Mas sempre haverá um porém…

 

Tragédias

Não bastasse a pandemia provocada pela covid-19, a enxurrada de denúncias dando conta do envolvimento de políticos com corrupção na área da saúde, a cidade ainda tem outra tragédia: o tráfico de entorpecentes. Não há um dia que os jornais não noticiam que a polícia tirou de circulação um traficante preso com nem sei quantos gramas, quilos de drogas. Operações nas duas rodovias que dão acesso a Penápolis continuam desbaratando aglomerados de “mulas” que carregam esse tipo de substância destruidora de muitas famílias. Qual trabalho precisa ser feito para eliminar essa sangria e esse câncer que consome diariamente a vida de milhares de jovens: seja pelo consumo ou pelo tráfico?

 

Formigueiro

Vejo respostas disso e daquilo aos borbotões, mas nenhuma delas, até onde sei, busca a compreensão das causas e posteriormente sua eliminação. O cuidado com a infância, ou melhor, com as crianças mais carentes da cidade não foi trabalhado de forma correta nos últimos 15 anos. Entrou governo, foram reeleitos e a coisa continuou da mesma forma. Se não é isso, como explicar a quantidade de jovens envolvidos no comércio de drogas? Os jornais locais estampam todos os dias em suas páginas uma série de prisões feitas pela Polícia Militar e também pela Polícia Civil. É! Parece que faltou uma sinergia entre as secretarias de Esportes, Educação e de Assistência Social e a ausência dessa junção não é de hoje. Espero que os candidatos à prefeito apresentem projetos sólidos que possam equacionar essa problemática. E-mail: gilcriticapontual@gmail.com. www.criticapontual.com.br.

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