Olhar Crítico

Felicitações

Começo meus olhares deste domingo, feriado municipal, parabenizando a Princesa da Noroeste. Há exatos 112 anos, nascia às margens do córrego, até então sem nome, o que é hoje Penápolis. Para muitos, um local de passagem à outras paragens ou até mesmo às terras mato-grossenses, para outros tantos, cidade próspera para se viver e tentar iniciar sua existência. Conforme matéria veiculada neste jornal no último domingo, Penápolis está bem colocada no ranking de municípios assaz aprazível para a vida dos idosos. Mas, e os jovens? E as crianças? E os adolescentes? De qualquer forma, parabéns à cidade capital franciscana.

 

Presente

E o que a cidade ganhará de aniversário? Não vale os pessimistas dizerem que o presente chegou com a Operação Raio-X, bem como também afirmar que é a formação da CEI (Comissão Especial de Inquérito) na Câmara Municipal. Esta chegou tarde, levando em conta que o Ministério Público já investigava a problemática havia dois anos, sendo então, algo casuístico nesse apagar das luzes deste lamentável mandato da atual vereança. Entretanto, tem muitos, ou melhor os treze atuais edis querem continuar mais quatro anos em seus assentos, mas aí eu pergunto para quê? Entendo que esse questionamento deveria ser feito pelos mais de 43 mil eleitores que a cidade tem!

 

Interpelações

Embora o aniversário seja hoje, creio que todos os moradores, principalmente aqueles que escolherão seus representantes logo mais, deveriam pensar bem no presente que darão à Terra de Maria Chica. Seja aquela dupla que se apossará dos dois assentos no Paço Municipal a partir de 1.º janeiro de 2021, seja os 13 que atuarão na vereança nos próximos 48 meses. Acorda Penápolis! Por que o ex-secretário da Saúde, quando começou as investigações, não foi afastado de suas funções? Por que o prefeito, com condenações na Justiça no âmbito da Segunda Instância, sequer ouviu falar em ser desligado do cargo pelos vereadores? É! Meus caros leitores, vocês podem até dizer que são interpelações em demasia, mas creio que não seja, tamanho descalabro investigado e posteriormente apresentado pela Promotoria Pública nos bastidores do Paço Municipal. Mas vá lá, mudemos de assunto, pois esse pode estar muito pisado, batido, todavia, estará na boca de urna nas eleições deste ano.

 

Covid-19

A cada dia os números da pandemia que assola o país aumentam aqui em Penápolis, conforme matéria da última 6.ª-feira publicada aqui neste jornal, já haviam sido registradas 31 mortes, e fica-me a questão: o que está acontecendo? Falta de prevenção, ausência do uso de máscaras ou consequências da aglomeração desnecessária de pessoas em festas e outros eventos? Gostaria de ter as respostas para ajudar a debelar as causas, entretanto, não as tenho, contudo, é possível indicar que o egoísmo está campeando de forma exacerbado nesses tempos pestilentos. Como é possível um sujeito, diante da calamidade pública, querer, arrogantemente dizer que não fará nenhum esforço, através de seu governo para adquirir vacinas para a população? A minha resposta a essa pergunta fica claro quando este ser foi escolhido para governar o país e não ficar de picuinha, apequenando o país por questões pessoais.

 

Sentença

Não adentrarei aqui no mérito da sentença, ou seja, na maneira como cada um entende o processo, pois cada um pensa de acordo com seus valores éticos e morais, a bílis, o fígado e o seu grau de ressentimentos, todavia, a questão extrapola essas questiúnculas eleitorais, contudo, se a coisa chegou a esse patamar a culpa maior é do eleitor. Por isso entendo que Penápolis aniversária hoje, mas o eleitor deve fazer uso da razão ao pautar suas escolhas pelas pessoas que vão dirigir a cidade nos próximos quatro anos.

 

Política

Ainda dentro da alçada da política, como perguntar ainda não ofende: gostaria de entender o que leva um cidadão, cônscio de sua condenação tornando-o incapacitado a disputar um cargo eletivo, se candidatar ao processo eleitoral? Descrença na legislação ou fé absoluta no tapetão? Seria interessante uma pesquisa no campo da ciência política que indicasse a quantidade de prefeitos que Penápolis teve, nos últimos 30 anos, que governou a cidade sustentado por liminares e embargos infringentes. Tal avaliação talvez explicasse parte de minha interpelação neste aforisma. Quem sabe esse trabalho não seja realizado num vir a ser não muito distante na Terra de Maria Chica e pode até virar livro do tipo que o cientista político Jairo Nicolau lançou pela editora Zahar: O Brasil dobrou à direita: uma radiografia da eleição de Bolsonaro em 2018. Eu recomendo a leitura para quem quer entender esse país para além do WhatsApp e redes sociais, onde tudo parece ser verdade, contudo, muita coisa é fruto de fake News.

 

Leitura

E já que estou no campo da literatura, livros e outras poéticas políticas, recomendo aos interessados a obra do pensador polonês Adam Przeworski: Crises da democracia. Interessante material para quem pretende conhecer mais sobre o universo da política. O texto não é empolado, suas colocações são diretas. No campo da pandemia há o trabalho das historiadoras Lilia Schwarcz e Heloisa Starling: A bailarina da morte: a gripe espanhola no Brasil. Existe também o material publicado pelo médico e ex-ministro da saúde, Luiz Henrique Mandetta: Um paciente chamado Brasil: os bastidores da luta contra o coronavírus. Ainda assim, se o meu caro leitor quiser algo fora das questões políticas do momento, pode optar pelo livro Dez anos de poesia, publicado pelo poeta penapolense Marcos Serafim Teixeira. Boa leitura a todos que se predispuserem a transformar informação em conhecimento.

 

Egoísmos  

Recordo-me aqui, dentro dessa feitura de tentar fazer com que a beleza de nossos sonhos diminua e em muito a feiura que existe no mundo por conta dos egoístas que pensam em si e seus séquitos de bajuladores, de uma música da banda Legião Urbana cujo refrão perguntava: “que país é esse?” Interessante notar que a tal interpelação, feita por meio sonoro, era tocada no final da década de 80 do século XX e continua presente. Por que? Será que Machado de Assis (1839-1908) tinha razão ao afirmar que antes de mudarmos as leis era preciso haver alteração nos costumes? Se isso é fato, quais hábitos os brasileiros precisam alterar para que o país se torne de fato uma Nação próspera e democrática? As disputas pelos pequenos poderes seriam um deles? Não sei ao certo, mas acho que todos deveríamos pensar com a devida acuidade, pois o globo precisa alterar a sua rota de circulação de ideias e práticas, do contrário, haverá muitos ataúdes, acompanhados de féretros a espera de criptas que estarão abarrotadas de coisas que um dia foram consideradas humanas. E-mail: gilcriticapontual@gmail.com. www.criticapontual.com.br.

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