Olhar Crítico

Proselitismo

Começo meus olhares dominicais, te confessando meu caro e dileto leitor: não entendi o sentido dessa CEI (Comissão Especial de Inquérito) que a Câmara local abriu agora no apagar das luzes dessa legislatura. Explico-vos, para não dizerem que sempre sou do contra ou coisa parecida, mas é inaceitável que a comissão seja aberta depois do esparrame que o Gaeco andou fazendo na cidade no começo da semana por conta da Operação Raio-X objetivando estancar a sangria na área de Saúde, provocada por grupos de pessoas que se apropriava do erário público, conforme as investigações indicam e amplamente divulgado pela mídia nacional.

 

Palavrório

Os nobres edis vão vociferar pelos quatro cantos das paragens maria-chiquenses que estão cumprindo com o papel que lhes fora outorgado pela população no último pleito municipal. Até aí tudo bem, nada de mais, pois ganham, cada um deles mais de R$ 4 mil para defender os interesses da coletividade e não para passar um cheque em branco ao chefe do Executivo ou ser apenas uma agência de chancela dos interesses do Paço Municipal. Entretanto, de acordo com informações dadas pelos integrantes do Gaeco, as investigações relacionadas aos supostos desvios nos cofres públicos já perduram dois anos, inclusive com idas e vindas na Justiça por conta do contrato firmado entre a municipalidade e a OS acusada de desvios.

 

CEI

É aí que entra a minha ausência de compreensão na criação dessa CEI faltando pouco mais de dois meses para que o mandato dos 13 fiéis escudeiros da democracia penapolense se esvaia. Se a Promotoria Pública vem analisando a problemática, por que somente agora os nobres edis querem investigar a temática? Por que não fizeram isso antes? Levando em conta que a Justiça de primeira instância decretou a prisão preventiva do secretário de saúde de Penápolis, é crível de se houvesse um afastamento anterior do atual prefeito em virtude de uma condenação em segunda instância, talvez tudo isso pudesse ter sido evitado. Todavia, meus caros leitores, estou apenas admoestando sobre a criação desta CEI agora no final da atual legislatura. Esse questionamento que faço é semelhante àquele em que os vereadores recusaram as contas do ano fiscal de 2016, quando o atual chefe do Executivo estava no final de seu primeiro mandato.

 

Curiosidades

E já que a minha temática neste domingo, véspera de feriado dedicado à padroeira do Brasil, é no campo da política, vos chamo, meus caros leitores, a atenção para um fato eleitoral de significativa importância: o atual vice-prefeito, ungido do prefeito que deixará o cargo no dia 31 de dezembro se despedindo do foro privilegiado, também esteve presente na gestão do antecessor do chefe do Executivo que no momento ocupa do Paço Municipal. Na gestão do petismo, o candidato do Executivo estava lotado no cargo de Chefe de Gabinete para, depois no presente mandato, se assentar na segunda cadeira mais importante do cenário político local. Em Ciências Sociais e Políticas, o pesquisador costuma chamar esse fenômeno de “continuísmo”, o que é extremamente prejudicial à saúde democrática de uma sociedade, no caso aqui, das paragens penapolenses. Pensemos com a devida acuidade!

 

Registros

Outra curiosidade que vos chamo a atenção, meus leitores, se eu ainda os tiver nesse ponto dos meus aforismas dominicais, diz respeito à informação de que houve dentro das cercanias penapolenses a redução no número de ocorrências de roubos e furtos. Achei muito interessante, contudo, não pude deixar de fazer a conexão de sentido entre essa notícia e a operação Raio-X, que por sinal é um significativo trabalho dos Promotores Públicos visando cessar as apropriações indevidas do dinheiro do contribuinte que deveria ser empregado na área da saúde e não nas carteiras, bolsos e cofres de pessoas privadas, conforme indicam as apurações feitas pelo Gaeco, mas como me disseram uns amigos: vamos esperar as investigações chegarem ao final e ai depois se pode dizer algo de concreto, todavia, uma coisa é certa: prisão preventiva é diferente de prisão temporária! A primeira só é relaxada com Habeas-corpus concedido pelos Tribunais de Justiças, as chamadas alçadas superiores. Para o momento, tentemos, eu e vocês, meus caros leitores, dormirmos com um barulho desses e um tremendo escândalo na esfera da saúde em plena pandemia do coronavírus que já ceifou a vida de muita gente.

 

Pandemia

E já que toquei no assunto, externo aqui através dos meus olhares dominicais, os meus sentimentos aos familiares do radialista Rubens Belizário da Costa, “Rubinho Costa”, que na semana que terminou ontem se tornou mais uma vítima dessa pandemia. Suas observações deixarão saudades e o seu companheirismo profissional também. Quem conviveu com ele, sabe o que estou afiançando aqui. Sempre que nos encontrávamos, falávamos de tudo e de nada ao mesmo tempo, mas sobretudo de política. Tanto é que ele estava aí na batalha para conseguir uma das treze vagas na Câmara Municipal que, em minha singela opinião, precisa ser reformulada 100%, tendo em vista os episódios dos últimos 48 meses em relação às ações do Executivo e não houve nenhuma movimentação no sentido de afastar o prefeito por conta da quantidade de processos que este responde na Justiça e, em alguns casos, sentenças desferidas nas alçadas superiores, a chamada Segunda Instância. Enfim, o alcaide deveria já ter recebido cartão vermelho!

 

Literatura

Como todos sabem, tenho um significativo apreço pela literatura, seja ela brasileira, estrangeira, atual ou do ontem, mesmo que ele não seja muito longínquo ou parnasiano, barroco, rococó, medievalista, enfim, se o romance, prosa, poesia tem algo a me dizer como por exemplo as odes de Dirceu à sua amada Marília, tem aqui um leitor assíduo. Sendo assim, e recorrendo aos clássicos das letras universais, pergunto-vos meus caros leitores em que momento da narrativa de Dante Alighieri (1265-1321) estaria a atual gestão? Todos sabem que o florentino escreveu os belíssimos cantos intitulados A divina comédia e os dividiu em três partes: Inferno, Purgatório e Paraíso. Vão lá, leitores, leiam essa importante obra e descubram. Depois podem percorrer o clássico do romance de cavalaria Dom Quixote de La Mancha, confeccionado pelo espanhol Miguel de Cervantes (1547-1616) e olhem se encontram Sancho Pansa, o escudeiro do fidalgo que sai pelo mundo a busca de sua amada Dulcineia. Nessa peleja de Raio-X quem seria o fiel escudeiro da querela toda? Por hoje fico por aqui, nos próximos aforismas pretendo tratar de coisas mais adocicadas para os meus leitores, como por exemplo, a Galinhada que a Igreja do Nazareno está promovendo em Penápolis. Sendo assim, desejo a todos que me acompanharam até aqui um significativo feriado nacional.  E-mail: gilcriticapontual@gmail.com. www.criticapontual.com.br.

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