Olhar Crítico

Literatura

Começo meus olhares neste domingo que, tecnicamente, seria feriado em Penápolis por ser o dia do padroeiro, São Francisco de Assis, inicialmente não abordando a política local, mas a partir de uma área que tem grande apreço: a literatura. Desta vez, o universo é o mundo russo, mais especificamente a novela Memórias do Subsolo, do escritor Fiódor Dostoiévski (1821-1881). A enunciação aborda questões que dizem respeito aos valores da vida e da alma daqueles que se deixam levar pelas belezas do mundo material em detrimento de toda formação que recebeu desde os primórdios durante a socialização primária, pautada em valores éticos e morais. Creio que quando meus leitores estiverem lendo esses aforismas, eu já tenha concluído a sua leitura e dado sequência ao romance “Senhor das moscas”, de William Golding (1911-1993).

 

Poder

Do Senhor das moscas posso dizer algo a partir da orelha da contracapa: “Durante a Segunda Guerra Mundial, um avião cai numa ilha deserta, e seus únicos sobreviventes são um grupo de meninos em idade escolar. Eles descobrem os encantos desse refúgio tropical e, liderados por Ralph, procuram se organizar enquanto esperam um possível resgate. Mas aos poucos – e por seus próprios desígnios – esses garotos aparentemente inocentes transformam a ilha numa visceral disputa pelo poder, e sua selvageria rasga a fina superfície da civilidade, que mantinham como uma lembrança remota da vida em sociedade. Senhor das moscas é um clássico moderno; um livro que retrata de maneira inigualável as áreas de sombra e escuridão da essência do ser humano”. Pelo que se anuncia, as duas leituras serão significativas para que este colunista entenda o momento que o Brasil, o Estado, a cidade, enfim, o mundo vem passando.

 

3112

O número que identifica esse aforisma diz respeito ao último dia deste ano e também do mandato do atual prefeito que, terminará, conforme já afiancei aqui outras vezes, de forma melancólica sua passagem pelo Paço municipal. E olha que não sou eu quem estou afirmando, mas sim a operação Raio X deflagrada pela polícia Judiciária e o Gaeco – grupo de promotores públicos que investigam quadrilhas de plutocratas que se enriquecem às custas dos cofres públicos. De acordo com a Promotora Pública, Flávia de Lima e Marques, as investigações por supostas fraudes no campo da saúde começaram aqui em Penápolis. Portanto, não foi por conta duma merreca, como disse certa vez um político, mas um grande esquema que desviou milhões de reais da saúde e olha que a sociedade passa por problemas seríssimos em tempos pandêmicos. Nem isso dissuadiu os acusados de continuarem a fraudar o SUS (Sistema Único de Saúde).

 

Imunidade

É interessante notar que o atual prefeito, que defende que seu sucessor seja o seu atual vice, teve o nome envolvido na problemática, conforme ele mesmo disse, porque apareceu numas anotações encontradas pelos policiais judiciários. Entretanto, por possuir foro privilegiado até 31 de dezembro deste ano, será investigado pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJESP). Mas e depois, como é que fica quando 2021 surgir no dia 1.º de janeiro? Será que os helicópteros do TJ trarão os processos para a primeira instância? Entendam bem, meus caros leitores, este colunista compreende que perguntar ainda não ofende e, de acordo com a Constituição Federal, todo cidadão tem direito a informação, logo, ela deve vir através de interpelações como estas. Claro que todos, com consciência política, sabiam que essa bomba-relógio explodiria, cedo ou tarde, contudo, talvez uns esperavam que fosse depois das eleições, mas não foi o que ocorreu. As espoletas das granadas foram tiradas antes da abertura das seções de votações e em plena campanha eleitoral. Logo, os fatos já estão sendo usados politicamente e não seria para menos.

 

Fatos

Espero que todos os envolvidos na peleja não venham com aqueles famigerados discursos disso e daquilo, de que é perseguição política ou que os representantes do Ministério Público estão pegando no pé deste ou daquele gestor. No caso de Penápolis, são oito anos de gestão deste atual chefe do Executivo com direito a embargos infringentes no TSE (Tribunal Superior Eleitoral); vai e vem do AME (Ambulatório Médico de Especialidades) ou deixe com a outra cidade; desastrosas declarações em palanques educacionais abraçando candidato derrotado e ganhando de brinde a aversão do governador eleito e expulsão da legenda. Agora no final, no apagar das luzes, o seu vice, conforme vídeo divulgada por uma produtora rural, se envolve numa escaramuça desnecessária. Não bastasse isso, um coronel aposentado da PM que estava secretário de saúde é preso temporariamente por cinco dias, acusado de envolvimento com um suposto esquema de corrupção. E aí fica-me uma pergunta: o prefeito, que teve o nome grafado em papéis encontrados pela Promotoria Pública, sabia ou não dessas supostas mutretas para fraudar a área de saúde? E o seu vice, que deseja ser o próximo prefeito, tinha conhecimento? Essas interpelações serão exploradas agora neste mês de outubro durante a campanha eleitoral.

 

Alternância

Eu do meu lado, sempre sou favorável a alternância de poder. Acredito que um grupo político permanecer muito tempo ocupando o cargo máximo duma Nação, dum Estado, duma cidade é prejudicial para a democracia. Desta forma, me parece que o eleitorado com cidadania deve entender que nunca se pode proporcionar à uma sociedade uma democracia delegativa, e sim uma participativa e é através dela que as mudanças nas esferas do poder constituído eleitoralmente devem ser dadas. E é lógico que há os representantes da sociedade na esfera da Justiça que estão sempre a zelar pelo bem coletivo e os cofres públicos. Muitos não gostam deles, principalmente os políticos que adoram transformar os cofres públicos em recursos privados, mas os Promotores Públicos estão aí e realizando um bom trabalho. Político que não quer ter nenhum deles pegando no calcanhar que faça seu trabalho dentro do que a lei prevê e dê transparência aos seus atos.

 

Vereança

Lógico que o raio-X do Gaeco vai atingir a vereança. Os vereadores, que são eleitos como representantes do povo para fiscalizar os passos dentro do paço municipal do prefeito e de seus asseclas secretários, não sabiam de nada? Dos 13 aqui aí estão, nenhum tinha informação de que a bomba-relógio podia explodir ou se dedicavam apenas a cuidar dos patos e marrecos? Se foram eleitos para ser o olhar do eleitorado sobre o Executivo, por que não enxergaram o imbróglio? Novamente, meus caros leitores, ressalto que são apenas perguntas que não ofende ninguém, mas apenas objetiva articular uma visão mais racional da situação, sem tomar partido na peleja entre deus e o diabo na terra da corrupção – parafraseado o cineasta Glauber Rocha (1939-19181). Mesmo que muitos não queiram, o Raio-X da Promotoria Pública na área de saúde penapolense vai afetar todos na esfera da política eleitoral. Mas aguardemos o andar da carruagem, como se diz no jargão popular e para hoje, que a cidade comemore, para quem acredita, o seu santo padroeiro. E-mail: gilcriticapontual@gmail.com. www.criticapontual.com.br.

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