Olhar Crítico

Política. Começo esses meus últimos olhares do mês de agosto tratando de uma temática que, até onde muitos dizem, não tem nada a ver com o mundo da política. Todos querem saber mais sobre a sucessão municipal, seja para a chefia do Executivo quanto para as 13 cadeiras no Legislativo. De todos os postulantes que se apresentam na condição de pré-candidato a alguma coisa, eu já defini quem serão os meus escolhidos. Obviamente que não vou externar aqui, por vários motivos: dois deles dizem respeito ao baile eleitoral que ainda não começou. Os arranjos estão sendo feitos e os músicos sendo preparados para a balada que promete durar 48 meses. O segundo motivo é que o voto permanece secreto. Em virtude disso é que não vou grafar aqui a dupla que tem a minha preferência para ocupar uma das cadeiras do parlamento penapolense e o assento no Paço Municipal. Só vos afianço, meus caros leitores, que primarei sempre pela democracia. Tendo isso como premissa é que passo aos próximos aforismas dominicais.

 

Versos. O segundo tópico do dia vai para o mundo da poesia. É ótimo poder ver como os enunciadores são capazes de transformar verbos em versos e adjetivações estáticas em complemento aos movimentos políticos de querença – por favor, meus caros não confundam querença com queremismo [este diz respeito ao desejo de um séquito de um político nacional, através de uma querença, em 1945, objetivar a manutenção de Getúlio Vargas (1882-1954) no poder]. Posto isso, atentar-me-ei para a estrofe final do poema Fim e começo, confeccionado pela poetisa polonesa Wislawa Szymborska (1923-2012) que está presente no livro Poemas (SP: Cia das Letras, 2020, p. 92-93). Ela termina os versos dedicados ao mundo do pós-guerra dizendo que, encerrado os conflitos é preciso aos viventes ficarem enamorados das nuvens. “Na relva que cobriu/as causas e os efeitos/alguém deve se deitar/com um capim entre os dentes/e namorar as nuvens”.

 

Métricas. Os versetos parecem soltos, nem nenhuma significância para os meus aforismas dominicais. Todavia, sempre entendo que uma disputa política é também vista como uma guerra que nem sempre tem início com o sim ou o não nas urnas, mas bem antes, inclusive quando um prefeito ou chefe paroquiano que está prestes a apear do poder e tem contra si um amontoado de processos e, ainda assim, deseja influenciar as eleições que definirão o seu sucesso. Por que será que isso acontece? Incapacidade de o eleitorado dizer “não” a esse cacique? Ou dos apaniguados enfileirados em determinadas legendas não quererem se imiscuir em questões dessa envergadura? Não é de meu alvitre colocar o dedo na cumbuca alheia, quanto mais em partidos políticos que mais se assemelham a feudos, para lá de medievalistas, entretanto, cabe ressaltar que esse tipo de postura indica o nível de pobreza que vive a política brasileira e creio que a mundial também.

 

Verbos em versos. Mas deixando os versetos para um outro momento poético, vamos, eu e tu, meu caro leitor, se concentrar em problemas mais aduncos, isto é, mais capilares ou sei lá como tu desejas chamar as questões alusivas ao universo educacional brasileiro. Sim, pois o problema pandêmico, inclusive a explosão de casos em Penápolis está associada à prevenção e a uma visão um pouco enviesada do homo economus. Sim. A economia está periclitante, contudo, é justamente por conta dum agente invisível que tem provocado a morte por onde passa como se fosse um soldado do deus Tânatos, filho do Caos. Claro que a temática requer de todos uma profunda reflexão, inclusive objetivando compreender porque a cidade, até o momento em que eu escrevinhava essas linhas estava com 675 casos e 16 óbitos. Será que o momento é para caça às bruxas, como se fazia na Idade Média? Se bem que tenho observado mentalidades obtusas com uma forte tendência medievalista. Mas vá lá, cada um pensa como quer e a partir dos referenciais que possuem.

 

Partidos políticos. Claro que os dados frios, os números mortíferos serão explorados no pleito de logo mais, mas, e daí – parafraseando a interpelação feita por um certo capitão que governa a nau brasileira? Será que aparecerá um ser semelhante ao Capitão Planeta e dirá aos eleitores que o poder é deles ou vai ficar vociferando que fará isso e aquilo porque é vice-prefeito, é ungido do atual mandatário? Ou terá outro que, quando tinha o poder de decisão, ou seja, o voto de Minerva – alusão à mitologia romana – optou por ficar contra o povo e favorável ao atual mandatário que hoje lhe é ferrenho adversário? Ah meus caros leitores, não se pode deixar de enfatizar a legenda que governou a cidade por oito anos e quererá voltar ao posto (PT). Mas, e a esquerda? Onde será que está a chamada esquerda penapolense, como por exemplo, o PSOL, PC do B – que teve até candidato a deputado estadual -, o PSTU? Será que estão tudo na muda, como diz o caboclo? Esperemos as cenas dos próximos capítulos da novela eleitoral de 2020.

 

Redes sociais. Quem usa com frequências as redes sociais já percebeu que aumentou o número de pré-candidato a isso e aquilo pedindo conexão. Interessante notar que antes do período eleitoral, muitos andavam com os vidros de seus carros fechados até o talo – como se diz no jargão popular – e hoje é possível ver até cachorro sendo cumprimentado pela sua própria condição canina. É, meus caros eleitores, o homem não muda e de quebra a humanidade se afunda cada vez mais no lamaçal criado pela ausência de cultura política, ausência de cidadania. No passado eram os santinhos, hoje as mesmas flâmulas se tornaram figurinhas eletrônicas, parecidas com aquelas que vinham nos pacotinhos e tinham que ser coladas nos álbuns. Os colecionadores esperavam completar os almanaques para ganharem isso e aquilo. Foi-se o tempo daquelas flamulas autocolantes, mas ficou o hábito, como dizia o escritor Machado de Assis (1839-1908).

 

Conselhos. A cidade, se eu não estiver enganado, tem mais de 30 conselhos comunitários, uns consultivos, outros deliberativos. Tendo essa informação como escopo, pergunto-te meu caro leitor – caso tenha me acompanhado até esse aforisma final – quantos desses pré-candidatos a alguma coisa atuaram nesses conselhos, como por exemplo, o de Segurança presidido durante muito tempo, com pequeno interregno, pelo conselheiro tutelar João dos Santos, “Jaó”? Quantos desses que desejam se tornar vereadores – R$ 4 mil é uma boa renda mensal – lutaram pela educação? Trabalharam para que as crianças não fossem usadas na mendicância, conforme este jornal informou um dia desses? É! Fico por aqui, sequioso para obter respostas a essas interpelações. E-mail: gilcriticapontual@gmail.com. www.criticapontual.com.br.

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