Olhar Crítico

Poéticas

Pretendia iniciar meus aforismos quase que críticos deste domingo tratando da política local, contudo, declinei desta ideia, optando por abordá-la no corpus da presente coluna. Sendo assim, acho que seria de bom alvitre me enveredar pelo universo da pandemia, entretanto, por ser a primeira missiva deste mês de agosto, creio que os meus leitores, se eu ainda os tiver, gostariam mais de lidar com o mundo poético e, quem sabe, um quantum de filosofia. Sendo assim, me parece que seja interessante falar da abordagem que a poetisa polonesa Wislawa Szymborska [pronuncia-se Vissuáva Chembórska] (1923-2012) faz em seus versos com forte pegada filosófica, na tentativa – isso quem observa é este colunista – de tentar responder interpelações que o homem há muito se faz e deve continuar nessa toada, quiçá esse desejo atroz de beijar a Idade Média que está muito em voga hoje.

 

Violência

Por exemplo, no ensaio de apresentação do livro Poemas [SP: Cia das Letras. 2020], Regina Przybycien – que verte à Língua Portuguesa os versos da polonesa – formula o seguinte questionamento objetivando introduzir o leitor brasileiro à poética de Wislawa [Vissuáva]: “A agressividade é parte da natureza humana?”. “Fazer perguntas, colocar como hipótese outras formas de ser, de ver e de sentir, provoca um estranhamento nas nossas visões de mundo já consolidadas. Naturalmente toda poesia, por trabalhar criativamente com a linguagem faz isso”. Posto isso, e aproveitando o ensejo da interpelação colocada pela prefaciadora do livro Poemas que tem me acompanhou durante a semana que terminou ontem, faço aqui uma perguntinha só para ingressar no próximo tópico dos meus olhares dominicais: seria benéfico para a cidade escolher um candidato a prefeito, escudado por um chefe do Executivo que governou a cidade escorado nuns embargos infringentes que pululam até pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral)?

 

Interpelação

Como perguntar ainda não ofende e de acordo com a colocação feita por Regina Przybycien, as interrogações objetivam propor um debate racional e nada emocional, tendo como premissa paixonites disso e daquilo. Eu do meu lado, creio ser temerário o continuísmo na esfera governamental, seja da forma como for. Isso é letal para qualquer democracia e a nossa ainda é muito jovem, acho até que ainda está resenhando os primeiros passos e ouvindo as primeiras conversas dos pais, por isso, conforme voga aqui e alhures, o ser humano bem formado em sua base, dificilmente se tornará um adulto provido de muitos vícios e manias, a não ser que o meio do qual ele emerge for possuidor dessas desqualificações ou até mesmo qualidades. Desta forma, já que a nossa democracia é criança, me parece haver a necessidade de trocar os grupos que se apoderam do poder por muito tempo, quiçá a legislação eleitoral assim o permitir, mas entendo que o poder, conforme apontava Charles Chaplin (1889-1977) – o genial Carlitos -, é do povo e a ele deve voltar sempre. Portanto, acalento assistir um povo consciente politicamente e não conduzido por verborragias palanqueiras e promessas farisaicas de políticos demagogos.

 

Mão única

O pensador frankfurtiano Walter Benjamin (1892-1940) tem um livro, cujo título me parece instigante para esse momento em que o atual chefe do Executivo local objetiva continuar influenciando a política e a prefeitura a partir de 2021, caso consiga colocar o seu pupilo no cargo em que está no presente – por força de uma liminar. O ensaio benjaminiano, intitulado Rua de mão única, pode sugerir ao seu leitor a ideia que não se deve olhar para o universo da política e da democracia com essa perspectiva unitária e, creio que sumária, sobretudo porque corre-se o risco de sufocar a democracia, transformando-a numa autocracia – já há uma discussão sobre isso feita por Florestan Fernandes (1920-1995) em suas obras significativas para se pensar o Brasil de hoje como consequência do outrora escravismo: A revolução burguesa no Brasil e a A integração do negro na sociedade de classes.

Controles

Contudo, para evitar essa autocracia provocada pelo exercício equivocado dos direitos políticos, em virtude da ausência de educação política dum povo, entendo ser necessário o debate. Essa observação me faz recordar que o atual mandatário nacional fugiu aos debates, justamente porque não tinha proposta para o país, como está evidente nesses quase dois anos de gestão federal, entretanto, somente reconhecendo seus equívocos é que um povo se torna capaz de caminhar livremente em direção à Justiça Social. Em virtude disso sempre defenderei a máxima da Revolução Francesa (1789): Igualdade, Liberdade, Fraternidade. Sendo assim, jamais vou me sentir à vontade numa sociedade em que grupelhos almejam se perpetuar no poder ou que tenham políticos de estimação: parece-me que dois mandatos, independentemente de como transcorreram, são suficientes, portanto, mais do que isso é autopromoção dentro do que a lei faculta, todavia, sou apenas um colunista que emite semanalmente um pequeno fragmento poético do que encontra no cotidiano, a exemplo do que fazia o cronista Joaquim Maria Machado de Assis (1839-1908).

 

Quadros

Ainda dentro da temática da política local, te confesso, meu caro leitor, que ainda não entendi a do diretório local do PSDB. O atual mandatário penapolense foi expulso da legenda por “traição”, tendo em vista que durante uma festividade educacional se empolgou e declarou seu voto ao adversário do governador paulista da atualidade – uma das lideranças do tucanato nacional.  Até aí todos já sabem, portanto, nenhuma novidade no front. Entretanto, a questão que me intriga é como os peessedebistas penapolenses deixam que ele, que não está em nenhum partido, empurre goela abaixo o nome do seu atual vice para ser cabeça de chapa, deixando para a vaga de vice o próprio PSDB ou fazendo leilão com o DEM. Desta forma, fico com a seguinte interpelação: qual é o quadro partidário dos tucanos de Penápolis que será o Sancho Pansa desta chapa? Bom. Se for um quadro jovem, a notícia será alvissareira, todavia, já deixando ser conduzido pela velha política, pode começar de forma equivocada. Bom. Como em política tudo pode acontecer, há que se aguardar, mas não me surpreenderia se a coisa continuasse da mesma forma e depois o eleitorado – que detêm o poder de fato e de direito – ficará pelos cantos vociferando contra isso e aquilo.

 

Santos e pecadores

Deixei para o final para tecer alguns comentários sobre a pandemia, no entanto, creio que, em virtude da temática política e um tanto quanto poética e filosófica só ficarei nos números apresentados até o momento em que está coluna era elaborada: 208 casos, contra 203 registrados 24 antes. É! Ainda assim, o econômico deve prevalecer, eis o discurso vendido na praça pública e na Ágora, mas cada um sabe onde o sapato aperta e cada defunto que carregue o seu féretro. Na próxima coluna deter-me-ei um pouco no PT local e nos outros postulantes ao cargo de prefeito e nos pré-candidatos a vereadores que já enchem as redes sociais com seus santinhos eletrônicos. Que todos leiam o conto “Entre Santos”, de Machado de Assis. E-mail: gilcriticapontual@gmail.com. www.criticapontual.com.br

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