Olhar Crítico

Exemplificando

Neste exato momento em que pululam aqui e ali imagens degradantes exibindo a violência perpetrada por alguns integrantes da Polícia Militar paulista, conforme amplamente divulgado pela mídia, entendo que é significativa a informação veiculada por este jornal em sua edição da última terça-feira, 14 de julho – na França comemora-se a Revolução Francesa de 1789 e seu lema: Liberdade, Igualdade, Fraternidade – dando conta de que há na corporação em Penápolis uma PM que tornou-se policial após passar pelo curso do PROERD – projeto da Polícia Militar visando o combate às drogas – ministrado há 15 anos em Glicério, cidade da comarca de Penápolis.

 

Caminhos

Para quem vivencia cotidianamente o mundo da educação e tem consciência de que o caminho para um país diferente do que existe no momento, passa pela sala de aula e, mais do que isso, pelo exemplo. No caso da jovem policial que optou pela carreira tendo como “heroína” a soldado, hoje cabo, que lhe ministrou o projeto, a inspiração continuará sendo sempre a que encontrou quando tinha nove anos e também pelo estímulo da família. Não adentrarei no âmbito da “família desestruturada, família disfuncional”, até por que há uma série de questões relacionadas às duas categorias que pretendo tratar em outro lugar, entretanto cabe dizer que existem muitos núcleos disfuncionais que desvirtuam o sentido da cidadania, fazendo com que a criança de hoje se torne amanhã um adulto arrogante, intolerante, racista, homofóbico e com ojeriza de pobre, desenvolvendo aporofobia, isto é, horror a pobre.

 

Aporofobia

Se o meu leitor quiser compreender um pouco mais sobre essa categoria psicótica com ampla prática em nossa sociedade, basta analisar os motivos que fazem com que as pessoas defendem determinadas posturas se comprazem com ideias como as contidas na categoria designada como teologia da prosperidade – abordarei essa temática em outro momento. Para o momento é importante ressaltar que não é errado desejar a prosperidade material – aliás todos querem caminhar, ascender socialmente até mesmo como forma de entender, conforme Max Weber (1864-1920) apresenta em seu clássico sociológico A ética protestante e o espírito do capitalismo, ou seja, que a posse de determinados cabedais, principalmente, o financeiro é sinal de que o homem não se encontra no ócio, todavia, é preciso compreender determinadas questões que vira e mexe eu abordo em meus artigos publicados aqui semanalmente às quintas-feiras.

 

Seguindo passos

Mas voltando meus olhares para a soldado PM Gabriela Ocanha e a cabo PM Regiane, entendo que o exemplo das duas deve ser replicado em outras áreas do campo profissional. O interessante a notar aqui é que Gabriela seguirá os passos da heroína e ex-professora do Proerd, sendo instrutora também no mesmo projeto que participou como aluna. Desta forma, é sempre importante destacar o trabalho que os bons policiais vêm fazendo em prol da coletividade e da segurança de todos, em detrimento daqueles que usam a farda para exorbitarem as suas funções, escondendo suas reais intenções agressivas. Mas aí é assunto para outro momento. Para esta coluna dominical atentar-me-ei ao exemplo que as duas policiais apresentam para a sociedade.

 

Satanização

Por que é importante ressaltar essas questões e seus exemplos? Porque, como ocorre com os professores, existem uma satanização por parte da sociedade com relação à esses profissionais que tem como escopo ajudar os alunos a transformarem informação em conhecimento, entretanto, na maioria das vezes, essa atuação é mais como um sacerdócio em virtude do escárnio que todos sofrem, agressões de toda espécie: verbal advinda de alunos que não receberam seus pais os devidos valores éticos e morais; econômica: provinda dos péssimos salários que a categoria recebe, principalmente os docentes lotados nas escolas públicas. Assim como os professores, os policiais também são mal remunerados, com discursos aqui e ali, todavia, o salário continua irrisório pela importância que eles têm na sociedade brasileira.

 

Valores

Sendo assim, entendo que a cruzada por uma sociedade melhor e mais justa passa por todos os segmentos, começando pela educação que as crianças devem receber de seus pais ou responsáveis. Entendo que um dos principais valores que norteiam a existência em sociedade é o respeito pelo outro independentemente das escolhas que o semelhante faça, desde que não afetem fisicamente a vida de quem quer que seja. Nunca se deve dizer algo com base no “ouvir dizer” ou “achar que é assim e pronto”. É preciso entender que cada pessoa quiçá a sua individualidade, como diz aquele poema seiscentista para quem os sinos dobram, não é uma ilha, portanto, que cada um tenha o direito de congregar com quem quer que seja, conforme a legislação brasileira especifica em sua Constituição Federal que iguala todos os cidadãos num Estado laico.

 

Egocracia

Deixando um pouco esse campo pedagógico e educacional para outro momento, mas ao mesmo tempo me mantendo nele, pois a pandemia e as suas consequências têm a ver com o universo da educação, sobretudo, a preventiva e alusão à segurança sanitária, já que vira e mexe a imprensa notícia brigas, tiros e até mortes por conta de ações intempestivas de sujeitos sociais que se recusam a seguir as normas implementadas pelo Estado como medida preventiva como o uso de máscaras Aqui também não vou adentrar no mérito da questão, tendo em vista que a mesma diz respeito a cada sujeito social e esse problema evidencia muitas coisas e milhares de pessoas estão externando uma maneira muito peculiar de governança: a egocracia. Talvez isso esteja ocorrendo por conta daquilo que o filósofo alemão, Friedrich Wilhelm Nietzsche (1844-1900) chamou de Super-homem ou ainda confiando em bravatas governamentais.

 

Pandemia

Pois bem. Até o momento em que eu tecia esses aforismas, a cidade havia registrado 108 casos, com 5 óbitos provocados pela pandemia do Covi-19. Novamente reitero aqui: a situação é periclitante e todos devem, na medida do possível, fazer uso da prevenção, evitando aglomeração, festas cujas comemorações podem esperar – aliás qualquer tipo de celebração pode esperar, pois haverá vida após a pandemia. Bom. Por hoje é isso, espero que todos os meus leitores tenham um excelente domingo e sigam as determinações das autoridades de saúde: elas sabem o que dizem, pois estão na linha de frente no combate à pandemia e foram preparadas para isso. Leiam também o livro A grande gripe: a história da gripe espanhola, a pandemia mais mortal de todos os tempos. A obra é de autoria de John M. Barry. E-mail: gilcriticapontual@gmail.com. www.criticapontual.com.br.

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