Olhar Crítico

Literatura. Começo meus olhares críticos deste primeiro domingo de julho reproduzindo uma singela observação do poeta espanhol Javier Cercas, segundo a qual “a literatura serve para criar gente livre”. Se isso é fato, e tendo a acreditar que sim, entendo então porque no Brasil a consciência continua aprisionada em dogmas que há muito deveriam ser revistos, todavia, para que esse processo seja feito é preciso haver uma quantidade muito grande de leitores. Mas por que é tão difícil incutir nos sujeitos sociais o hábito da leitura? A resposta pode ser dialética, já que se a criança vir os pais lendo, com certeza se tornará leitora. Mas e se os pais não forem? Quais são as chances dela se tornar uma consumidora de livros? Quando os pais estimularem e participarem ativamente do processo de letramento e de leitura, querendo saber mais da viagem pelo mundo das letras e da escrita, mesmo que seja lendo um gibi, a coisa fluirá.

 

Vermelho. Embora a cidade, até o momento em que essas linhas eram confeccionadas, tenha registrado “apenas” 52 casos do covid-19, o munícipio está tingindo de vermelho nos dados que estão de posse do governo paulista. Mas por que isso aconteceu? Claro que se faz necessário analisar racionalmente a problemática, conforme o pensador medievalista Tomás de Aquino (1225-1274) – elevado à categoria de São Tomás de Aquino – propunha no campo da razão e da fé. Ou seja, sem haver aquela coisa de que aquele que é favorável ao isolamento social não sabe como anda a situação para os lados do empresariado com esse confinamento. A problemática é mais complexa do que parece ser e se o meu interlocutor der uma olhada nos dados, entenderá porque a cidade havia registrado 23 casos com quatro mortes e saltou para 52. E, mas há também um resultado interessante: na última semana os números haviam estacionados.

 

Comarca. É triste a informação, segundo a qual, Braúna, cidade da comarca registrou durante a semana que terminou ontem a segunda morte provocada pelo vírus pandêmico. Em Glicério, havia informação de que o número de contaminados também havia crescido. Também o óbito do prefeito de Santo Antonio do Aracanguá, de um dos diretores da Santa Casa de Araçatuba. Luiziânia, a exemplo de outros municípios da microrregião de Penápolis, registra um crescente nos casos. Portanto, meu caro leitor dominical, a situação requer de todos nós, prudência, mesmo sabendo que a economia vem sendo afetada pelo problema que se tornou global.

 

Educação. E como fica a questão pandêmica no campo educacional? O governador e sua equipe sinalizaram que a situação poderá ter outro encaminhamento a partir de setembro. Todavia, conforme mostrou diversas pesquisas feitas pelos órgãos de imprensa e o próprio governo tem informações semelhantes, muitos pais não estão seguros quando ao retorno dos filhos às unidades educacionais. Se por um lado, os responsáveis não creem que o momento seja propício para isso, as universidades paulistas, como a USP (Universidade de São Paulo) já definiu em seu calendário letivo ensino nos moldes EaD até o final do ano. Não pode ser deixado de lado, a pressão que o sindicato das escolas particulares está fazendo para que haja o retorno em agosto. A questão é emblemática, e é preciso muita cautela nesse momento, pois no caso da abertura do comércio em Penápolis e os casos saltaram de 23 para 52. Parece-me que esses números já sinalizam prudência em todos os sentidos.

 

Tempo? Entretanto, o meu leitor deve estar se perguntando: e enquanto isso, o que se pode fazer? A pergunta é pertinente, pois a Terra não deixou de dar o seu giro em torno do sol usando 365 dias e seis horas e dar uma volta em torno de si mesmo durante 24 horas. Correto! Então a vida parou? Ou tudo continua como dantes? Nada mais será como era até fevereiro, março. Seja para quem perdeu entes queridos nessa pandemia ou para aqueles que foram convidados a ficarem reclusos dentro de suas casas e também para os profissionais que, por conta do setor em que atua, não puderam se recolher em seus domicílios e ainda trabalham com receio. Se isso é fato, então requer de todos nós uma reflexão sobre as nossas práticas de antes e observar o que se faz necessário alterar para que o equilíbrio de outrora possa ressurgir: desenvolvimento de uma ética racional de solidariedade.

 

Filhos. Para aqueles que podem, em função do trabalho remoto, passar mais tempo em casa com seus filhos, mesmo sabendo que a jornada é tripla, aproveitem esse momento, pois vale a pena estar com os rebentos próximo analisando-os, fornecendo-lhes ferramentas de cunho ético e moral, a opção será sempre uma boa leitura partilhada. Se a criança estiver ingressando no processo de letramento, participar ativamente deste processo. Se for um pré-adolescente que os pais estejam presentes, por exemplo, nas leituras que estes estiverem fazendo, trocando informações sobre quais momentos das enunciações empolgam mais e justificar porque tal obra é significativa.

 

Leituras. E aqueles que assim desejarem há uma miríade de obras literárias que pode levar o leitor a desvendar diversas portas, seja do conhecimento interno, mesmo que o enunciado tenha esse objetivo, como por exemplo, o livro Crocodilo; O fazedor de velhos 5.0; mas há outras com determinados propósitos, como por exemplo, Na minha pele, escrito pelo ator global, o baiano Lazaro Ramos ou o livrinho da filósofa paulista Djamila Ribeiro: Pequeno manual antirracista. É dela também o volume Quem tem medo do feminismo negro? Enfim, quem optar pode ler por exemplo Vidas Secas ou Angústia, ambos de Graciliano Ramos (1892-1953). Eu tenho vários na lista, entre obras, cujos conteúdos são mais específicos das ciências sociais e outros mais voltados para o universo literário, sem, no entanto, deixar de lado suas especificidades, tais como Ensaio sobre a cegueira, de José Saramago (1922-2010).

 

Política. De acordo com o amplamente divulgado pela mídia nacional, o Congresso Nacional aprovou PEC (Proposta de Emenda à Constituição) protelando as eleições municipais deste ano, costumeiramente marcadas para outubro, para novembro. Será que até lá a situação pandêmica terá arrefecido? Esperemos que sim. Fico por aqui, corrigindo uma informação veiculada neste espaço na semana passada no que diz respeito ao pré-candidato a prefeito de Penápolis pelo PT (Partido dos Trabalhadores). O nome correto do postulante é Kadú Domingues e seu provável vice, é o ex-vereador, ex-vice-prefeito Zeca Monteiro que já havia se colocado à disposição da legenda desde o ano passado. É isso ai! E-mail: gilcriticapontual@gmail.com. www.criticapontual.com.br.

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