Olhar Crítico

Prevenção

Começo meus aforismos neste penúltimo domingo de junho com a seguinte interpelação: por que é tão difícil para o brasileiro entender o que é prevenção e, sobretudo, praticá-la? O questionamento tem sentido na medida em que se está em plena pandemia do Covid-19 e é possível encontrar sujeitos que ainda não acreditam na problemática, andando por todos os locais da cidade como se nada existisse, nem mesmo os ácaros. Parece-me que esses sujeitos somente acreditarão na doença e na contaminação quando um parente ou alguém com fortes lações emotivos estiver em vias de óbito. Mas aí já poderá ser tarde! Por outro lado, temos também noção de que uma prevenção coerente evitará no futuro o excesso de medicalização.

 

Saúde

No livro O mito do progresso ou o progresso como ideologia (2006), o cientista social Gilberto Dupas (1943-2009) traz ao seu leitor uma significativa discussão sobre doença e saúde. O tema está no capítulo 4: Ciência médica, saúde e progresso no subitem “Medicalização da saúde e o abandono do doente em favor da doença”. Em linhas gerais, o autor trabalha questões de prevenção enquanto ferramentas para se evitar a medicalização por si só. É interessante notar que ele diz que, por ser caríssima nos EUA, a medicalização e tratamentos de saúde são evitados muitas vezes através do campo preventivo. E ela começa na educação. Portanto, quando se observa no Brasil e aqui em Penápolis tanta gente desdenhando do problema pandêmico, é possível entender que a situação vai demorar para voltar à sua normalidade.

 

Justiça


 

Dentro desse contexto se compreende a determinação do Tribunal de Justiça para que estabelecimentos voltados para segmentos específicos sejam fechados. Outra questão significativa é: como e por que está ocorrendo aglomeração de pessoas no período noturno em regiões residenciais da cidade? Será que somente Penápolis foi poupada da pandemia? Claro que não! Até o momento em que essa coluna era formatada, a cidade havia registrado 24 casos. Para uns, esse número é insignificante diante do tamanho da população, entretanto, para se manter níveis baixos de vitimados pelo Covid-19 todas as medidas precisam ser adotadas. Por exemplo, o comércio – lembremos que o forte de Penápolis é o setor terciário – funciona em horário reduzido, mesmo com algumas pessoas acreditando que vai haver aglomeração de consumidores.

 

Comportamento

Tenho escutado aqui e ali vários argumentos e admoestações sobre um monte de situações, segundo as quais, a economia está indo à lona por conta das restrições de locomoção dos sujeitos sociais. Concordo em partes, todavia, me parece que o trabalho preventivo que deveria ter sido realizado lá atrás, coisas de 90 dias, foi deixado para depois, crendo-se que a coisa iria se acomodar, contudo, o que se vislumbra hoje é um país que amontoa seus cadáveres, vitimados pelo Covid-19, enquanto autoridades, num pretérito não muito distante, tentavam politizar a problemática, gastando tempo e energia com fantasmagóricos argumentos de que tudo não passava de preocupação com 2022! Todavia, o que se tem hoje é uma catástrofe humanitária num país que tem nas taxas de desigualdade social uma das maiores do mundo.

 

Propagação

Se em Penápolis, os casos estão sobre controle, cabe a cada um de nós se perguntar por que o quadro é esse? E em virtude disso, deve-se negligenciar os cuidados anteriores e abrir as portas, num tal de liberou geral? Será que o momento não é para sermos mais prudentes, tendo em vista que, de acordo com as autoridades sanitárias, o Brasil ingressará num momento complicado da pandemia? De acordo com dados do Boletim Epidemiológico da última quinta-feira, 24 casos tinham sido registrados – lembrando que havia uma notificação numa agência bancária enquanto outro aguardava confirmação.  “Dos casos positivos de Penápolis, um paciente está internado, cinco permanecem em quarentena e quatorze pacientes estão recuperados. Foram registrados quatro óbitos por Covid-19 (dois homens de 53 e 74 anos, menina de 9 anos, e uma mulher de 78 anos)”. Reitero que essas informações são relativas à última quinta-feira. O que significa que Penápolis está no caminho certo da prevenção, portanto, a rigidez deve ser mantida para que não seja necessário remediar, chorar depois.

 

Comarca

Enquanto Penápolis tentava evitar que a coisa beirasse ao descalabro, já que não registrava um caso novo há coisa de 10 dias, a comarca começa a aparecer casos. Em Braúna, havia um caso, e saltou para cinco. Interessante notar como é que se seu deu essa propagação, pois pular de um para cinco, pode passar a ideia de que esse paciente espalhou a doença para mais quatro e se cada um desse quarteto fizer o mesmo, isto é, contaminar outros quatro a coisa tomará uma dimensão catastrófica naquela pequena cidade que pertence à comarca penapolense.

 

Política

A ainda incerta eleição municipal poderá ser trágica para Penápolis, se permanecer apenas os dois pré-candidatos anunciados até o momento. Mesmo com o ex-prefeito João Luís dos Santos (PT) afirmando que o seu partido já tem um pretendente, creio que este correrá por fora e com poucas chances em virtude da imagem arranhada que a legenda ainda carrega. Mas, tudo pode acontecer, pois em política a situação que hoje parece tenebrosa, amanhã pode ser diferente e, no caso da agremiação à qual faz parte João Luís, o quadro da política nacional pode ser favorável, porém, aguardemos as cenas dos próximos capítulos e aí será possível externar mais alguns olhares.

 

Solidariedade

Parece-me que a pandemia está colocando a sociedade brasileira do avesso, ou seja, do lado em que os recortes dos panos são atados para formarem a roupa, no caso, a sociedade atual profundamente marcada pelo escravismo e com enorme passivo de agressões e vilipêndios contra aqueles desafortunados, trasladados para cá enquanto mercadoria que deveria ser explorada à exaustão. Quem se ocupa em pensar essa Nação, não se surpreende com os casos de racismo que pululam diariamente, bem como o aumento dos casos de violência policial. Acrescente-se que os registros estão aparecendo, coisa que até um tempo atrás, não aconteciam. Quem são as vítimas da sanha policialesca? Pessoas da periferia, uns culpados – e aí a Justiça tem que ser aplicada por meio das leis – e outros inocentes. E-mail: gilcriticapontual@gmail.com. www.criticapontual.com.br.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *