Olhar Crítico

Consciência…

Na última quarta-feira, em algumas paragens brasileiras, o dia foi dedicado às memórias daqueles que, com sangue, suor e sob o julgo de chibatadas, chutes e pontapés e outros tipos de agressões desferidas por escravagistas sanguinários e seus violentos capatazes, auxiliaram na construção esse país. Um exemplo desse fato é o Rio de Janeiro, capital da Corte no século XIX, ser habitado mais por africanos e seus descendentes do que por brancos, europeus e escravizadores. Tendo essa herança nefasta, é que muitos se colocaram a pensar sobre a questão, entretanto, ações e reflexões não podem se restringir à apenas ao dia 20 de novembro e a semana em que a data ocorre. É preciso mais, faz-se necessário ousar, principalmente porque dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) dão conta de que mais de 57% da população se autodesignam como descendentes de africanos.

 

… Negra

Não sou adepto dessa nomenclatura “negra” justamente porque ela não designa etnia e nem cor da pele, mas sim condição. E em virtude disso, creio que ao ser utilizada, faz referência à situação em que viviam os africanos transformados em mercadorias e destituídos de sua humanidade desde o árduo traslado nas naus lisboetas, conforme o poeta dos escravos, Castro Alves (1847-1871) enuncia em seu clássico poema Navio Negreiro e na obra Os escravos. Mas esse tema de ordem semântica deve ser tratado num momento apropriado. Para o momento é interessante observar que, enquanto houver desigualdades sociais, sobretudo chanceladas pela senzala e a extinção do cativeiro brasileiro não por pressão dos escravizados, mas como uma concessão da regente Princesa Isabel, será preciso continuar o debate, principalmente no interior das unidades escolares. E aqueles gazeteiros de plantão que abraçaram conversas fiadas de indivíduos que querem se tornar pensadores, falar das mazelas e espoliações a que foram expostos os escravos, seus descendentes até estas primeiras décadas do século XXI, não é doutrinar, mas apenas apresentar os fatos como eles são e não com o verniz que muitos sujeitos políticos querem apresentar à sociedade a partir de discursos belicosos e verborrágicos.

 

Debates

Foi pensando nessas e noutras questões que os alunos dos 1.ºs e 2.º colegiais da Escola Estadual Yone Dias de Aguiar, debateram o assunto sob a perspectiva do sistema de quotas adotados no Brasil pelo governo federal como ferramenta para tentar diminuir os índices de desigualdades sociais e concentração de renda no país, profundamente marcados pelo nível de escolaridade populacional e o ingresso nas principais universidades públicas brasileiras, inclusive em determinados setores do funcionalismo público. Não posicionarei aqui se sou contra ou favorável a tais medidas, já que o tema requer uma significativa reflexão e um conhecimento mais detalhado da História do país, bem como dos mais de 300 anos de escravidão, mas posso afiançar que há aqueles que são contra, por questões constitucionais e outros favoráveis pois creem ser uma forma de começar a reparar os mais de três séculos de espoliação e enriquecimento de uma parte da população “arrancando o couro” de seres humanos que não pediram para ser escravizados nem no entanto estarem aqui.

 

Talentos

Ainda no campo educacional, para marcar o encerramento do período pedagógico e celebrar com seus alunos um ano profícuo, a direção do Colégio Futuro, através do projeto criado pela coordenadora do Ensino Médio, a pedagoga Verônica Marin, promoveu um show de talentos entre os estudantes do ensino médio. O evento aconteceu no campus da instituição na manhã da última sexta-feira e, quem lá esteve, pode assistir a diversas apresentações teatrais protagonizadas pelos próprios discentes secundaristas, shows musicais e danças, concurso de desenhos e outras atividades culturais. As atividades contaram com a presença também do corpo docente que, durante o ano todo, se ocupara em preparar os terceiranistas, bem como aqueles que frequentam as duas séries iniciais do ensino médio. Também foram registradas a presença dos pais dos alunos-participantes.

 

Política

Deixando o universo educacional e pedagógico para outro momento e me enveredando pelo mundo da política, principalmente a realizada em Penápolis objetivando a sucessão do atual mandatário que conseguiu permaneceu no poder graças aos embargos infringentes que pululam no TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Quem será o fiel da balança nas eleições municipais do próximo ano? Será que o PT (Partido dos Trabalhadores), do ex-prefeito João Luís dos Santos, figurará nessa condição? Informações extraoficiais que chegaram até este colunista, dão conta de que, a exemplo do que aconteceu em meados da década de 90, do século passado, quando a legenda ficou partida ao meio porque João Luís aceitou ser vice numa chapa galvanizada pelo ex-prefeito Alidino Valter Bonini (PMDB). A outra metade fechou questão em torno do ex-vereador Roberto Martins Torsiano – desde então o PT seguiu rachado até mesmo durante os oito anos em que ocupou a prefeitura local. De acordo com essa fonte: uma banda petista quer abraçar a candidatura do ex-presidente da Câmara, Caíque Rossi (PSD) e o outro lado quer arrastar as asas para o atual vice-prefeito Carlos Alberto Feltrin que tenta casar-se com o PSDB sob as bênçãos do atual mandatário, expulso do seio tucano.

 

Divergências

É interessante notar que, importantes figurões do PSDB penapolense não quer nem saber do petismo beirando as asas tucanas, portanto, este setor petista que flerta com Feltrin sob as bênçãos do ex-prefeito João Luís dos Santos, pode dar com os “burros n’água”, como se diz no jargão popular. Aqui tem mais polêmica a vista, pois como pode o atual chefe do Executivo querer cacifar seu pupilo na casa tucana, se foi alijado da legenda? Nem todos dentro do PSDB aceitam uma ingerência dessa magnitude. Sendo assim, será difícil abraçar Feltrin tendo ainda que levar os filhos petistas que o bajularão até as eleições de outubro do ano que vem. É osso duro de roer, meus caros leitores, mas só pode experimentá-lo quem tem dentes afiados para abocanhar e se aventurar nesse fêmur político-partidário penapolense. Outro segmento já anda desfilando pela cidade de mãos dadas com o ex-presidente da Câmara, indicando que o casamento é certo. Se isso de fato acontecer, novo rompimento no já esfacelado petismo penapolense. Do lado dos sociais-democratas, quem conseguirá unificar a legenda? Será que uma candidatura à chefia do Executivo municipal carreada pela ex-prefeito Firmino Ribeiro Sampaio – que se dedica ao ramo educacional – colocaria ordem na casa tucana de Penápolis? Pergunta que somente os próximos capítulos e o trebelhar sucessório poderão indicar. E-mail: gildassociais@bol.com.br; gilcriticapontual@gmail.com. www.criticapontual.com.br.

 

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