Olhar Crítico

Educação

Começo meus olhares dominicais parabenizando a direção e toda a equipe pedagógica do Colégio Futuro pela realização da 7.ª Feira de Ciência que aconteceu no campus da instituição entre os dias 15 e 16 de agosto. Quem passou por lá num desses dois dias, pode observar como os alunos já estão desenvolvendo, a partir de significativas práticas pedagógicas, um “espírito” científico – o uso do termo “espírito” aqui é o que pode ser encontrado em Platão, ou seja, aquilo que anima e dá sentido ao existir na esfera corpórea. Desta forma, é possível afirmar que aqueles que creem num futuro melhor para si e para os seus filhos, veem a educação como investimento e não como despesa.

 

Instigante

Não vou indicar este ou aquele trabalho, mas o que afianço ao meu leitor dominical é que a unidade escolar vem desenvolvendo excelente trabalho técnico-científico, inclusive o evento contou com a presença de várias escolas municipais e estaduais de Penápolis e cidades que compõem a comarca, evidenciando a importância de proporcionar, desde cedo o desenvolvimento do espírito investigativo e científico nos estudantes. O primeiro é ajudá-los a nunca terem medo de perguntar sobre o universo científico e suas respectivas áreas de conhecimento. Achei interessante um experimento em que um grupo de alunos trabalhou numa espécie de areia que, mesmo mergulhada em água, não se molhava. Teve um outro colegiado que, usando um coração de boi, apresentava para os visitantes o funcionamento do coração humano.

 

Mudanças

E já que a minha temática nesse início é a educação, não posso deixar de enfocar aqui as mudanças pedagógicas que deverão ocorrer na tradicional escola estadual Dr. Carlos Sampaio Filho, instalada na praça de mesmo nome. Durante a semana que se passou a notícia que se tinha é que, por determinação governamental, portanto palaciana, a instituição passará a funcionar a partir de 2020 em período integral, ou seja, não terá mais dois turnos como foi até agora. Primeiro, eliminou-se as aulas noturnas e agora altera-se completamente a estrutura pedagógica da escola para adotar o projeto de escola-integral. Não se pode dizer que as alterações pegaram o pessoal, principalmente os professores, de surpresa, pois a discussão já tem um certo tempo, contudo, os docentes e equipe gestoras da época, quando consultadas, rechaçaram veementemente tal adoção.

 

Alternativa

Recordo na época que escrevi aqui mesmo minha opinião sobre esse processo. Naquelas pequenas e mal traçadas linhas afirmei que o projeto deveria ser adotado não nas escolas que já tinham seus programas e equipes pedagógicas definidas, mas sim para um colégio novo, como o que estava para ser inaugurado. Na ocasião, até cobrei os vereadores que fossem sensíveis aos clamores dos professores, equipes técnicas e discentes e acionassem os deputados estaduais, dos quais são cabos eleitorais a cada quatro anos, para apresentar uma alternativa ao governo paulista.  Mas nada foi feito naqueles momentos, acho que não deram a menor importância, talvez porque não era época de eleição, então, era melhor “fazer ouvido de mercador”. A nova escola foi inaugurada e fez-se muita picuinha por conta do nome da nova instituição, cuja nomenclatura foi ideal pelo trabalho que o patrono realizou em prol da educação penapolense, contudo, nenhum político levantou a bandeira dos educadores.

 

Chororô

Confesso-te meu caro leitor dominical que ainda não entendi direito o chororô do atual prefeito por conta da dinâmica desenvolvida pela instituição de ensino superior, que oferece o curso de Medicina, objetivando a construção de um centro oncológico na cidade. Ao invés de saldar a alvissareira busca pelo empreendimento, ele fica destilando o seu desagrado porque não posou na foto da equipe que está granjeando apoio político e financeiro para a inauguração da unidade de saúde. Como perguntar não ofende: por que será que o chefe do Executivo foi alijado de tais périplos junto ao governo paulista? Será que há algum receio por conta do mesmo ter sido expulso do PSDB, o mesmo partido do governador paulista? Será que a motivação diz respeito à vitória aqui em Penápolis do adversário do atual governador no último pleito? Ou será temor da contaminação do não do AME [este deve ir para Araçatuba] e da novela da rotatória? Vai saber! A única coisa que se sabe é que o prefeito está extremamente magoado com todos que se envolveram no projeto oncológico.

 

Frustração

Compreendo a frustração do prefeito que passou os dois mandatos tentando deixar a sua marca na prefeitura, eleger o seu sucessor e depois voltar a disputar a prefeitura novamente ou, quem sabe, até uma vaguinha na Assembleia Legislativa. Mas o que vejo é o término melancólico de oito anos de governo e isso fica evidente no chororô dele nos últimos dias e olha que há processos aqui e ali que deverá persegui-los pelos próximos anos. Portanto, os atropelos de outrora, as traições dum passado não muito distante, devem estar dando frutos agora, mas não para a cidade e sim para ele, já que está descontente com o caminhar do projeto que a instituição de ensino superior está encaminhando. Essa ação deixa claro que são pequenas, para não dizer in existentes, as chances de o pupilo do chefe do Executivo ser granjeado com o apoio da reconstrução dessa fundação advinda da ação deste que é prefeito.

 

Dobradinha

Desta forma, creio que é possível se vislumbrar mesmo uma dobradinha entre o ex-presidente da Câmara Municipal e ex-pupilo do atual mandatário, Caíque Rossi e o ex-presidente da fundação, professor Cledivaldo Donzelli. A grande questão é: será que é uma parceria entre PSD e PT? Ou realmente Donzelli deixou a legenda pela qual militou durante décadas, defendendo inclusive o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que foi condenado a quase 10 anos de prisão. Mas isso foi no passado, o que conta é o presente e o que ambos pensam para o amanhã e, neste sentido, Caíque Rossi já saiu na frente, segundo o que se comenta nos quatro cantos da cidade. Enquanto o seu ex-padrinho político se via mais enrolado nas malhas da Justiça, ele, silenciosamente ia costurando a sua apoteose e o atual mandatário já guardando suas coisas para deixar o principal assento do poder local. Se no Executivo a peleja está assim, o que dirá então para o universo do Legislativo? Lá a coisa promete, pois teve perseguição aos gatos da Corpe (Cooperativa de Recicladores de Penápolis), dos patos da Lagoa do Santa Leonor, estacionamento defronte a hidrantes, entre outras escaramuças, como briga pela presidência do primeiro biênio na Câmara, rompimento entre o prefeito e os vereadores que o apoiavam. À minha pessoa, só resta assistir as cenas do próximo capítulo da política local. E-mail: gildassociais@bol.com.br; gicriticapontual@gmail.com. www.criticapontual.com.br.

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