Olhar Crítico

Novela

O Brasil das décadas de 60/70 e 80 é conhecido como o país das novelas, todas elas com a chancela global. Muitos são aqueles que me leem hoje que cresceram criando um mundo a partir da tela de um televisor, em preto e branco – o aparelho em cores era caro, portanto, artigo de luxo. Todavia, independentemente de qual era o modelo do equipamento, o certo é que essas telenovelas ditaram modas, regras e hábitos familiares. Foi um tempo bom? Foi horrível? As duas perguntas, com certeza terão diversos discursos, contudo, não se pode negar o papel dos folhetins eletrônicos naqueles anos de chumbo. Eram raras as pessoas que saiam de seus domicílios durante a exibição dos capítulos aguardada durante o dia todo, bem como o fim da projeção: será que o vilão ou vilã vai ser sentenciado, vai pagar pelos erros? As respostas serão encontradas nas cenas dos próximos capítulos.

 

Política

Deixando o mundo da teledramaturgia para o universo ficcional, atentar-me-ei para o mundo real, principalmente no Brasil – país que está atolado no lamaçal da corrupção e são raros os políticos que não carregam em seu currículo de “homens públicos” – como eles mesmos gostam de arvorar quando são surpreendidos com suas digitais nos cofres públicos se apropriando daquilo que não lhes pertencem, objetivando a dança maléfica no baile dos corruptos recheado de plutocratas e burocratas aristocratizados. No entanto, meu caro leitor dominical, o único culpado é o eleitor que troca a sua consciência política – quando a tem – por uma promessa de mais isso e aquilo, quando no fundo, a mercadoria política está apenas interessada em se perpetuar no poder. A consequência disso todos sabem, portanto, não há necessidade de escrever: miséria, violência, ignorância.

 

Rotatória

Penápolis não é uma ilha no meio desse lamaçal de tempestades corruptíveis, contudo, não adentrarei nessa esfera, já que deter-me-ei na novela da rotatória. Afinal: sai ou não sai? Quais serão as cenas dos próximos capítulos, pois o novelão das oito já cansou. O prefeito diz uma coisa, o governo diz outra e a coisa descamba para o descrédito geral. Entretanto, aquele que tiver uma visão um pouco deslocada da dança ideológico-partidária perceberá o que está acontecendo, conforme já aventei aqui várias vezes: segundo semestre de 2019, ano que antecede as eleições municipais brasileiras em 2020. O atual gestor local fez oposição ao governador durante a campanha eleitora de 2018. O postulante defendido pelo chefe da paróquia penapolense saiu derrotado. Será que o vitorioso ira satisfazer as solicitações do atual mandatário que, de quebra, carreia na Justiça um amontoado de processos?

 

Príncipe

Claro que muitos acalentariam a ideia de que o governador pensasse mais na população e menos em seus desafetos político-partidários, entretanto, se fosse assim, não seria política e sim religião – olha que existem muitos embates políticos nos subsolos do mundo religioso e teocrático. Para entender o que está em litígio denominado rotatória e AME, recomendo ao meu leitor dominical, a leitura atenta de O príncipe, do pensador florentino Nicolau Maquiavel. Mas “trocando em miúdos”, como se diz no jargão popular, imaginemos que a rotatória saia até o final deste ano ou começo do próximo. Durante a inauguração, o prefeito – que não caiu nas graças do governador –carreará essa conquista e desejará transferir seus votos ao seu apaniguado, no caso aqui, o vice-prefeito Carlos Feltrin. O chefe do Executivo foi expulso da legenda do governador Doria por “traição” partidária, portanto, não tem cacife para bancar nada dentro da legenda. Desta forma, eu creio que o cardeal do tucanato paulista, não quererá conceder esse bispo para o paroquiano penapolense e o trebelhar seguirá empatado.

 

Anúbis

Desejo muito estar errado, pois nessa peleja entre os dois chefes do Executivo quem fica chupando o dedo, como diz o velho ditado, é o penapolense que confiou um segundo mandato ao atual gestor, mas não viu nada de novo no ar, senão as mesmas coisas de sempre, processos pererecando na Justiça local, denúncias aqui e ali, setores do serviço público patinando e a velha verborragia de sempre: o culpado é o esqueleto no armário. Ah! Muitos dirão que não estou observando as melhorias que a cidade obteve nos últimos anos. Não se pode negar que algumas coisas caminharam bem, entretanto, se usar o princípio religioso egípcio e solicitar a presença de Anúbis – o deus do morto na mitologia egípcia – será possível verificar o que se tem para exaltar. Como todos sabem, no Egito Antigo, o coração do morto era colocado num dos pratos da balança, tendo no outro uma pena. Se os objetos forem substituídos pelas melhorias e a quantidade de processos que o atual prefeito carrega, quem vencerá a peleja entre Deus e o diabo na terra de Maria Chica? Preciso lembrar aqui que as duas entidades religiosas são retiradas do filme realizado na década de 60 do século passado pelo cineasta Glauber Rocha.

 

Solidariedade

Num outro momento eu disse aqui que Penápolis é uma cidade com uma visão bem ampla quando o assunto é solidariedade. Pois bem, o pessoal que congrega junto à Igreja Nazareno realiza no próximo sábado, 10 de agosto, a sua tradicional Galinhada. Aos que adquirirem os convites, cujo valores arrecadados serão revertidos em prol da construção do templo, poderão retirar as refeições entre às 12h e 14h na atual sede da igreja na avenida Marginal Maria Chica, 1695. Mas se o indivíduo que, durante a semana não adquiriu o convite e ainda assim quiser degustar a galinhada é só se dirigir ao templo e comprar na hora.

 

Segurança

Conforme este jornal anunciou, a prefeitura instalará nos próximos dias algumas câmeras de monitoramento em áreas estratégicas da cidade. Como o projeto ainda não entrou em funcionamento, optei por não tecer nenhum comentário sobre o programa, entretanto, se a medida objetiva trazer mais segurança aos transeuntes, já terá alcançado o seu escopo, entretanto, é precisará ser avaliado o custo/benefício para os cofres municipais, pois a iniciativa é da municipalidade, portanto, recairá sobre ela os custos de execução do projeto. Mas como sempre tenho externado aqui, cuidar da segurança não é só investimento na repressão e no apenamento do infrator. É preciso mais, principalmente no que diz respeito à educação e o social. Fico por aqui na expectativa de um início de semana significativa para todos os meus leitores. E-mail: gildassociais@bol.com.br; gilcriticapontual@gmail.com. www.criticapontual.com.br.

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