Olhar Crítico

Pascalinas

Começo os meus olhares neste domingo pascal – dedicado a entender o verdadeiro significado da ressurreição do próprio indivíduo tendo como exemplo Jesus, o Cristo – e também em que se comemora o Dia de Tiradentes, enfocando um outro universo: o educacional. O momento não está sendo muito alvissareiro para o setor, justamente por conta da ausência de conhecimento de muitas pessoas que insistem em dizer que o problema no setor seria provocado pelos professores que objetivam fazer profissão de fé dentro das salas de aula, como se isso fosse possível, tamanha as dificuldades que nós, docentes, enfrentamos em nosso cotidiano. Emitir opinião por ouvir dizer, ou se deter apenas em um quantum reduzido desses profissionais e querer adjetivar a categoria como um todo, é temerário. Mas vamos lá…

 

Literatura

Aproveitando que no próximo dia 23, será comemorado o Dia Internacional do Livro e, objetivando estimular a leitura, a equipe gestora da escola estadual Luiza Nory realiza o Prêmio Estudante que mais lê. De acordo com a diretoria da unidade educacional, o escopo é criar e ampliar o programa que a instituição já realiza – inclusive há um link no Facebook Leitura, essa moda pega – há algum tempo, que consiste em premiar os alunos que mais leram no primeiro bimestre letivo de 2019. O referencial para a contemplar os estudantes vem dos registros de retiradas da biblioteca que a própria instituição mantém, a partir das doações feitas pelos penapolenses e material didático enviado pelos programas mantidos pelo Estado.

 

Proust

O escritor Marcel Proust (1871-1922) tem um pequeno libelo dedicado ao universo da leitura, no qual afirma que os livros são capazes de abrir portas que não seriam desvendas sem a ajuda dessa importante ferramenta de aprendizagem. Desta forma, quem frequenta o cotidiano daquela escola e as salas de aula, se depararão com alunos com os livros, entrando e saindo da biblioteca. São estudantes do ensino médio e fundamental. Sendo assim, é possível conscientizá-los da importância desse hábito, inclusive a leitura dos clássicos da literatura brasileira, como Quincas Borba – Machado de Assis – que será cobrado nos vestibulares organizados pela Fuvest e pela UNESP. Desta forma, o programa que a escola Luiza Nory vem desenvolvendo já rende frutos. Eis o caminho…

 

Fiasco

Deixando o universo pedagógico para um outro momento, não sem antes convidar aqueles que acham que as nossas escolas são locais em que docentes vivem propalando ideologias, ao invés dos conteúdos programáticos, e me enverando pelo mundo da política local, preciso informar aos meus leitores dominicais que o fiasco da instalação do AME em Penápolis – cujo protelamento do governador está sendo colocado na conta do atual prefeito, conforme muitos munícipes afirmam, portanto, não é a opinião deste colunista -, vai dar muita dor de cabeça para o município. O imbróglio começa a partir do momento que a família proprietária do prédio, onde funcionária o ambulatório, não aceita o não pagamento do que foi acordado no momento da escolha do espaço para funcionar o AME.

 

Fatura

E agora José? Quem pagará a fatura no final das contas? Na época, de forma apressada tentou-se desvencilhar a cidade do CISA, mesmo tendo dívidas a serem quitadas e não seguir o que determinava o regime do consórcio, crendo-se que o governador da época ia contemplar Penápolis com um Ambulatório Médico de Especialidades. O resumo da ópera, como se diz no jargão popular, é um só: voltou a namorar o Cisa, tendo um passivo a ser equacionado, ficou-se com o aluguel de imóvel que está vazio e o rompimento do contrato gerará uma multa de R$ 2 milhões. De qualquer forma, a já combalida finanças públicas e a população é quem vai arcar com mais esse descalabro. O que será que aconteceu para se chegar a esse ponto? Com a palavra os leitores que ano que vem serão chamados a escolher um novo prefeito que terá um passivo complicado para equacionar a partir de 2021.

 

Piscinão

Ao que tudo indica, está perto do fim, ou pelo menos, minimizar os problemas provocados pelas enchentes em torno do Córrego Maria Chica nas imediações do Terminal Rodoviário – ponto de encontros das águas que tem legado sucessivas inundações há anos. Sem medo de ser exagerado, o problema existe há pelos menos umas três décadas e tem se agravado nos últimos anos. Portanto, não adianta culpar a atual gestão para a problemática porque a coisa já vinha se arrastando e a solução não aparecia. Cada hora era uma coisa e lá vinha chuva de 20 minutos e com ela os transtornos.

 

Urbanização

Só não enxerga quem não quer, mas todos sabem que a questão ali é de ausência de planejamento urbano. Antes que me acusem de ser anti isso e aquilo e que torço para o touro, já vou dizendo que faltou uma política eficaz de urbanização. Se o planejamento tivesse existido no pretérito, muitas coisas que se assistem hoje naquela região da cidade, não estaria acontecendo, todavia, eu sou apenas um cientista social, contudo, creio que ações como essas, que vem sendo realizada no Santa Leonor, precisam ser intensas e equacionar o problema.

 

Ressurreição

Bom pessoal, me parece que para este domingo, véspera do aniversário de descobrimento ou algo parecido, portanto, o momento é alvissareiro para pensar no Brasil que queremos ver brotar a partir de amanhã para que os frutos dessa árvore chamada Nação brasileira sejam colhidos e consumidos pelos nossos filhos e netos. Mas para que isso aconteça, não se pode mais fazer escolhas com base no achismo e escudado num ressentimento econômico e político. Em tempos de crise, as sociedades enlutadas por conta do fim dos períodos de bonanças, tendem a escolher um Judas, satanizando coisas que desconhecem para justificar os seus rodopios econômicos.

Racismo

Falar de racismo no Brasil, para muitos, é chover no molhada, ou seja, não tem o que dizer, pois é notório e evidente que o problema existe e não foi solucionado com o fim do escravismo. Muito pelo contrário, se agravou na medida em que não deu condições ao africano alforriado se emancipar na condição de cidadão. Sobre esse tema tem-se diversas enunciações romanescas, como por exemplo, O cortiço, de Aluísio Azevedo (1857-1913), o Quarto de Despejo, de Carolina Maria de Jesus (1914-1977) e o Caso da Vara, Machado de Assis (1839-1908). Depois da leitura desses libelos e outros trabalhos sobre o assunto, creio que será possível observar a questão a partir de um outro olhar. E-mail: gildassociais@bol.com.br; gilcriticapontual@gmail.com. www.criticapontual.com.br.

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