Olhar Crítico

Política

Começo meus olhares dominicais revistando o cenário político local e o calvário que o atual mandatário tem que enfrentar em relação à Justiça local. O primeiro diz respeito a uma decisão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo no que tange aos embargos de declaração impetrados pelos advogados do chefe do Executivo penapolense, objetivando – corrijam-me os entendidos – protelar a execução duma condenação por improbidade administrativa num processo relativo à contratação duma empresa objetivando a realização de um concurso público no CISA (Consórcio Intermunicipal de Saúde). A pergunta que se faz nos quatro cantos da cidade é: como um prefeito, com tantos processos na Justiça e outras condenações, se mantém no cargo?

 

Sentenças

A outra sentença, desta vez em primeira instância, portanto cabendo recurso às alçadas superiores, é relativa a uma ação no âmbito plotagens de veículos. De acordo com um blogueiro da cidade, o chefe do Executivo foi condenado pelo juiz Heber Gualberto Mendonça à perda dos direitos políticos por oito anos, e devolução dos valores envolvidos na transação acrescidos de multas. Existe ainda outra sentença envolvendo o universo da limpeza de vias pública. Parece-me que nela a Justiça torna indisponível os bens dos envolvidos naquele processo. De qualquer forma, a questão é: quem pode pedir o impeachment deste prefeito? Se pode, por que não o faz? Essas duas perguntas não são feitas por este colunista que apenas as reproduz, mas pelos munícipes de um modo geral.

 

Legislativo

Caso eu não esteja enganado – corrijam-me os entendidos em legislação eleitoral e política -, mas quem pode solicitar a saída do prefeito é a Câmara de Vereadores. Entretanto, isso é de ofício de um vereador qualquer ou a partir de representação feita por algum morador ou entidade civil, como por exemplo a ABIM (Associação Brasileira de Imprensa) e da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) quando do impeachment de Fernando Collor de Mello e mais recentemente da petista Dilma Rousseff (ambos estavam na presidência da República através de eleições democráticas e livres)? É preciso ter clareza jurídica para que a ação possa ocorrer ou não, todavia, creio que a situação beira ao descalabro, tamanha quantidade de processos que tramitam na Justiça local e em outras instâncias superiores. Bom, mas aí já não é com este que vos escreve, caros leitores, e sim com os representantes escolhidos diretamente pela população.

 

“E agora José?”

Aquele ufanismo, por conta da inauguração duma faculdade de medicina em Penápolis, já rende frutos negativos para a cidade. Estou falando da exaltação do prefeito naquela ocasião em que evidenciou que apoiaria o governador na época e postulante à reeleição no pleito de 2018. O seu ungido perdeu – e será que os ungidos em 2020 também não seguirão esse caminho? – e a cidade viu o sonho do AME tornar-se pesadelo, sendo protelado para 2020 – ano eleitoral, ou seja, a espera de quem vencerá a peleja política em Penápolis. Agora, conforme este jornal anunciou na última sexta-feira, 15 de março, o governador acabou com o desejo do atual mandatário local em inaugurar a rotatória para facilitar o escoamento e chegada de mercadorias transportadas por caminhões a uma empresa do ramo lácteo. O empreendimento seria erguido na rodovia de acesso Sargento Arnaldo Covolan. Com o cancelamento oficial feito pelo Estado, a pergunta que fica é idêntica àquele adágio popular: “e agora José?”

 

Violência

Deixando o universo da política local para outro momento, pretendo escrever algumas coisinhas sobre a violência e o assassinato de sete pessoas dentro duma escola na cidade de Suzano – grande São Paulo. Muita coisa já foi dita e adjetivada: massacre e a culpa recaindo sobre os jogos eletrônicos que são violentos ou do atual presidente da República que, durante a campanha eleitoral de 2018, teria incitado os cidadãos, chamados de “bem” – tenho cá minhas dúvidas – a elegerem-no e posteriormente terem o direito de possuírem armas de fogo – não adentrarei à essa questão, preferindo emitir uma opinião em outra ocasião. Entretanto, fica-me uma interpelação: a culpa é de quem? De ninguém ou de todos? Ou os fatos acontecidos na última quarta-feira podem ser atribuídos ao acaso?

 

Culpados

Dependendo do ponto de vista de cada sujeito social, o eleito a culpado da semana vem de um determinado lado da tragédia. Existem aqueles que acreditam que os professores deveriam ser treinados para terem a posse duma arma. No mundo contemporâneo, o docente já vive atribulado com tantas atribuições dentro duma sala de aula que, ministrar o conteúdo conforme determina o curriculum definido pelas instâncias superiores da área, passa a ser a última coisa a ser feito. O professor precisa saber mediar conflitos, conhecer um pouco de psicologia para lidar com alunos que chegam com suas vidas emocionais destruídas pelas famílias disfuncionais e fanáticas. O educador tem que ter certos instrumentos que o possibilite orientar de forma satisfatória o futuro do aluno, principalmente no âmbito profissional. Tudo isso e mais um pouco, e agora, por falência do Estado em garantir a segurança de seus cidadãos, querem fazer com que o professor carregue arma? Absurdo!

 

Enfermidade

O morticínio naquela escola evidencia que a sociedade – e aí a brasileira que tende a copiar sempre os piores modelos – está gravemente doente. Os valores, antes adquiridos em casa, há muito se foram e a partilha, fundamental para a construção de um ser social com visão de mundo pautada naquilo que Kant chamava de universalização das práticas, ou seja, que todos possam a partir daquela conduta externá-la, evaporou. Não se pode fugir do fato de que, sempre haverá aqueles que objetivam capitanear politicamente uma tragédia como a da última quarta-feira, contudo, a problemática é outra e não é com falatórios e discursos ocos e toscas verborragias que resolver-se-á o futuro desta Nação. Portanto, a situação tem que ser tratada por especialistas, pessoas que entendem do riscado e não indivíduos que são colocados em determinados cargos porque tal designação religiosa apoiou este ou aquele candidato. Vamos à reflexão.

 

Nhoque

No próximo dia 23, a Igreja do Nazareno de Penápolis promove o seu Sábado do Nhoque. O evento é destinado à construção do novo templo religioso, objetivando melhores acomodações para seus fiéis. Os convites podem ser encontrados com os membros da designação religiosa e as marmitas devem ser retiradas na sede da igreja na avenida Marginal Maria Chica, 1695 – Vila Fátima -, das 12h às 14h. E-mail: gildassociais@bol.com.br; gilcriticapontual@gmail.com.br.www.criticapontual.com.br.

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