Olhar Crítico

“Se”…

Começo meus olhares dominicais intitulando o primeiro aforisma com essa conjunção condicional integrante: “se por acaso; se acaso” para lembrar que a mesma é corrente na vida dos brasileiros, principalmente daqueles que costumam apostar em loterias, jogos de azar e discutir o futebol do domingo na segunda-feira no começo dos trabalhos naquela repartição. Também é comum dizer que esse tal “se” não existe, pois se tem a vitória ou a derrota e, na vida concreta não há o meio termo, ou melhor, o famigerado empate. Portanto, se ganha ou se perde e resta aos observadores compreenderem quais foram os critérios que podem ser utilizados no entendimento do placar da peleja esportiva ou até mesmo no universo da política. Neste caso, a leitura do livro O critério, do padre Jaime Luciano Balmer, me parece ser útil no caso em tela.

 

… AME.

A notinha escrevinhada acima serve para tentarmos entender a queda-de-braço entre Penápolis e o governo paulista, leia-se gestão do peessedebista João Dória. É importante não perder de vista que o prefeito de Penápolis foi alijado, por indisciplina partidária, do ninho do PSDB. Isso é fato e não especulação deste colunista. A questão é tão nevrálgica que uma comitiva, de penapolenses, foi enviada à capital paulista na tentativa de colocar panos quentes no entrevero entre o arauto penapolense e alta cúpula tucana, mas ao que tudo indica, não adiantou nada, pois a opção do chefe do Executivo de Penápolis no último pleito foi apoiar o adversário de Doria e ainda escancarou sua opção, batendo no peito, como se diz no jargão popular, afirmando ser a opção mais sensata. Deu no que deu. Como perguntar ainda não ofende: e agora José?

 

Votos

Só para fins de raciocínio lógico, parece que os dados do TSE indicam que Doria teve em Penápolis 11 mil votos e o prefeito – que não fechou questão em torno dum vereador de sua base de apoio na Câmara Municipal que disputava uma vaga na Câmara Federal – teve 17 mil sins nas urnas na última eleição municipal. A conta é muito simples, pelo menos se eu souber um pouco da matemática – ciência exata que também é filosófica – seis mil deixaram de votar em Doria, sendo que os 11 mil votantes do tucano, podem não ter sido da cota do prefeito que fez campanha para o adversário. Desta forma, em épocas de vacas magras, como tem anunciado todos os governantes brasileiros, a tendência é os gestores atenderem primeiro os pedidos de seus séquitos e daqueles que o apoiaram durante a jornada, ou melhor, a peleja eleitoral. Essa regra no mundo da política é básica, por isso, exige-se do prefeito prudência em vociferar que, em tempos eleitorais, apoia essa ou aquela mercadoria política

 

Leibniz

Em seu livro Novos ensaios sobre o entendimento humano: pelo autor do sistema da harmonia preestabelecida, o filósofo alemão Gottfried Wilhelm Leibniz (1646-1716) diz que “da faculdade de discernir as ideias depende a evidência e a certeza de muitas proposições que passam por verdades inatas”. Desse pequeno excerto é possível aferir a seguinte interpelação: em que lugar estava escrito que as urnas indicariam que o adversário de Dória seria o vitorioso? Será que o Oráculo de Delfos, aquele mesmo consultado por Sócrates que dizia “conheça-te a ti mesmo”, orientou no sentido de apostar as fichas, não da sua pessoalidade, mas do município, em qualquer um dos postulantes ao governo paulista? Parece-me que o clássico da ciência política, O príncipe pode dar algumas orientações aos nossos políticos que, afoitos por holofotes, acabam não pensando em quão ruim pode ser para suas paróquias a escolha errada ou ser incisivo na escolha duma mercadoria específica.

 

Prudência

Claro que na condição de cidadão com consciência, jamais torcerei pelo touro – usando a linguagem das touradas espanholas -, mas a coisa ficou complicada para Penápolis no que diz respeito ao AME (Ambulatório Médico de Especialidades) e a rotatória a ser construída defronte a uma indústria do ramo de alimentos. A um príncipe, se exige prudência ao lidar com as coisas da paróquia e o momento eleitoral requer justamente esse jogo de cintura, sob pena de sua localidade ser, posteriormente passada a peleja política, ser conduzida por Anúbis [deus do morto na mitologia egípcia] ao juízo final e aí a conta ficará sempre para a sociedade como um todo. Entretanto, como em política tudo pode acontecer, deixo para outro momento Nicolau Maquiavel (1469-1527) e Leibniz e suas teorias sobre as mônadas, voltando a me concentrar nas questões da paroquia penapolense, justamente em setor sensível ao eleitorado, como o é o campo da saúde. Enquanto o Ame ou não, como é que ficou a peleja com o Cisa? Penápolis fica ou sai?

 

Peleja

Deixando um pouco o universo local para dar vasão à política nacional, me parece que está havendo interpelações e vociferações extremas por parte de um grupo de defensores do atual mandatário nacional. Tudo porque aqueles que perderam as eleições em outubro acompanham de perto os atos do novo governador geral do Brasil. Parece-me que os partidários dos adversários eleitoral do presidente da República fazem o uso de ferramentas que a democracia permite. Buscam as informações e as veiculam a todos os interessados, porém, a sentença, ou quase isso, fica a cargo de quem as recebe, ou seja, podem dar encaminhamento ou apenas ler e seguir em frente com suas vidas.

 

Democracia

Gosto muito de lembrar alguns ditos populares para tentar entender o clima de animosidade que se instalou no país nesses primeiros dias de novo governo federal. A primeira delas é até jocosa, mas diz que o mesmo caibro que surra Francisco precisa açoitar Chico. Sendo assim, o mote da campanha presidencial conduzido pelo vencedor foi o combate a corrupção que já há sinais de fumaça no front e é lógico que os opositores, dentro do que a democracia pressupõe, vão explorar isso. Claro que os defensores do atual gestor federal têm todo o direito, constitucional inclusive, de ficar aborrecidos, mas devem compreender que a campanha foi extremamente belicosa, então os resultados são esses: os grupos vão acompanhar passo a passo o novo dirigente. E se o resultado fosse outro? Eles fariam esse tipo de avaliação ou ficariam na moita só reclamando? E viva a democracia para sepultar de vez ideais teocráticas. O Estado brasileiro precisa e necessita continuar laico em virtude de sua diversidade cultural e, sobretudo, religiosa, fruto de suas três matrizes étnicas. O resto é demagogia de quem desconhece o sincretismo brasileiro. Neste sentido, recomendo a leitura da peça O pagador de promessas, de Dias Gomes. E-mail; gilcritiapontual@gmail.com; gildassociais@bol.com.br. www.criticapontual.com.br.

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