Olhar Crítico

Expectativa

Muito se tem propalado a respeito da escola pública e que a mesma estaria fadada ao fracasso e que ela é isso e aquilo, todavia, mesmo diante dos grandes problemas que os educadores, alunos e pais enfrentam, principalmente por conta da negligência das autoridades palacianas, ainda é possível vislumbrar luzes e saídas para as problemáticas apresentadas no cotidiano escolar. Essas perspectivas são observadas por aqueles que analisam o dia a dia das instituições de ensino paulista e de Penápolis. Há uma miríade de questões que deve ser equacionada ao longo do prazo, portanto, sem a necessidade de planos milagrosos como os políticos querem apresentar diuturnamente aos eleitores, principalmente aqueles desavisados.

 

Sonoridade

Um dia desses, entre uma aula e outra, eu andava pelos corredores da escola estadual João Teixeira Sampaio, onde ministro aulas de Filosofia quando fui atraído por melodias que vinham da biblioteca da instituição. Gosto muito de músicas, então eu não resisti e fui conduzido pela harmonia, sem precisar me acorrentar ao mastro do navio como ocorreu com a personagem do clássico da literatura grega e universal Odisseia, de Homero. Quando adentro a biblioteca me deparo com os alunos Jhonatan Henrique tocando clarinete; Anderson – que é multinstrumentista – no teclado; Luan no violão e Vinícius no violino. Na hora pensei que seria interessante a escola ter uma orquestra formada por esses alunos.

 

Trabalho

Como fazer isso? Creio que a equipe gestora já pensa nisso e será de vital importância o apoio de toda a comunidade, além é claro das autoridades constituídas por intermédio do voto, principalmente aquelas que ocupam os principais assentos no munícipio, isto é, na Câmara de Vereadores e na Prefeitura. Neste sentido, é interessante observar como isso se daria se os músicos mirins estivessem numa escola instalada nos principais centros capitalistas do mundo? Creio que já teria conquistado patrocínio, mais instrumentos seriam doados à escola e um projeto já estaria em andamento, não porque se acredita que todos serão musicistas, mas porque é preciso permitir que as crianças, pré-adolescentes e adolescentes conheçam o universo musical, seja ele clássico ou não, todavia, antes de optarem por um estilo ou até mesmo carreira profissional, o alunato deve vislumbrar esse universo musical.

 

Adoção

Fica a dica para os políticos penapolenses que só se lembram dos eleitores no momento do voto para si e seus protetores instalados nas Assembleias e no Congresso Nacional. Parece-me que o momento é agora, principalmente para que os parceiros da escola apareçam e abracem essas crianças, adotando-as a partir da perspectiva educacional e cultural. Que o programa começasse a ser executado amanhã seria utópico de mais, entretanto, é preciso não deixar que aquilo que presenciei pereça e esses alunos percam o foco, tanto na música quanto nos estudos, e ai sim, eu posso dizer que esse é um dos papéis da educação, coisa que não ouvi da boca de nenhum postulante aos cargos principais dos Executivos nacional e estadual. Só escutei toscas verborragias e uma parafernália de argumentos furados contra isso e aquilo, mas que o resultado do primeiro turno evidenciou a pobreza política em que vive o Brasil.

 

Peleja eleitoral

E já que me enveredei pelo campo da política, finalmente a peleja entre Deus e o Diabo na Terra de Pindorama – para lembrar o eterno cineasta Glauber Rocha (1939-1981) nos legou – chega ao fim no final da tarde de hoje. Quem vai vencer esse pleito, considerado um dos mais extremistas das últimas décadas? Não sei! A única coisa que posso dizer é que a jovem democracia brasileira saiu ferida de morte. A Constituição Federal tem 30 anos e poucos são os brasileiros que a conhecem de fato e de direito. Talvez por isso tantas verborragias e toscos discursos foram produzidos durante essa infame campanha eleitoral quando a razão deu lugar à passionalidade de muitos eleitores pouco afeitos ao debate político, tornando-se portadores de discursos ocos e palavras de ordem que empobreceram a peleja.

 

Utopia

Gostaria de ver um Brasil, em que ninguém precisasse bradar que o cidadão de bem precisa andar armado. Mas o que vejo é totalmente o contrário: brados de todos os lados pedindo armas e mais arma; famigerados discursos segundo os quais “bandido bom é bandido morto”. Neste país de minha utopia, professor seria reverenciado por alunos e seus pais, todavia, na prática a coisa é bem diferente, isto é, estudantes violentos protegidos pelos pais que são mais agressivos que seus filhos. E a violência que estes praticam nem sempre é a física, mas, sobretudo, a simbólica. Nesta sociedade em que a cidadania seria a tônica e não algo fora da curva, a saúde seria tratada como prioridade pelas autoridades, portanto, não existiria apenas na fase da medicalização, mas principalmente no campo da prevenção, já que se for possível proteger antes, não haverá grande dispêndios na cura: esse é o caso dos processos vacinais.

 

Futuro

Diante da constatação e sem querer ser catastrofista, porém, já sendo, não vislumbro grandes transformações capazes de mudar os rumos da nau brasileira, principalmente no que diz respeito ao universo da política e ai, os efeitos caem sempre sobre o campo econômico. Um exemplo desta problemática surge quando perguntamos para os pelejadores dos postulantes ao cargo máximo da nação o que esperam de suas mercadorias-políticas no campo econômico. Claro que todos querem melhorias, pleno emprego e que o dinheiro estará novamente jorrando na sociedade. Mas como isso será possível sem um projeto coerente e eficaz? Todos querem os tempos de bonança de volta, entretanto, poucos sabem que o custo está sendo cobrado agora por intermédio de códigos de barra que perseguem o trabalhador assalariado e assombram os desempregados.

 

Arena

Sendo assim, quando escuto brados advindos do alto dos palanques como se todos estivessem numa arena torcendo pelo toureiro destruir o touro – que nem sabe por que está ali sendo provocado por um homem que veste roupas esquisitas e tem um amontoado de gente nas arquibancadas esperando que o pobre animal seja sacrificado, observo que o povo assistiu a tudo bestializado, acreditando que se trata de uma batalha naval semelhante aquelas que ainda se joga nos computadores. É isso! Fico por aqui esperando racionalidade e menos passionalidade do eleitorado brasileiro neste domingo eleitoral. E-mail: gildassociais@bol.com.br; gilcriticapontual@gmail.com; www.criticapontual.com.br.

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