Olhar Crítico

Esmeraldinas

Informações que chegaram a este colunista dão conta que, depois de muitas idas e vindas, haverá uma audiência no Fórum local no próximo dia 10 sobre a problemática envolvendo as gramíneas que ficaram conhecidas como esmeraldinas. Ao que tudo indica, foram várias manobras objetivando mudar o fulcro da questiúncula, entretanto todas infrutíferas e o processo segue o seu rito normal. Ao que tudo indica, serão ouvidos nas oitivas todos os envolvidos na peleja esmeraldina.

 

Desencontros

Parece-me que nessa oitiva, além de todos os questionamentos envolvendo o plantio das esmeraldas, haverá o encontro de dois ex-parceiros. De um lado, o atual prefeito que, na época, conforme consta nos autos processuais, autorizou o pagamento dos serviços que teria gerado, conforme os denunciantes, prejuízo para os cofres públicos. De outro, estará um dos denunciados que era assessor direto do chefe do Executivo no período das denúncias. De acordo com uma fonte, os dois não estarão mais do mesmo lado, já que durante a tramitação do processo, prefeito e ex-assessor romperam politicamente. Mas como em política, tudo é possível, é melhor esperar a audiência e não ficar especulando isso e aquilo.

 

Fascismos

E como a temática é política e hoje é o dia em que os brasileiros começam a trilhar o futuro da Pátria Amada, pretendo recuperar aqui trechos de uma entrevista concedida pelo professor de filosofia da Universidade de Yale (EUA), Jason Santley aos jornais de circulação nacional do Brasil. Ele que é autor do livro Now fascismo Works tratou justamente do fascismo enquanto fenômeno socioeconômico deste início de Terceiro Milênio. Ele pode ser bem diferente daquele que surgiu na Alemanha e na Itália e na Espanha na primeira metade do século XX, entretanto, o que se apresenta agora pode ter outras facetas, contudo, o propósito pode ser o mesmo do de outrora: ludibriar as massas!

 

Explicações

Para que a compreensão fique a cargo dos meus leitores, destacarei uns pequenos excertos da entrevista. Num determinado trecho, o repórter lhe pergunta sobre as táticas usadas pelos fascistas. “Todo fascista tem um discurso anticorrupção. Os nazistas tinham campanha anticorrupção. Benito Mussolini [1883-1945] tinha campanhas anticorrupção. Quando o país tem muita corrupção, fica muito suscetível a políticos fascistas. O político fascista diz que, se a corrupção é uma tradição, ele vai combater aquilo. Ele pode até acabar amealhando dinheiro, mas com ele não é corrupção”, explica Jason Stanley.

 

Condições

Em outro ponto da entrevista, separei uma parte que considero importante para que todos pensem, analisem racionalmente sobre o tema, sempre levando em conta a primeira metade do século XX quando o mundo foi jogado num mar de sangue por conta de ódios e informações manipuladas por líderes sanguinários. É interessante observar aqui o que faço com constância, sempre objetivando chamar a atenção dos meus leitores. O primeiro detalhe é compreender que o homem faz a sua história, mas não a faz como quer e sim pelas condições determinadas pelo meio. Se isso é fato e tendo a acreditar que sim, então se faz necessário entender quando surgem os fascismos na História da Humanidade.

 

Historicidade

A reportagem perguntou ao professor e filósofo de Yale (EUA) “em que condições o fascismo cresce?”. De acordo com Janson Stanley “quando há racismo velado que o líder fascista possa explorar, quando a sociedade tem uma cultura machista, patriarcal. Ou quando o líder democraticamente eleito foi corrupto, algo especialmente perigoso porque deixa as pessoas ansiosas. Uma crise econômica deixa as pessoas ansiosas e com medo, e elas querem um líder forte que surja e resolva todos os problemas”. A reportagem pode ser conferida nesse endereço eletrônico (https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2018/10/bolsonaro-usa-taticas-fascistas-como-trump-diz-autor-de-livro-sobre-o-tema.shtml).

 

Repetição

O mundo nem bem acabou de exterminar os males provocados pela intolerância e desejo de poder de determinados líderes, a nova leva de políticos populistas e nacionalistas, além de truculentos, ganha nuanças no universo global de mercadorias. O que fazer nesses momentos? Culpar os intelectuais que não trabalharam direito e permitiram que tais atrocidades políticas voltassem a dar as cartas em boa parte do globo? Creio ser necessário retroceder um pouco e entender, mesmo que de forma lacônica, tentando definir sinteticamente o que seria esse fascismo. “É uma ideologia baseada no poder que coloca o poder como oposto à verdade e à Justiça. É uma ideologia baseada em hierarquia, onde um grupo racial é dominante, melhor que outro. Poder e lealdade são os ingredientes principais. Qualquer um que não seja devotado ao líder, que não seja um dos apoiadores, é criminoso”, explica Jason Stanley.

 

Intelectualidade

Só quero recordar um artigo que publiquei faz mais de uma década aqui no INTERIOR tentando explicar qual é o papel do intelectual na sociedade. Naquela época, em linhas gerais, afirmei que a ação da intelectualidade poderia ser visto como a de um médico que analisa seu paciente e avia o receituário, entretanto, quem tem que tomar o remédio é o sujeito atendido pelo profissional. Portanto, se o indivíduo não seguir as prescrições e for a óbito, a culpa é do “doutor”? Neste sentido, me parece que o trabalho de mudança está mais no brasileiro e na sua conscientização social e política do que no intelectual que pensa o Brasil a partir de seu processo histórico e econômico, sem descuidar do campo linguístico e do “espirito do tempo”, ou seja, de certo zeitgeist, como diziam os pensadores alemães setecentistas. Fico por aqui, afinal neste domingo os extremos e seus asseclas podem dar um passo em direção à nadificação brasileira. Sendo assim, minha recomendação para os tempos vindouros são dois livros: o primeiro é do historiador britânico Eric Hobsbawm (1917-2012) e se chama A era dos extremos. O segundo é do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso: Crise e reinvenção da política no Brasil. E-mail: gildassociais@bol.com.br; gilcriticapontual@gmail.com. www.criticapontual.com.br.

 

 

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