Olhar Crítico

Literatura

O projeto Literatura em movimento oferecido pela Escola Estadual Joana Helena está em plena execução, já tendo ocorrido três debates com professores de Penápolis especialistas em Literaturas de Língua Portuguesa. O escopo é proporcionar aos estudantes que prestarão vestibular em 2018, ou nos anos vindouros, um maior contato com os livros que compõem as listas dos principais processos seletivos para ingressar nas universidades públicas brasileiras. Ontem ocorreu a terceira palestra e, em virtude do momento eleitoral, no próximo sábado o programa não será executado, mas o seu retorno está marcado para acontecer em breve.

 

Conexão

É significativo observar que os principais exames vestibulares do Brasil estão usando as obras literaturas, não somente em suas literalidades, mas principalmente em conexão com as demais áreas das chamadas humanidades. Por exemplo, num determinado ano a FUVEST – que organizar as seleções para os cursos da USP [Universidade de São Paulo] fez uso do romance O cortiço, de Aluísio Azevedo (1857-1913) em diversas frentes, entre elas a Sociologia em sua fase antropológica através da vertente evolucionista e a Revolta da Vacina. Também em outra ocasião, os vestibulandos que pretendiam cursar a UFPR (Universidade Federal do Paraná) enfrentaram questões retiradas do romance Iracema, de José de Alencar (1829-1877). Havia questões alusivas aos aspectos geográficos da região em que as enunciações sentimentais aconteciam. Perguntas que diziam respeito à escola literária, de história, de antropossociologia como as relações entre a indígena Iracema e o português Martin. Sem contar na caracterização edênica que há nas narrativas alencarianas…

 

Participantes

Sendo assim, o projeto que a escola pública está realizando nesse segundo semestre letivo de 2018 não se restringe à apenas aos estudantes dessa rede, mas a todos os alunos e aos demais interessados em compreender, compartilhar as experiências literárias e o prazer que as narrativas que são curtas ou as longas oferecem aos leitores, bem como as crônicas como as de Clarice Lispector (1920-1977) nos brindou durante o tempo em que estava entre nós. Haverá ainda debates em torno de obras machadianas: constam da programação os romances Memórias póstumas de Brás Cubas e Dom Casmurro, além de Os Sertões, de Euclides da Cunha (1866-1909) e Macunaíma, de Mário de Andrade (1893-1945). Mas há quem acredite que a leitura desses clássicos por parte da nossa estudantada não levará a lugar algum, entretanto, tendo a discordar justamente por conta do conteúdo dessas enunciações. Elas dão conta dum Brasil pretérito que o brasileiro do presente precisa conhecer para saber as bases que fundamentaram o país que se tem hoje.

 

Debate

E já que a minha temática é educação, não posso deixar de enfatizar aqui o debate que os alunos do 1.º colegial do Colégio Futuro empreenderam recentemente na escola. A discussão teve como foco a distinção entre escola pública e privada sob a perspectiva dum projeto mais à direita e o outro do espectro da esquerda. Lógico que os discentes precisavam entender muito bem o que significa uma ideologia de direita e o que seria professar uma visão social com uma tonalidade mais voltada para o universo da esquerda. Dito de outra forma: um grupo defendeu a presença mais eficaz do Estado no campo educacional e o outro apresentava projetos com uma perspectiva do Estado mínimo neste setor. Também havia um terceiro agrupamento composto pelos alunos mediadores: aqueles que faziam perguntas ora para um grupo ora para o outro. O resultado teve uma positividade significativa, pois ao mesmo tempo, os participantes puderam, auxiliados pelo professor de Sociologia e Filosofia, entender as raízes dos problemas que marejam o presente da sociedade brasileira quando a questão se volta para o campo educacional.

 

Política

O debate foi pertinente justamente porque nasceu de uma observação feita por um dos estudantes, acompanhada duma comparação, bem como da preocupação com o futuro da sociedade e o que a educação oferecida às crianças no Brasil hoje pode definir, não só o futuro delas, mas, sobretudo da Nação. Sendo assim, as eleições quase que gerais que acontecem no próximo domingo, serão de vital importância para quem pensa neste amanhã. Mas até o momento em que estava escrevendo está coluna, tudo se resumia aos extremismos, com os defensores de ambos os lados esquecendo-se de debater o que é mais significativo para o Brasil: qual é país que se quer começar a construir no dia 1.º de janeiro de 2019.

 

Tecnologia 4.0

Pois bem! Voltando ao debate o que evidenciou é que os participantes compreendem muito bem o papel que a educação tem, principalmente agora que a sociedade está em vias de eliminar postos de trabalho e profissões que estão se tornando obsoletas. Isso está sendo possível por conta da inteligência artificial e da chamava revolução tecnológica 4.0. Essas transformações afetarão todos os setores da vida futura, inclusive os 14 milhões que estão na fila de desempregados hoje, poderão ter muitas dificuldades de encontrar trabalho e, as empresas e as indústrias, por outro lado, não conseguirão preencher as vagas que surgem todos os dias depois das mudanças nos vários setores tecnológicos.

 

Democracia maculada

Todos sabem que educando corretamente um povo, as chances de não assistirmos cenas em que a democracia sai um pouco mais maculada, humilhada, ofendida, tamanho os descalabros que os eleitores conscientes de suas cidadanias estão sujeitos cotidianamente no ringue eleitoral. É um tal de dizer que vai metralhar defensores de um tipo de ideologia política e depois volta atrás e diz que era tudo brincadeira. Ai vem um sujeito político que imagina estar-se dirigindo às suas tropas e vocifera que é contra isso e aquilo, sem saber de fato o que esses direitos significam para quem trabalha mensamente sem ter a certeza de que amanhã continuará empregado. É muito fácil dizer isso quando se está sob a tutela do Estado. Desta forma, creio que o eleitor deve ter muito cuidado no momento de apertar o sim, pois não haverá como retroceder e esperar passar os quatro anos como acontece nos Estados Unidos atualmente. E-mail: gildassociais@bol.com.br; gilcriticapontual@gmail.com. www.criticapontual.com.br.

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