Olhar Crítico

Educação

Acabaram-se as férias escolares do meio do ano e o frio chegou justamente agora que todos precisam levantar cedo, ou para ministrar aulas ou assisti-las. Até ai nada de mais, diriam os meus leitores dominicais, caso não fosse, por determinação governamental, uma discussão feita às pressas sobre o BNCC (Base Nacional Comum Curricular) – entretanto, deixarei essa temática para outra ocasião. Para o momento, a problemática é outra, principalmente em se tratando de educação e professores.

 

Agressões

De acordo com um jornal de circulação nacional, em matéria divulgada na última quinta-feira, 2 de agosto, portanto, segundo dia de aulas após o final das férias, as agressões contra docentes na rede estadual de ensino paulista cresceu 189% entre 2017 e 2018. Qualquer que seja o percentual, já é um absurdo, tendo em vista que o professor sai de sua casa – depois de se formar, preparar-se para o exercício profissional – para trabalhar e não ser vilipendiado por quem quer que seja. É triste essa constatação, tendo em vista que mensalmente o educador é agredido em seus salários cada vez mais baixo em relação a outras profissionais que possuem curso superior.

 

Terceirização

Há na reportagem uma série de observações que seriam interessantes a todos os envolvidos no fazer educação, ou seja, não somente os professores e as equipes pedagógicas das mais diversas escolas espalhadas pelo Brasil, mas, sobretudo, aos pais. É comum se ouvir que o que acontece no interior de uma instituição de ensino é fruto do que ocorre na sociedade, principalmente quando a temática diz respeito à violência. Existem casos em que os responsáveis, conforme já apontei aqui nesse espaço já há certo tempo, terceirizam ou delegam a outros a tarefa de inculcar em seus rebentos, valores morais e princípios éticos, porém, quando a máquina humana sai dos trilhos, isto é, deixa de agir conforme os preceitos sociais, a culpa é de todo mundo, menos dos pais.

 

Histórico

Se a violência é endêmica e pode ser responsabilizada pelo caos em que vive a educação, é preciso ter claro que se faz necessário uma avaliação mais detalhada sobre a gênese desse pandemônio que está infectando todas as esferas do mundo globalizado e o brasileiro não ficaria de lado diante da magnitude do fenômeno. Uns dirão que a problemática é oriunda da corrupção, entretanto, onde ela começa? Responder a essa interpelação significa entender porque a categoria política tem uma grande mancha em sua bandeira de moralidade e promessas utópicas, para não dizer vis. Contudo, para se entender como essa ação maléfica se espalhou pelo Brasil afora como uma pandemia, o interessado ou pesquisador – que precisará desenvolver seus trabalhos por iniciativa particular, já que existe a expectativa de um desmanche das estruturas que custeiam as investigações – deve dar uma passeada pelo processo de formação do país.

 

Vítimas

Claro que, ao aportar no campo educacional, o investigador social deparar-se-á com situações semelhantes às descritas por um educador numa entrevista pela reportagem do referido jornal. Segundo ele, “falta quase tudo na escola: merenda, funcionários. Não temos mais professores monitores, por exemplo, que mediavam conflitos”. Quem milita através do sacerdócio educacional sabe que está havendo um desmonte da escola pública e ele vem sendo acompanhado pelos aplausos da patuleia e recheado pelas constantes agressões sofridas pelos docentes. Há casos em que os pais acham que seus filhos, agressores, são vítimas, não dos professores, mas do sistema supostamente opressor e que só fizeram se defender.

 

Hábito

Em outro trecho da matéria, uma socióloga – os nomes foram mantidos em sigilo para proteger os entrevistados – afirma que a violência simbólica é uma constante, portanto, fazendo parte do linguajar dos estudantes ao se dirigirem aos professores. “É tão comum que nem consideramos mais agressão. Triste, né?”. Essa é a realidade no interior das unidades escolares: ameaças, nefastas verbalizações, perseguições sofridas pelos educadores. Mas, as vítimas vão falar com quem? Quem pode colocar fim a essa verdadeira carnificina pedagógica praticada contra aqueles que escolheram a educação como forma de ganharem o pão de cada dia, como se diz no jargão popular?

 

Índices

Deixando a ambientação da violência escolar, mas ficando dentro da temática educacional, é interessante notar que na mesma edição daquele jornal, há umas pequenas informações, porém de grande alcance e importância para essa área. De acordo com aquelas notícias, cerca de 80% de um determinado público adulto consultado numa pesquisa apresentada no 2.º Congresso Internacional de Jornalismo Educacional, se interessa por reportagens educacionais. Ainda “os dados mostram que 74% do público que estudou até o ensino fundamental têm muito interesse por esse tipo de conteúdo. O percentual sobe para 81% entre quem tem o ensino médio e atinge 86% na parcela que chegou ao ensino superior”.

 

Política

Claro que há uma simbiose entre discussões educacionais e política, portanto, me parece ser significativo eu migrar de um setor para o outro. Desta vez, o vetor será para esclarecer os meus leitores no que diz respeito a um aforisma que publiquei aqui a semana passada e diz respeito à visita a Penápolis do ex-senador e atual vereador em São Paulo, Eduardo Suplicy (PT). Na ocasião, cobre a ausência de uma divulgação mais ampla da agenda do político aqui na cidade. Independentemente da legenda a qual Suplicy pertence, uma palestra com ele seria interessante para toda a coletividade interessada nos desdobramentos do universo eleitoral.

 

Sem tempo

Em recente conversa com o ex-prefeito João Luís dos Santos, este informou que não houve tempo hábil para fazer uma divulgação, além de existir por parte dos correligionários do ex-senador uma preocupação com a legislação eleitoral e o risco de aparecer uma conotação com o desejo deste petista em disputar uma vaga no Senado Federal. Bom! Como o tempo de campanha é exíguo, crê-se que muitos postulantes, mesmo aqueles paraquedistas, baixarão aqui para tentar beliscar uns votinhos, entretanto, no caso do ex-senador, ele tem em Penápolis uma legião de eleitores que gostaram do trabalho dele no Legislativo brasileiro. E-mail: gildassociais@bol.com.br; gilcriticapontual@gmail.com. www.criticapontual.com.br.

 

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