Olhar Crítico

Exemplo

Neste momento em que tantos adolescentes e jovens reclamam de tudo e de todos, como se fossem dependentes disso que, em muitos casos, se torna contagiante negativando às existências de muitos à sua volta, eis que a estudante Heloiza da Costa Figueiredo, quiçá suas limitações físicas, nos brinda com sua vontade e superação de todas as adversidades que lhe são impostas pela sua condição biológica. Quando os meus leitores estiverem lendo os aforismas que se seguem, ela já deve ter encerrado sua participação na 4.ª Etapa do Campeonato de Bocha Paraolímpica, categoria BC3. E isso merece significativos parabéns a ela e aos seus pais e amigos!

 

Beleza

Embora possa parecer “piegas”, como se diz no jargão popular, mas me parece que a observação, segundo a qual “o mundo será daquele que acredita na beleza de seus sonhos” vale para a jovem citada no bloco acima. Entretanto, por outro lado, por que será que, no dia-a-dia, principalmente educacional, se encontra mais adolescentes apresentando comportamentos derrotistas e de indivíduos que desistiram de tudo ou, esperam demais dos outros do que de si mesmos? Seria o momento de lhes perguntar: “o que vocês podem fazer pelo Brasil?”, ao invés de interpelá-los sobre o que aguardam de seus futuros e do país? Sempre digo que só se pode esperar coisa boa do amanhã se a plantação e o trabalho ocorrerem no presente, do contrário, não haverá colheita alguma e ai, como sempre, vem aquela cobrança em forma de questionamento: “o que o Estado brasileiro pode fazer por essa pessoa?”.

 

Mendicância infantil

E já que estou tratando de crianças, adolescentes e um suposto amanhã repleto de vitórias, na próxima terça-feira 08, o Conselho Comunitário de Segurança de Penápolis (Conseg) – presidido por João dos Santos, “Jaó” – realiza sua reunião mensal. Na pauta, a mendicância infantil, ou melhor, os menores esmoleiros. O escopo do encontro é buscar soluções para o problema que não é novo em nossa cidade, tendo inclusive pautado, num passado não muito remoto, muitos dos aforismas dominicais e olhares deste colunista. Na época, um político que, inclusive ocupou assento na assessoria dum prefeito petista e, depois cargo na Câmara Municipal, dizia não haver crianças esmolando nos faróis e ruas da cidade!

 

Recordando

Lembro-me como se fosse hoje, como se diz no jargão popular, a reação deste cidadão quando conversávamos sobre o problema que vinha crescendo assustadoramente. Ele veementemente discordava, crendo que eu estava apenas batendo numa tecla objetivando criar supostas críticas infundadas sobre o grupo que administrava a cidade. Cheguei a sugerir ao meu interlocutor que caminhasse pelo centro e principais vias da cidade ou conduzisse com seu automóvel com as janelas abaixadas e prestasse mais atenção ao que acontecia nas ruas de Penápolis. Mudou governo com promessas mil, mas a problemática envolvendo a questão social ainda perdura. Claro que não vale ficar dizendo que a culpa é do atual governo que ai está em sua segunda gestão, mesmo que no primeiro mandato tenha feito pouco ou pifiamente alguma coisa pelo setor. Ao analisar o correr do tempo e da pena, sabe-se que a negligência com a área vem de outras gestões que tinham belíssimos discursos, mas de uma grande inoperância. O resultado é o que se vê no presente: crianças, adolescentes sem perspectivas e jovens reféns do mundo do crime.

 

Alvissareira

De qualquer forma, a temática é alvissareira para o momento e, todos aqueles que participarem do encontro, devem se empenhar, sem fisiologismos e outras ideologias toscas – como aquelas em que o culpado é sempre o Estado, a sociedade e o capitalismo e menos o sujeito social – claro este em alguns caso pode ser vítima de toda uma estrutura viciante e de empresários que pensam somente em si e menos em seus semelhantes vendo nestes, como afirmou Marx no século XIX em vários de seus escritos, meras mercadorias geradoras de valores de uso e de troca que devem ser substituídas sempre quando apresentarem avarias, principalmente às que não estejam de acordo com o credo de capitalistas provincianos que não valorizam o trabalho do outro, seguindo exemplo do que aconteceu durante os mais de trezentos anos de escravidão neste país. Claro que ainda se registra, de forma profunda, uma herança senzaleira nas relações sociais nestas primeiras décadas do Terceiro Milênio – esse é um assunto para outro momento.

 

Ordem e ordenamento

Neste sentido, para se compreender melhor o que se vive no presente, com vários cidadãos acreditando que somente políticos com fortes tendências autoritárias são capazes de colocar Ordem na casa, se faz necessário um retorno na história recente desta Nação e para isso se pode recorrer a várias literaturas, entre elas, o livro Manifestações ideológicas do autoritarismo brasileiro, de autoria da filósofa Marilena Chauí. Muitos podem torcer o bico porque a professora aposentada da USP é uma árdua defensora do arauto do petismo que, depois de muito espernear, se encontra preso para cumprir pena de 12 anos de prisão, conforme determinou a Justiça Federal em sua segunda instância, entretanto, é importante ler as 294 páginas que formam o livro e, se possível, separar o joio do trigo, isto é, as utópicas pauladas desferidas por ela, empolgadamente, na classe média que a gestou, para fazer um mimo no Homem de Garanhuns e seus asseclas.

 

Legendários

Informações extraoficiais dão conta de que o presidente da Câmara, Rubens de Médici Ito Bertolini, “Rubinho Bertolini” quer trocar o seu Solidariedade pelo PV (Partido Verde) que tem, entre seus principais filiados em Penápolis, o ex-prefeito e ex-deputado estadual Ricardo Castilho, o ex-vereador Ricardinho Castilho e Eder Granato. Pode-se especular que essa tentativa de Rubinho em namorar e se casar com o PV não é de hoje, entretanto, resta saber se a legenda está disposta a recebê-lo? O que se sabe, pelo menos foi o que chegou até este colunista, é que o presidente da Câmara estaria articulando com um político do alto comando do PV em Brasília o seu ingresso no Partido Verde penapolense. Há quem diga que se isso acontecer, “pelo alto” – para lembrar um conceito muito utilizado nas ciências sociais para compreender, por exemplo, o fim da escravidão e outras “transformações” ocorridas na sociedade sem a participação popular como a Proclamação da República – haverá um desembarque, quase que total, do partido: leia-se desfiliação, deixando a agremiação apenas com Bertolini e seus apaniguados. Como em política tudo é possível, aguardemos as cenas dos próximos capítulos da novela partidária em Penápolis, mas uma coisa é certa: o ingresso de Rubens Bertolini no PV não agrada os principais filiados e a Executiva partidária. E-mail: gildassociais@bol.com.br, gilcriticapontual@gmail.com; www.criticapontual.com.br.

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