Olhar Crítico

Significância

Começo meus olhares dominicais neste dia em que se comemora a “Descoberta do Brasil”, e olha que já se vão 518 anos e ainda tem gente se perguntando o significado daquele fenômeno que inaugurava o período quinhentista e renascentista? Além dessa e outras interpelações sobre os territórios além-mar, o cidadão tem miríades de questionamentos sobre várias situações e instituições brasileiras, criadas como cópias institucionais da metrópole lusitana. Uma delas diz respeito à serventia de uma Câmara Municipal.

 

Esperando

Eu do meu lado, fico a espreita, na expectativa de que um dia a resposta possa advir, não com verborragias e outros quinhentos palavrórios como tenho ouvido nos últimos tempos, inclusive com uma quantidade infindável de postulantes aos assentos no legislativo penapolense palavreando mais do mesmo! Muitos dizem que é o local para a população se manifestar através de seus representantes. Até ai nada de mais e nem de menos, apenas a constatação de algo que deveria ser concreto, entretanto, não passa de um longo e tosco matraquear objetivando angariar o voto-consciência daquele indivíduo despolitizado, porém, ávido por uma mercadoria-política que satisfaça suas necessidades de cidadão na polis, ou como dizia certo cantor e compositor, nos palcos da vida ou, para ser mais literário, na praça onde o povo reina, conforme o poeta baiano Castro Alves (1847-1871) nos diz num de seus célebres versos.

 

Ágora

Se a ágora é do povo, assim como o céu é do condor, por que os desejos populacionais não são satisfeitos no legislativo da cidade? Tentou-se criar uma comissão para averiguar mais detalhadamente o caos em que se encontra a saúde de Penápolis, quiçá essa “privatização” do Pronto-socorro que promete dar muita dor de cabeça num amanhã não muito distante. Somente a título de especulação: caso chegue um morador de uma das cidades da comarca e use os serviços do Pronto-socorro municipal penapolense – agora privatizado, terceirizado e custeado pela municipalidade local – quem vai pagar a fatura no final do atendimento? O paciente ou a cidade de origem ou a Prefeitura de Penápolis? Vejam bem, meus caros leitores, este colunista apenas formula uma questão que deve fazer parte do imaginário da cidade.

 

Engavetamento

Outras propostas que tramitaram na Câmara foram diretas para a gaveta, num processo que todos conhecem, uns mais outros menos, mas cuja adjetivação dá conta de como as coisas, de fato, funcionam nesse país desde a chegada da Família Real em 1808 e a criação das instituições para que a Corte funcionasse durante a estada da realeza lisboeta na pátria edênica: o engavetamento, não o de carros e outros veículos, mas da vontade popular que usa as ferramentas que a lei e a democracia oferecem, todavia, não há antidoto que combata os interesses acobertados e discutidos sob a sigla do desejo político e de grupelhos aparelhados há muito na estrutura administrativa da máquina pública. Mas por que tanto descaso com o povo – a quem de fato o poder pertence – e votações unânimes que mais se assemelham a expressões simbólicas em projetos e propostas que, tempos depois evidenciam falta de clareza, para não dizer lisura com o dinheiro público? O Ministério Público está recheado de investigações e ações civis enfocando esses descasos.

 

Debates

Se isso é fato, inclusive com condenações em segunda instância contra o atual prefeito que poderiam ser debatidas e votadas pelos vereadores, inclusive propondo o afastamento do atual alcaide, pois há condenação ordenada por órgão colegiado, o que justificaria o trâmite da matéria. Parece-me que um cidadão pode solicitar isso ao presidente do Legislativo, e até onde eu sei, esse procedimento já foi solicitado, mas se quer o documento reivindicante chegou a ser colocado na pauta da sessão para ser lido e todos os penapolenses soubesse que tal proposta foi feita. A coisa fica nos escombros dos gabinetes, com os postulantes recebendo posteriormente comunicado informando do veto ou rechaço de tal solicitação. Não sou entendido em leis e outros códigos, ou melhor, douto no assunto, entretanto, acredito que o cidadão que vota, paga seus impostos que são responsáveis pelas subvenções que os vereadores, ou melhor, salários – já que estão pedindo férias e 13.º salário – recebem mensalmente, tem direito a ter suas solicitações com melhores acolhidas pelo corpo de vereadores. Mas fica uma perguntinha: e se o prefeito fosse do PT – com essa onda de caça as bruxas –, será que um pedido desses prosseguiria ou iria parar na gaveta?

 

“Não é comigo!”

Mas como dizem alguns políticos, “essa matéria não é comigo”, fico com a seguinte questão: se não é com nenhum dos representantes na Câmara Municipal, com quem é então? Não precisa ir muito longe para encontrar a resposta: é com o eleitor. Contudo, será que ele tem forças e condições para fazer valer os seus interesses? Mas, quais são seus anseios? “Mais saúde, mais educação, mais emprego, mais casas populares?” Parece-me que sim, pois esses são slogans e mantras entoados por diversas mercadorias-políticas que almejam serem as escolhidas no supermercado da política nacional, em que vários produtos com prazo de validade vencido são maquiados e, em alguns casos, várias vezes retocados para se parecem novos. O mais interessante não é a fanfarronice dos representantes do povo e seus discursos verborrágicos recheados de promessas farisaicas, mas o descaso do próprio povo quando a temática é a investigação e a correta apuração de atos que apresentam supostas irregularidades.

 

Campeão

Deixando de lado a temática política ou o desabafo de um singelo cidadão incomodado com o trebelhar político do legislativo local, e adentrando no âmbito educacional, parabenizo a Escola Estadual Prof.ª Ester Eunice A. F. de Oliveira, bem como a sua equipe gestora e a professora de Educação Física, Marileide Ferracini, pela conquista do campeonato de futsal mirim, integrante dos Jogos Escolares. A vitória é de todos que estiveram envolvidos na competição. Se, diante da derrota todos são responsabilidades, então quando se vence, o regozijo precisa ser compartilhado também. E-mial: gildassociais@bol.com.br. gilcriticapontual@gmail.com. www.criticapontual.com.br.

 

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