Olhar Crítico

Vestibular

Começo meus aforismas dominicais parabenizando os estudantes Guilherme Barbosa e Júnior Ferraz por terem ingressado em duas importantes instituições públicas de ensino superior. O primeiro está cursando História na UFMS (Universidade Federal do Mato Grosso Sul) – campus de Três Lagoas; o segundo é universitário na UNESP (Universidade Estadual Paulista) campus de Presidente Prudente no curso de Geografia. O que há de comum entre os dois universitários? Ambos estudaram da EE Maria Eunice M. Ferreira, em Avanhandava, e na disciplina de Filosofia, foram alunos da cientista social, Andreia Cristina de Melo Minotti dos Santos. Os parabéns não se restringem aos universitários, mas a professora que sempre os estimulou a estudar com afinco e disciplina, além do apoio da equipe pedagógica, técnica e a direção daquela unidade escolar.

 

Organização

É importante observar que para ingressar nas melhores e mais concorridas universidades brasileiras, é preciso, antes de tudo, perseverança, disciplina, ser obstinado e eliminar aquela ideia de que somente alunos das escolas particulares terão acesso aos bancos dessas instituições de ensino.  Parece-me que o estudante deve se ocupar em estudar, sem ficar preocupado se fulano, beltrano ou sicrano têm mais chances que ele só porque frequentam escola x ou y. O que pode fazer a diferença é o desejo de vencer e ingressar numa UNESP, USP ou UNICAMP. Muitos discentes me perguntam qual é o caminho, a receita para serem aprovados nesses concorridos exames seletivos. Eu sempre digo que não existe uma receita, entretanto, faz-se necessária organização para se estudar, obstinação, e disciplina. Não adianta querer, mas não deseja reduzir algumas coisas na rotina ou até mesmo mudá-la. É desejável que os vestibulandos compreendam que os exames não começam no final do ano, mas sim logo no início e quando se planeja atingir uma meta específica.

 

Pedregulhos

Deixando a esfera educacional para outro momento e me enveredando pelo universo da política, ao que tudo indica, em breve teremos novos barulhos na esfera da vereança. Segundo informações que chegaram até este colunista, o STF (Supremo Tribunal Federal) emitiu parecer favorável para que vereadores e prefeitos tenham direito a 13º salários, férias e outras verbas rescisórias, como se fossem funcionários regidos pela CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), cuja criação, no governo de Getúlio Vargas, foi inspirada na Carta del Lavoro italiana, apelidada de polaquinha. É interessante notar que quando das campanhas eleitorais, é diz que fará isso em “amor a minha cidade e ao meu povo”, mas depois se ingressa com ação contra a municipalidade, pedindo verbas rescisórias, evidenciando que o gosto pela cidade não passou de uma paixonite eleitoreira.

 

Pleiteantes

Além disso, acresce-se a informação, ainda extraoficial, que já tem dois ex-vereadores querendo entrar na justiça, usando esse dispositivo concedido pela alta corte judiciária brasileira, para receber o seu quinhão. Até ai nada de mais, mesmo porque quando o político diz algo no palanque, na verdade está querendo dizer outra, deixando claro que suas falas não passam de alegorias e metáforas, a exemplo do que narra o filósofo grego, Platão, em seu clássico A República. Estou me referindo à Alegoria da Caverna, ou, caso o leitor prefira, pode buscar respaldo em outras obras do universo mitológico grego: Odisseia e Ilíada, ambas do poeta grego Homero.

 

É legal ou Ilegal?

Por outro lado, será possível o cidadão-eleitor ouvir o velho mantra: “não é ilegal”, portanto, está-se apenas requerendo uma coisa que o STF disse que os ex-vereadores poderiam pleitear. Pode até ser “legal” a partir da perspectiva do Supremo Tribunal Federal, mas como o cidadão, aquele que escolhe seus representantes a partir de seus brados, vociferações e declarações de Amor a Penápolis, observará isso? É preciso ter claro que esses dois ex-vereadores podem acalentar um retorno à Câmara em 2020, porém, como ficará esse processo, já que poderão ingressar com ações na Justiça para requerem aquilo que o atual prefeito também almejou num dia, em um passado não muito remoto.

 

Ética e moral

Só para clarear um pouco a questão que promete – a exemplo da exibição do filme Tudo por uma esmeralda – esquentar as discussões políticas na Terra de Maria Chica, me parece interessante, mesmo que de forma lacônica, externar o que eu entendo por ética e moral e seus contraditórios: aético e antiético; amoral e imoral. No caso do primeiro, definimos aético como sendo aquele sujeito desprovido de caráter ético; aético diz respeito ao ser que desconhece o que vem a ser ética. Ainda: a ética é um princípio universal; moral tem força normativa, portanto, cultural estando associada a hábitos e costumes. Sendo assim, caso esses ex-representantes do povo penapolense sigam com seus projetos de solicitar tais verbas rescisórias da Câmara local, pode ser tipificados pelo povo como antiéticos e imorais.

 

Kant

Completando o meu raciocínio, o filósofo do Iluminismo alemão, Immanuel Kant (1724-1804) trabalha com a ideia de imperativos. Sendo assim, ao recorrer ao mundo verbal saber-se-á que os verbos imperativos são aqueles alusivos à ordem. Desta forma, a ação do sujeito é respaldada pelos seus imperativos pretéritos, isto é, por valores adquiridos através do meio em que existe. Nesta chave analítica, é possível apontar que valores éticos e morais são repassados aos sujeitos sociais durante os primeiros processos pelos quais passam para se tornarem entes sociáveis. Mas para não perder o foco no pensador alemão, ele classifica os imperativos em duas categorias: hipotéticos e os categóricos. Em qual dos dois podemos enquadrar os ex-vereadores que têm ou terão atitudes como essa de requerer 13.º e férias da Câmara Municipal? Parece-me que o hipotético, como o nome já é meramente uma hipótese, mas no caso do segundo, é categórico, ou seja, definido pelo ser do ente que habita o sujeito a partir dos valores que receberam enquanto se tornavam indivíduos sociais de fato e de direito. Por hoje é só, quem sabe nos próximos aforismas eu apresente novas configurações políticas da Terra de Maria Chica. E-mail: gildassociais@bol.com.br; gilcriticapontual@gmail.com. www.criticapontual.com.br.

 

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