Olhar Crítico

Populismo

Começo meus aforismas deste domingo, dedicado ao reino de Momo, abordando temática alusiva ao Brasil e, quem sabe, possibilitar aos meus leitores a compreensão dos últimos acontecimentos nesta Terra de Maria Chica. Estou no meio de uma pesquisa objetivando encontrar, em seu final, alguns apontamentos que me permitam compreender esse Brasil do presente repleto de messianismos, discursos nacionalistas e outros líderes populistas e suas toscas verborragias eleitoreiras. E para que o meu escopo seja minimamente alcançado retornei às páginas do clássico da Ciência Política brasileira O populismo na política brasileira (2003), de Francisco Weffort.

 

Demagogia

Em determinado trecho de sua narrativa científica, o professor da USP disse que uma das características da liderança populista está a demagogia, sendo que o pequeno demagogo local traduz e mistifica a insatisfação popular (WEFFORT, Francisco. O populismo na política brasileira. Rio de Janeiro: Paz e Terra, p. 42). Posto isto, é interessante que o leitor atento compreenda que, nas mais de cinco mil paragens deste país, existem miríades de políticos que, ao serem surpreendidos com as digitais no dinheiro alheio, soltam logo seus conhecidos bordões: “sou inocente, isso é coisa da oposição e dos inimigos políticos!”. Há ainda aqueles que discutem com seus antigos pupilos, atuais desafetos. Esse é o Brasil que as linhas confeccionadas por Weffort quer retratar. Quem quiser saber mais sobre esse “câncer” chamado corrupção fere de forma letal o amanhã deste país, pode percorrer as páginas dos livros Controle social da administração pública (2007) e O combate à corrupção nas prefeituras do Brasil (2003).

 

Sentença

Enquanto estiverem percorrendo as linhas que compõem as duas obras, os meus caros leitores poderiam também ler as notícias dos jornais que circularam em Penápolis, entre quarta-feira e ontem. O assunto foi um só: a condenação em segunda instância, ou seja, no âmbito do Tribunal Estadual de Justiça (TJESP) por improbidade administrativa. Vejam bem, não é este colunista quem está afirmando ou acusando ou sentenciando, mas apenas o egrégio tribunal paulista, através do desembargador relator José Luiz Gavião de Almeida quem o condenou. Todos já sabem o motivo de tal pena e as implicações que a dosimetria provoca no arauto peessedebista penapolense. De acordo com o material divulgado por este jornal, pela aplicação da letra fria da lei, o chefe do Executivo deve deixar o cargo máximo da cidade, além de perder os seus direitos políticos por cinco anos, além do pagamento de uma pesada multa – que o próprio apenado acha pesada demais.

 

Cumpra-se

Esses são os fatos, contra os quais não se tem argumentos, apenas verborragias demagógicas de que não se é isso e nem aquilo, todavia, a sentença é clara. Mas por outro lado, não podemos esquecer que cabe recurso na instância superior, entretanto, há uma discussão significativa nesse ponto. Ainda que esteja tramitando no STF (Supremo Tribunal Federal) – que os leitores me corrijam se eu estiver equivocado – matéria sobre o cumprimento da pena quando ela é aplicada por órgão colegiado e somente depois, o réu pode entrar com recurso na corte superior, penso que a questão deveria ser tratada pela Câmara de Vereadores, inclusive porque a denúncia, se a memória não me escapa partiu de três representantes do povo na legislatura passada, que, em virtude da atuação em prol dos direitos dos cidadãos eu os chamei de trio de ferro do legislativo.

 

Interpelações

E agora vereadores? A peleja está com vocês, principalmente aqueles que militam na oposição. Só não vale dizer, conforme o próprio prefeito afirmou a um jornal da região – que o valor é uma “merreca”, portanto, não convém discutir o impeachment do chefe do Executivo por conta da sentença em segunda instância aplicada ao alcaide penapolense. Só para lembrar uma frase do senador Cristóvão Buarque por conta das discussões sobre a queda da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), mas que pelo conteúdo pode ser útil para esse momento em que o prefeito se vê em mus lençóis e acossado pelas condenações que a Justiça lhe aplica. E olha que ainda tem aquele filme Tudo por uma esmeralda, que promete se transformar numa obra fílmica de terror.

 

Merreca

Mas o que diz o político candango: “eu não acho que a palavra impeachment deva causar arrepios. O que causa arrepio é estar na boca do povo, e silenciá-lo é que seria golpismo”.  Cristóvão Buarque disse isso no dia 09/02/2015, ou seja, há três, todavia, o tempo passou e o conteúdo continua atualíssimo, principalmente agora, segundo o zum-zum na praça, a Câmara Municipal precisa se manifestar, sem ter o direito de jogar tudo para debaixo do tapete a espera da decisão da Justiça Federal. É preciso que os 13 vereadores se coloquem em defesa da população e não apenas caia no discurso de que 17 mil quiseram o prefeito e que por isso, não lhes cabe se posicionar com relação à sentença do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. Talvez o valor apontado pelo TJ possa ser merreca para o chefe do Executivo, mas para muitos dos quase 13 milhões de desempregados deste país, seria significativo diante do arrocho e dificuldades financeiras pela qual seus familiares passam.

 

Comunicação

Ainda no âmbito da sentença aplicada ao atual alcaide pelo Tribunal de Justiça, confesso-te meus caros leitores que ainda não entendi o material que a Secretaria de Comunicação produziu para que o prefeito fizesse uma explanação – leia-se indignação publicamente pela dosimetria dada pelo TJ. Posso estar enganado, mas o que me consta, é que o objetivo da secretaria é justamente fornecer informações e prestar contas aos cidadãos das obras e outras ações que a prefeitura vem fazendo em prol da coletividade, como por exemplo, o combate aos mosquitos propaladores de doenças tropicais e aos constantes surtos de pernilongos que assolam vários pontos de Penápolis. Reitero, posso estar equivocado nessa minha leitura, e caso isto ocorra, estou apenas manifestando uma dúvida que me ocorreu quando li o material, não o produzido pela reportagem do INTERIOR, mas aquele que a Secom envia a todos os veículos de imprensa da cidade. E-mail: gilcriticapontual@gmail.com; www.gildassociais@bol.com.br. www.criticapontual.com.br.

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