Olhar Crítico

Teatro

Um dia desses caminhava pelas ruas e avenidas da cidade e passei pelas vias que ficam perto do teatro municipal e pude observar que o prédio está concluso e, caso eu não esteja equivocado, pronto para ser entregue à população. Sendo assim, penso que, por aquele palco que já recebeu diversas apresentações, revelando uma quantidade significativa de atores, a reinauguração mereceria uma série de apresentações singular. Quem sabe se um daqueles artistas que por lá passaram não prestigie a festividade?

 

Opinião

Já que estou tratando da arte de encenação teatral, dividirei aqui com os meus leitores uma definição simples, porém, direta e completa sobre esse ofício. O ator global, Lázaro Ramos, em seu livro Na minha pele diz que “o ator é aquele que dá seu testemunho de mundo no palco, na tela, em cada personagem que aceita fazer, em cada depoimento público na arena da mídia” (Companhia das Letras, 2017, p. 93). Pois bem, se o ator e agora escritor baiano tem razão, ou seja, de que o ato de encenar tem, entre outros escopos, representar e interpretar uma dada realidade, o nosso teatro tem histórias para contar desde a escravidão até a pífia integração dos descendentes de africanos na sociedade do trabalho assalariado.

 

Atores

Desta forma, uma dica às autoridades constituídas eleitoralmente. Quando forem realizar as atividades de reinauguração do teatro, seria interessante convidar alguns atores amadores e profissionais que passaram por aquele tablado, entre eles o ator e diretor penapolense Sérgio Modena, que chegará hoje a Penápolis para visitar seus pais! No segundo semestre de 2017 ele esteve em cartaz em São Paulo com o musical Garota de Ipanema: o musical da Bossa Nova. Modena escreveu e dirige o espetáculo que deverá entrar em cartaz em Março, só que desta vez no Rio de Janeiro. Sendo assim, acho que valeria, antes de tudo, uma entrevista com esse ator que começou sua carreira nos palcos do nosso teatro municipal.

 

Livro

E já abordei o livro do Lázaro Ramos, é interessante os leitores notarem o enfoque que ele dá nessa obra, meio que autobiográfica, ou seja, de sua existência enquanto afro-brasileiro numa sociedade com fortes resquícios escravagistas, preconceituosa e hipócrita. É significativo atentar para o fato de que o ator baiano e sua esposa têm excelente destaque na maior emissora televisiva do Brasil, portanto, podem falar sobre a sociedade da qual fazem parte a partir de um ponto de vista privilegiado: a televisão que reproduz estereótipos, tentando justificar que a arte imita a vida, entretanto, ao imitá-la reafirma seus dogmas e estigmas, cujas principais vítimas são os descendentes de escravos que assistem atônitos o desenrolar de suas existências concretas no plano ficcional. Eu já escrevi sobre isso em outro lugar.

 

Pronto-socorro

Os meus leitores devem-se estar perguntando por que eu ainda não tratei aqui da polêmica envolvendo a “terceirização” -privatização – do pronto-socorro municipal? Em primeiro lugar, ainda está-se na guerra de liminares daqui e dali, aceita hoje, recusa amanhã e assim caminha a humanidade. Há aqueles que acreditam que a peleja vai terminar como a historieta do PSF (Programa Saúde da Família), mas existem outros que creem que tudo terminará bem e o atendimento no PS será de primeiro mundo, porém, não é possível esquecer que lá a saúde é custeada pelo paciente. Nesse quesito, é preciso avaliar a coisa com mais acuidade, pois o processo visa melhorar a qualidade de atendimento, então, ainda é cedo, demasiado cedo para dizer alguma coisa, contudo, cabe aos vereadores a fiscalização diária dos serviços prestados.

 

Trânsito

Em conversa com o secretário de mobilidade urbana, Mauro Olympio, perguntei-lhe sobre a municipalização do trânsito. Este me informou que já enviou parte da documentação para o Detran e que, inicialmente a fiscalização do trânsito permanecerá com a Polícia Militar, mesmo porque a criação de uma guarnição da Guarda Municipal precisará constar da Proposta Orçamentária para 2019, conforme determina a LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal). Do meu lado, disse-lhe que estou no aguardo e espero sinceramente que a Guarda Municipal seja criada, não só para fiscalizar o trânsito, mas também para auxiliar no combate a criminalidade.

 

Redução

E já que a temática é o mundo da criminalidade, em primeiro lugar parabenizo a Polícia Militar de Penápolis pela redução no número de crimes praticados na cidade. Isso significa que o trabalho vem sendo realizado e a população se sentindo cada vez mais segura na outrora pacata Terra de Maria Chica. Mas por outro lado, é assustador observar que todos os dias os jornais, inclusive este, estampam em suas páginas que fulanos e beltranos foram presos acusados de traficar e os crimes são praticados, sobretudo nas áreas dos conjuntos habitacionais, instalados e criados para abrigar e dar moradias às pessoas mais carentes da cidade.

 

Interpelação

Como perguntar ainda não é crime e nem ofende a honra de político nenhum: o que de fato está acontecendo? Em primeiro lugar, é preciso ter claro que, onde há mercadoria é porque existe o consumo e se o mesmo é real, é preciso encontrar os vendedores que, em muitos casos optam por esse caminho por falta de esperança num amanhã diferente. Mas traficar e incorrer contra as leis vigentes de um país, não solucionará o problema, pelo contrário, a tendência é só aumentar o sofrimento. Se eu perguntar onde as autoridades estão falhando ou erraram, poderão dizer que busco a culpa naqueles que foram eleitos para solucionar as questões do dia a dia duma cidade do porte de Penápolis. Contudo, penso que se faz necessária uma avaliação criteriosa, principalmente no campo social, pois a Polícia vem fazendo o seu trabalho, o que evidencia que a questão deixou de ser meramente de policiamento, adentrando na subjetivação dos sujeitos sociais. Por hoje é só. E-mail: gilcriticapontual@gmail.com, www.gildassociais@bol.com.br. www.criticapontual.com.br.

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