Olhar Crítico

Consciência

Dias desses, eu caminhava, absorto em meus pensamentos, pela praça – não é a do poeta dos escravos Castro Alves [1847-1871] – Dr. Carlos Sampaio Filho e, durante o passeio, me encontrei com um político de grande envergadura pessoal que nos deixou um significativo legado. A conversa foi rápida, porém, o suficiente para que, no trajeto que fazia, ficasse pensando sobre a tal da consciência do brasileiro. Quem me perguntar se há alguma, a resposta será: dificilmente iremos vislumbrar o Brasil com um povo politizado e, isso por várias razões, entre elas, aquela escudada na prática do beijo mão, conduta recorrente na monarquia, mais especificamente nas manhãs de sábados, quando D. Pedro II abria as portas da residência imperial para receber a plebe e ouvir suas queixas, tentando resolvê-los e no final, o visitante lhe beijava a mão na expectativa que sua peleja fosse equacionada.

 

Praça

E já que comecei essa jornada dominical tratando da praça, versificada pelo autor de Navio negreiro, achei estranha uma coisinha que pode passar despercebida por muitos, mas me parece um pequeno deslize. Na fonte, cuja beleza embalou muitos amores e casamentos – têm muitos casais que deram o primeiro beijo apaixonado num domingo à noite depois de se encantarem com o telão do Palácio encantado da cidade -, há duas placas identificando três prefeitos que realizaram obras ali: Joaquim Veiga de Araújo; Nagib Sabino e o petista João Luís dos Santos. Ficou, de acordo com algumas consultas aos anais da história da cidade, o nome do engenheiro Edson Geraissate que, para muitos penapolenses, foi um excelente administrador. Posto isto, fica a dica às autoridades: repararem o equívoco afixando uma identificação deste gestor que embelezou a praça – que é do povo, assim como o céu é do condor – e a fonte luminosa.

 

Educação

Deixando a praça e os gorjeios de seus mais ilustres habitantes e partindo para o campo educacional, parabenizo novamente a direção da escola estadual Ester Eunice A. F. Oliveira, a equipe gestora, técnico-pedagógica e, em especial, a professora de educação física Marileide Ferracini. Os fatos que são dignos de meus olhares dizem respeito às conquistas no campo esportivo – ferramenta significativa no combate ao mundo do crime. O primeiro “olhar” vai para a equipe de futsal mirim da instituição de ensino que conquistou o primeiro lugar no JEESP (Jogos Estudantis do Estado de São Paulo). O segundo é dirigido ao time de futsal que venceu o torneio da modalidade promovido pela UMES (União Municipal de Estudantes Secundaristas). Além do destaque no campo esportivo, há também a apresentação do trabalho idealizado pela professora-poetisa de Língua Portuguesa, Luciana Nadai. O espetáculo integrou o 9º Tempo de Refletir promovido pela Diretoria Regional de Ensino de Penápolis.

 

Massa asfáltica

Não posso deixar de enfatizar aqui, mesmo que de forma lacônica, a massa asfáltica assentada na Avenida Luiz Osório, a principal via de acesso ao centro da cidade e de um importante clube. Já existem aqueles que estão com saudades dos paralelepípedos. Havia os sacolejos quando se passava pela rua carroçável, entretanto, não precisava desviar das crateras que se formaram no meio daquela avenida. É interessante notar que os buracos – fiéis depositários de água e criadouros de mosquitos que transmitem diversas doenças, entre elas a famosa dengue e o zika – deixaram às vistas a espessura da massa asfáltica, seno possível avaliar a qualidade do serviço. A quantidade de asfalto é fininha, parecendo massa de pizza e lembrando os recheios que se colocam em bolos de aniversários ou a extensão dos intervalos nas escolas da cidade – os alunos queriam que o tempo fosse maior. Parece-me que os vereadores já acionaram o Ministério Público – fórum apropriado para isso – para que a coisa fosse investigada. Então aguardemos as cenas dos próximos capítulos da novela asfáltica e enquanto isso, que tal ler Beijo no Asfalto – Nelson Rodrigues.

 

Trânsito

Na semana passada escrevi umas “mal traçadas linhas”, como diria o enigmático escritor Machado de Assis (1839-1908), abordando a municipalização do trânsito. Será que enfim acontecerá? É o que este colunista e seus leitores esperam, todavia, é preciso algumas observações, conforme as fiz ao secretário de Mobilidade Urbana, o PM aposentado Mauro Olympio dos Anjos. Antes de adentrar no cerne da temática, agradeço-lhe a atenção que sempre tem dispensado aos meus aforismas, ora para dizer que não gostou do que escrevi ou para me parabenizar pelos aforismas – acho que o segundo momento ganha do primeiro. De qualquer forma, é sempre importante conversar com os meus leitores, como por exemplo, aquela funcionária da Zona Azul que sempre dialoga com este que vos escreve.

 

Municipalização

Nunca é demais lembrar que, com a municipalização e a fiscalização do trânsito local, penso que as multas de solo e aéreas serão aplicadas por integrantes da Guarda Municipal. Portanto, sem a criação dessa guarnição, não haverá a municipalização total, mas apenas renomeação da questão, a exemplo do que aconteceu com a passagem da Monarquia para a República, ou seja, apenas mudou-se a tabuleta da confeitaria do Custódio – célebre personagem do romance machadiano Esaú e Jacó. Mas, para não perder o foco, eu disse ao Mauro Olympio que era preciso liberar a PM deste trabalho de fiscalização e aplicação de multas para que os policiais possam fazer um trabalho mais ostensivo de combate à criminalidade – isso já é bem realizado em nossa cidade, mas há sempre espaço para melhorias.

 

Conta gotas

Pelo que pude compreender, a intenção é fazer a municipalização a conta gotas. Agora se faz uma coisa, se solta folguedos e depois, num outro momento, se implanta nova fatia do bolo, mais festas e de grão em grão se municipaliza o trânsito. Em minha opinião a coisa precisa ser de uma vez só: cria-se a Guarda Municipal, cujos custos serão cobertos pelos 100% das multas e 100% do IPVA, e vai-se educando os motoristas. Não adianta vir com conversa disso e daquilo, pois o CTB está em vigor já faz um tempinho, quem sabe, umas duas décadas.  Se for para municipalizar e deixar a Polícia Militar fazendo o trabalho, é melhor ficar como está! De qualquer forma, gostei muito da conversa que mantive com o secretario de Mobilidade Urbana. Fico por aqui, prometendo na próxima semana tratar da questão envolvendo o AME mais ou menos e a cobrança feita pelo vereador Valadão Ambrósio que, de situacionista passou a militante da oposição. E-mail: gilcriticapontual@gmail.com. gildassociais@bol.com.br. www.criticapontual.com.br.

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