Olhar Crítico

Política

Já estamos em plena Primavera, mesmo com as temperaturas meio que elevadas, e o momento é para se parabenizar a diretoria do Grêmio Estudantil da Escola Estadual Ester Eunice que, em parceria com a equipe gestora daquela unidade, criou o projeto “Batucada para a cidadania”. O objetivo é fazer com que a instituição de ensino, através do grêmio, auxilie os estudantes do ensino fundamental dois e ensino médio a construírem diariamente suas cidadanias, mediante diálogos entre eles, intermediados sempre pela equipe pedagógica escola, além de proporcionar aos alunos um contato mais amplo com o universo musical. Quem prestigiou o desfile de sete de setembro pode vir um pouco do que vem sendo realizado no campo artístico e político, tendo em vista que o agir político pode advir de ações como esta que a entidade representativa dos alunos está realizando naquela escola.

 

Ciência

E já que comecei tratando do universo pedagógico e educacional e sua vertente política, é importante apontar que a EE Adelino Peters promove, entre os dias 27 e 29 deste mês, a sua III Mostra Científica e Cultural. Também nessa linha, a outra escola estadual da cidade, Yone Dias de Aguiar, realiza evento semelhante, porém, apenas na sexta-feira, 29, isto é, sua feira científica. Diante disso, me regozijo com tais atividades nas unidades escolares da cidade, principalmente em tempos de violência e diversos tipos de agressões praticadas pelos alunos contra aqueles que têm no ofício de ensinar um sacerdócio. Conforme apontei em artigo publicado nesta página na última quinta-feira, 21, uma sociedade que aceita que seus professores sejam vilipendiados durante o seu trabalho, está completamente doente e tal moléstia transparece quando um funcionário público estadual, que tem cargo na estrutura educacional paulista, tenta induzir a comunidade a aceitar tal acinte, pois os níveis de violência reproduzem o que acontece fora dos muros escolares.

 

Arte

Outra unidade educacional de Penápolis que apresentará, por meio de uma exposição, suas atividades é o Colégio Futuro. A escola realiza, entre os 28 de setembro e 1º de outubro, a 3ª edição da Feira de Artes. A exposição, contendo os trabalhos artísticos do corpo discente daquela instituição, acontecerá nas dependências do Garden Shopping. Essa é uma ótima oportunidade para que os frequentadores daquele espaço observem um quantum do trabalho pedagógico que acontece na instituição. Um exemplo do que aponto aqui, pode ser observado através dos resultados das últimas três edições da Maratona Cívico Cultural Semana Pátria, nas quais o Futuro figurou entre as primeiras colocações. Enfim, ao que tudo indica, apesar dos percalços, justamente provocado por aquelas pessoas que não acreditam que a educação continua sendo o melhor caminho para tirar esse país do atoleiro em que se encontra, lançado no lamaçal pela categoria política viciada em enriquecimento a partir dos cofres públicos, ainda há luz no final do túnel pedagógico.

 

Judas

Mais uma da série Judas, o quase Iscariotes do mundo da política. O fato que deixou estarrecido, até onde se sabe, alguns de seus eleitores, foi o vereador Bruno Marcos passar da oposição a apoiador irrestrito do atual prefeito. Há quem diga que isso ocorreu por conta de um apadrinhamento não muito pretérito no cenário local e o representante do povo e do PSD no legislativo preferiu a fidelidade ao novo arauto do PSDB local a seguir os ditames partidários e o desejo de seus leitores. Desta forma, ao que me parece, a frase Tu quoque, Brute, fili mi? (Até tu, Brutus, meu filho?), será pronunciada por grande parte dos eleitores deste vereador. Até ai nada demais, mesmo porque como dizia Nicolau Maquiavel, a um príncipe – e eu estenderia para os aprendizes de governantes – não é cobrada a manutenção da palavra dada, pois aquilo que provocou a promessa não existe mais, se tornando inócuo o político ter fidelidade canina ao que pronunciou no palanque no calor da campanha, e olha que tem gente, ou melhor, político afirmando que para vencer eleição se faz o diabo – resta saber se estará em condições de suportar a cobrança da fatura, pois o poder não pertence ao eleito, mas sim aos seus eleitores que poderão se recusar a validar, por mais quatro anos, o mandato do Brutus pós-moderno.

 

Traição

Também há um zum-zum na praça, que não é a do povo versada pelo poeta dos escravos, Castro Alves (1847-1871), segundo o qual, o PSD – legenda cujo diretório em Penápolis foi construído pelo chefe do Executivo que, posteriormente deixou órfão seus correligionários – é realmente o partido da traição política nas cercanias de Penápolis. Quem não tem memória curta irá se lembrar dos fatos que marcaram o rompimento dos principais cardeais do PSD local com o ex-vice-prefeito Ricardo Castilho e o PV. A debandada, primeiro foi para o PROS e em seguida para a agremiação comandada pelo ex-presidente da Câmara Municipal, Caíque Rossi. Nessa chave há quem acredite que o que vem ocorrendo no interior deste partido, a exemplo do que aconteceu num dos episódios do filme Jasão e os argonautas, é uma devolução da colheita a quem de direito. Ou seja, quem plantou uva colherá parreiras e mais parreiras, mas ai já não é com este que vos escreve meu caro leitor.

 

Análise

Em tempos de cancela cancelada e outras pérolas da política local, estadual e nacional em que não se salva nenhum político, exceto alguns que têm brio na cara e respeito pelo seu eleitorado já que escuta a comunidade antes de tomar medidas, no mínimo arbitrárias, sendo obrigados posteriormente a modificar aquilo que se tinha como certo e absoluto, vendendo a prática como uma panaceia pós-moderna, é que me coloquei o desafio de tentar entender esse cenário, principalmente porque este é fruto de um passado não muito distante, caso queira se pensar nos blocos históricos e seus modelos interpretativos. Desta forma, me dei à tarefa de percorrer uma bibliografia específica sobre a temática populista e coronelística no Brasil. A primeira obra da lista é o clássico da ciência política nacional, O populismo na política brasileira, escrito pelo professor da USP, Francisco Weffort. O segundo é os dois volumes de Os donos do poder, de Raymundo Faoro (1925-2003). Quem quiser me acompanhar e conversar comigo sobre o que os textos apresentam, sinta-se a vontade. Por hoje é só pessoal, na próxima semana quem sabe eu volto com novidades do mundo da cancelaria, ou as suas inconsequências. E-mail: gilbertobarsantos@bol.com.br, gilcriticapontual@gmail.com, social@criticapontual.com.br. www.criticapontual.com.br.

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