Olhar Crítico

Vazamento

Começo meus olhares dominicais tratando de um assunto enigmático: trata-se do vazamento no reservatório de água do Jardim do Lago. O problema, ao que consta, não é de hoje, mas também não tão antigo assim, mesmo porque a caixa d’água não foi erguida faz tempo, mais especificamente em 2015. Até ai nada de mais, entretanto, como questionar ainda não ofende os homens públicos eleitos pelo povo ou quase isso – tendo em vista decisões recentes do “tapetão” – por que, se o recipiente não estava pronto, começou a funcionar? Será, relembrando o ex-presidente da República, Jânio da Silva Quadros (1917-1992), que forças ocultas da política local determinaram a aceleração na construção e a necessidade de ser inaugurado antes do pleito de 2016? Parece-me que essa resposta não será encontrada tão cedo. Portanto, passemos ao próximo assunto!

 

Projeto

Ainda no campo da interpelação, confesso-te meu caro amigo leitor que ainda não entendi a questão envolvendo o Hospital Espírita João Marchesi, referência regional no tratamento de distúrbios psicológicos e psiquiátricos, no que diz respeito à manutenção das “Residências Terapêuticas”. Pela notícia que este jornal publicou, a instituição, como toda entidade que tem como objetivo atendimento de qualidade à população desprotegida do ponto de vista econômico, passa por dificuldades, seguindo o exemplo daquele velho ditado, frio de mais quando o cobertor é pequeno, contudo, os administradores do hospital continuam na toada, trabalhando para assistir os necessitados. Parece-me que a peleja estava por conta de R$ 90 mil que o HE precisava para solucionar questões alusivas à manutenção de significativo projeto.

 

Incongruências

A partir do meu ponto de vista – que é claro não tem escopo de ser universalista, mas apenas o de alguém que busca compreender as andanças políticas e sociais na polis, não a grega, mas as de Maria Chica – me parece haver incongruências na maneira como a prefeitura se portou com o hospital nessa pendenga. Explico: em tempos de se comprometer a pagar aluguel de imóvel para que o governador autorize um AME para Penápolis – tenho cá minhas dúvidas se isso um dia vai acontecer [sem é claro, torcer pelo touro] e por diversas razões -, além de, em tempos não muito remotos, o Legislativo devolver sobras de recursos aos cofres municipais, a direção do HE ter que quebrar a cabeça para não deixar o projeto “Residências Terapêuticas” ir a nocaute.

 

Complexidade

A coisa fica mais complexa ainda quando o prefeito, no afã de se defender, indigna-se porque essa cobrança populacional sobre a administração pública não foi feita durante a gestão do interino. Acredito que isso não ocorreu por que naquela ocasião, não havia o problema. Mas de qualquer forma, o momento não era o de ficar propalando isso e aquilo, quando o significativo programa que o Hospital Espírita conduz estava nas cordas sendo acossado pelas contas, correndo o risco de ser paralisado e ir à lona. Todavia, como Penápolis é uma cidade solidária, conforme já tenho apontado aqui e inclusive em outras cidades pelas quais tenho passado e residido em tempos pretéritos por conta de meus estudos científicos, acredito que a situação será resolvida, se é que já não foi, quando o meu caro leitor estiver lendo esses aforismas. Sendo assim, passemos ao tema seguinte.

 

Social

A Associação Unidos pela Vida, que executa o programa Ainda é tempo objetivando auxiliar os menores que passaram pela Fundação Casa e seus respectivos familiares, já começou a trabalhar na segunda etapa do projeto Mudanças de paradigma da realidade social. É o quinto ano consecutivo que a entidade realiza o trabalho e, de acordo com os executores do programa, o escopo tem sido alcançado, ou seja, evitar que adolescentes, com histórico no universo criminal, voltem a delinquir depois de deixarem a Fundação Casa onde passaram determinado período, de acordo com o que prevê o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) – código que completou 27 anos de vigência, tendo alcançado muitas coisas, inclusive a melhoria na qualidade de vida de crianças e adolescentes do Brasil. Claro que isso não é tudo, pois não é somente ter uma lei em vigência que os problemas estão resolvidos, é preciso mais, inclusive emprenho das autoridades constituídas de forma eletiva, mas, sobretudo, dos pais aos quais cabem as principais responsabilidades no processo de socialização primária – momento em que as crianças recebem noções de moral, ética e respeito ao próximo, sem contar outras adjetivações necessárias para se tornar um ser social, dentro do que as regras sociais determinam.  

 

Esquerda

Iniciei a leitura do mais novo livro do filósofo e professor da USP, Ruy Fausto Caminhos da esquerda (Companhia das Letras, 2017). A análise será feita a partir de determinados pressupostos, não somente os presentes no Brasil, como também, em linhas gerais, no mundo. Para o catedrático da Universidade de São Paulo, “a surpreendente vitória do populista de direita Donald Trump nas eleições presidenciais americanas em novembro foi, infelizmente, a novidade mais importante no plano internacional” (FAUSTO, 2017, p. 7). É significativo salientar que o meu objetivo não é dizer que a esquerda brasileira faliu, sem se quer ter existido em algum momento no país, mas tão somente o de entender como políticos que se diziam ter suas consciências voltadas para a transformação social da Nação se deixaram levar pela mosca do capitalismo se envolvendo com os plutocratas através duma burocracia aristocratizada em busca de enriquecimento por meios ilegais.

 

Literatura

As minhas futuras abordagens sobre essa temática serão escudadas pela releitura do romance História de pobres amantes, do escritor italiano Vasco Pratolini [1913-1991]. A primeira leitura foi feita entre a fase da adolescência e meu ingresso no curso de Ciências Sociais, portanto, motivada por uma visão de mundo própria daquele período. Três décadas depois, retorno àquelas páginas – há um exemplar na Biblioteca Pública Municipal da cidade – agora com outro portfólio analítico e outras leituras – entre elas o romance O marido dela, do também italiano Luigi Pirandello [1867-1936] -, atreladas a algumas considerações feitas pelos pensadores italianos Vilfredo Pareto [1848-1923] e Gaetano Mosca [1858-1941]. Hoje eu fico por aqui, voltarei em outro momento para abordar a sentença aplicada ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e seus arroubos de completa arrogância, próprios daqueles que se creem acima do bem e do mal. Evidenciarei também a votação esdrúxula na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Federal sobre a problemática envolvendo o presidente da República, Michel Temer (PMDB). E-mail: gilbertobarsantos@bol.com.br, gilcriticapontual@gmail.com, social@criticapontual.com.br. www.criticapontual.com.br.

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