Olhar Crítico

Política

Da série o que você, caro leitor, está lendo, eu inicio os meus olhares informando-te que a minha leitura deste final de semana enfocou o livro A queda de Dilma: os bastidores do impeachment da presidente que desprezou as lições políticas de Maquiavel. A obra foi cunhada pelo jornalista Ricardo Westin e, para que os interessados saibam, na orelha é possível colher um pouco sobre o que as 190 páginas nos oferece em termos de compreensão do que foi aquele 31 de agosto quando a petista Dilma Rousseff foi afastada definitivamente – nem tanto assim, pois não perdeu os direitos políticos – da presidência da República.

 

Orelha

Esse pequeno excerto diz que “desde 2011, Lula aconselhava Dilma a fazer um afago em [Michel] Temer, dando-lhe algum cargo de relevo no governo. A presidente por fim tirou seu vice da geladeira em 2015, encarregando-o de negociar projetos de lei no Congresso. Com Temer, a Câmara se mostrou disposta a desobedecer ao deputado Eduardo Cunha [PMDB] e colaborar com o governo. Dilma, porém, ficou desconfortável vendo o vice ganhar poder [eis a vaidade humana – os gregos são mestres em apontar isso no ser humano] e começou a sabotá-lo. Temer saiu batendo a porta. Passou a fazer reuniões com políticos da oposição e grandes empresários e a questionar em público a competência da petista para tirar o Brasil da crise. Sem pudor, ele tentava arrancar a faixa verde e amarela do peito da titular”.

 

Lá e cá

Pelo conteúdo da singela apresentação da obra, é possível antever o seu conteúdo. Quem sabe na próxima coluna eu apresento as minhas impressões da leitura que fiz, seguindo o exemplo do livro do jornalista Mário Sérgio Conti: Notícia do Planalto: a imprensa e Fernando Collor. Todavia, uma coisa é certa: tanto lá quanto cá o que se observa é a vaidade humana tentando de todas as formas e, às vezes conseguindo – sabe-se lá como – se manter no poder e, quiçá ficar propalando unidade, destilando veneno, como se diz no jargão popular – e desferindo tijoladas naqueles que estavam no governo, por conta da lei. Confesso-te meu caro leitor dominical que ainda não entendi tais assertivas: Temer e Dilma – parceiros de outrora, ao que parecia, para sempre, entretanto, bastou não dar as cartas para que a queda fosse trama, por um lado, mas por outro, bastou o vice criar o seu espaço, que a ciumeira apareceu – eis o mundo narcísico e dá-lhe Narciso e a Mitologia Grega!

 

Unidade

Se isso foi lá, cá não foi diferente, pois o amigo de palanque virou inimigo institucional somente porque foi interino. Ontem, bradavam nos palanques populescos e bajuladores que se era isso e aquilo e hoje, é um quê de ficar alfinetando, mas na aparência, demagogicamente se brada unidade, mas nos bastidores constroem-se ódios que prometem ser eternos. Isso me reporta a um determinado momento histórico, não muito longínquo em que se rompe com o parceiro que foi chamado para compor a caravana por acha-lo um grande político, mas bastou ser contrariado, para que a desavença se transformasse em inimizades, mas como dizem as más línguas, em política não se tem amigos, apenas parceiros de oportunidades, mesmo porque, ao político não é cobrada a palavra dada num determinado momento, pois no instante seguinte a situação já mudou. Desta forma, pobre do eleitorado que, a exemplo de Prometeu, um dia acreditou que no dia seguinte seus acalentos iriam acontecer, ou seja, que a ave de rapina deixaria de lhe devorar o fígado – isso é alegórico, mas no mundo real a situação é bem outra, entretanto, continuemos a analisar essa máquina-ferramenta de ludibriar o povo: a atroz verborragia eleitoreira!

 

Esmeraldinas

Calma, meu caro leitor, não se trata de informação sobre a problemática envolvendo as gramíneas, cujo processo ainda tramita na Justiça local, mas sim de outra pendenga envolvendo as esmeraldas, contudo, sem ser as do filme Tudo por uma esmeralda, mas no que diz respeito à poda das gramas plantadas para embelezar e esverdear a cidade – enegrecida por disputas vaidosas no campo da politicalha local. Segundo várias reclamações que chegaram até este colunista, o trabalho de poda das esmeraldas e outras gramas, pode estar sendo feito de forma equivocado, pois ao apará-la os servidores não estariam retirando, por exemplo, os pés de diversos tipos de capim que, depois de certo tempo, crescem em quantidades maiores do que as gramas plantadas. Parece-me que os apontamentos chegaram aos ouvidos da ouvidoria eletiva (Câmara Municipal), todavia, ainda não haviam sido processadas as melhoras na poda das esmeraldinas.

 

Exército

Deixando o verde que te quero verde de lado e voltando os olhares para a capital candango e a medida adotada pelo presidente Temer – que balança no cargo -, em virtude de sua temerária gestão, é interessante observar o decreto que Temer baixou, para, quase 24 horas depois, revogá-lo. Pelo documento, as Forças Armadas – leia-se Exército – faria guarda para preservar os prédios públicos atacados por manifestantes que abusaram do direito de protestar contra o atual governo, passando a quebrar imóveis da União, portanto, da Pátria e na canção do Exército tem um refrão que diz que quando a Pátria for ultrajada, a instituição militar estará pronta a socorrê-la. Gerou muita polêmica o decreto presidencial e, em função da fragilidade governamental de seu autor, o chefe máximo do país voltou atrás e os coturnos retornaram à caserna, o que acho também uma sensatez, entretanto, faz-se necessário que os militantes anti-Temer e antidemocracia também compreendam os limites de manifestar seus descontentamentos com o atual quadro político nacional.

 

Militância

Ainda nesse âmbito, ao que me parece, quando os militantes atacam prédios públicos, evidenciam a falta de civismo e um apreço pela desordem, como se do caos fosse concretizar seus desejos de verem no poder máximo da nação um grupo que – até onde as investigações mostram – vilipendiaram os cofres públicos e se locupletaram com os recursos destinados aos cidadãos, porém, rechearam os bolsos de meia dúzia de políticos corruptos e seus asseclas – sim, porque aqueles que aplaudem e querem ver políticos corruptos – em vias de serem sentenciados – nos principais assentos eletivos do Brasil se comprazem com tais comportamentos, conforme José de Alencar já nos apresentava na década de 60 do século XIX. E-mail: gilbertobarsantos@bol.com.br, social@criticapontual.com.br. www.criticapontual.com.br.

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