Olhar Crítico

Prevenção

Começo os meus olhares dominicais informando aos meus leitores que a Associação Unidos pela Vida caminha para findar mais um ano com o projeto Mudança de paradigma da realidade social. Os trabalhos, realizados há cinco anos sob a coordenação do psicólogo Marcelo do Vale Garcia, conta ainda com a participação de outra psicóloga e um sociólogo. O objetivo do projeto, que integra o programa Ainda é tempo, é o de atuar junto aos adolescentes que se encontram em litígio com a lei, oferecendo-lhes ferramentas que os situem dentro de um contexto social que pode ser modificado a partir duma dupla mudança dos assistidos e seus respectivos familiares.

 

Resultados

Informações dão conta de que o escopo dos idealizadores do projeto vem sendo alcançada, uma vez que se pretende fazer com que o menor, com passagem pela Fundação CASA e em liberdade assistida, não volte a delinquir, entretanto, para que isso ocorra, fazem-se necessárias uma série de intervenções que não podem ficar restritas aos agentes públicos como os integrantes do Judiciário, dos aparelhos repressivos de Estado e outras entidades, como por exemplo, a Unidos pela Vida. É preciso muito mais, contudo, esse mais deve vir de onde? Da casa? Da Rua? Da escola? Das pessoas? Dos familiares? Das autoridades constituídas democraticamente para defender os interesses da população de um modo em geral? Parece-me que todos os profissionais que se imiscuíram na redução da criminalidade e o envolvimento de menores no mundo do entorpecente, porta de entrada para a violência e os demais delitos, têm pontos de vista diferentes no que diz respeito às respostas das interpelações feitas acima.

 

Árdua batalha

Contudo, sem querer dizer ou apontar o erro ou acerto nessa árdua batalha contra o universo dos entorpecentes, é preciso ficar claro que os trabalhos visando diminuir a quantidade de menores que ingressam no mundo criminal, por glamour, ou por buscarem uma vida mais fácil ou por dificuldades financeiras de seus familiares e também a pressa de encontrar um lugar ao sol, mesmo que este seja praticando crimes, deve ser concretizado pela sociedade como um todo e não apenas por um segmento, como temos visto na maioria das vezes, inclusive com lampejos de se, de tempos em tempos, pedir a redução da idade penal, ou seja, aquela em que o sujeito responde pelos seus atos infracionais que, dependendo de sua magnitude, acaba o trancafiando em masmorras superlotadas – mais ai é outra coisa. Para o momento nos concentremos em algumas ações que vem surtindo o efeito esperado.

 

PROERD

Estou falando do projeto que a Polícia Militar vem realizando há anos em Penápolis. Trata-se do PROERD – Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência – ministrado por policiais militares fardados e treinados para a tarefa. Todos os anos as cenas de prevenção se renovam: quando uma turma se forma e os monitores do projeto já se organizam para uma próxima etapa. A coisa é tão significativa que a direção do Colégio Futuro implantou um trabalho permanente de prevenção aos entorpecentes e outros tipos de violência e contravenções. Parece-me que as autoridades pedagógicas, como as policiais veem realizando a contento os papéis que lhe cabem dentro da estrutura social do mundo em que vivemos que, segundo o sociólogo Lucien Goldman em seu livro A sociologia do romance, está em profunda crise dos valores individuais e das esperanças que os sustentavam. Essa crise aparece, de acordo com Goldmann, numa crise de ação e também no âmbito do amor, da ética e demais valores em que apenas uma atitude sobrevive: o conhecimento.

 

Pais

Se por lado, as autoridades constituídas atuam nesse segmento visando à construção de uma cidadania plena a partir dos adolescentes, por outro, as unidades escolares dentro de suas possibilidades organizacionais e pedagógicas no âmbito público e privado, veem adotando medidas para coibir o consumo dessas substâncias psicoativas, porém somente isso não basta, mesmo porque todos são cônscios que as drogas estão varrendo para o ostracismo social muitos jovens, quando não os enviando para o cemitério! Desta forma, acredito que deva haver um envolvimento maior dos pais neste sentido e, eu o aponto com a seguinte interpelação: o que vocês estão fazendo para que seus filhos não se imiscuam com o mundo da criminalidade e da marginalidade?

 

Congregado social

Enquanto o caro leitor confabula com seus botões como o congregado social pode atuar no sentido de prevenção ao uso e o consumo, eu aponto meus olhares para as bandas de lá do Córrego Maria Chica, mais especificamente no prédio do Legislativo, onde por vontade popular, a maioria dos políticos que estão como vereadores até o dia 31 de dezembro deixarão seus assentos para uma nova leva de representantes da coletividade, entre elas, uma policial aposentada com quem tive o prazer de participar de uns encontros do grupo Amor Exigente. Portanto, ela tem um vasto trabalho na área preventiva e poderá contribuir sobremaneira com a questão que é emblemática, devendo, portanto, ser tratada com seriedade e não como se fosse num clubinho em que as amigas se reúnem para degustar o chá das cinco! Seja o chá com limão, com leite ou até mesmo puro, pois pouco importa, quando o que está em jogo é a panaceia de se dizer que esta alguma coisa!

 

Futebol

Deixando o mundo do debate e da prevenção ao uso de entorpecentes e ingressando em um universo que constantemente tem sido utilizado pelas autoridades constituídas eleitoralmente como sendo a área mais propícia para ajudar menores e adolescentes a sonharem cm um futuro melhor, ou seja, o mundo da bola – futebol. É desse setor que surge o meu último aforisma de hoje, justamente o que diz respeito à 48ª edição da Copa São Paulo de Futebol que acontecerá em janeiro de 2017. Penápolis será uma das sedes da etapa do torneio que tem como mérito revelar grandes craques para o futebol mundial, como por exemplo, o atacante do Palmeiras, Gabriel de Jesus que no final deste ano muda-se para a Inglaterra. Participam da chave, além do Penapolense (SP), Paraná Clube (PR), Paysandu (PA) e Volta Redonda (RJ). E-mail: gilbertobarsantos@bol.com.br, social@criticapontual.com.br, gilcriticapontual@gmail.com. www.criticapontual.com.br.

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