Olhar Crítico

Raízes

Começo meus olhares, na manhã deste domingo, recuperando um pequeno fragmento da significativa obra Raízes do Brasil, escrita pelo intelectual brasileiro Sérgio Buarque de Holanda (1902-1982) – livro que todos os brasileiros deveriam percorrer suas páginas para entender um quantum da gênese desta Nação. Em determinado trecho de sua narrativa, Holanda diz ser entendível que “em sociedades de origens tão nitidamente personalistas como a nossa, é compreensível que o simples vínculos de pessoa a pessoa […] tenham sido os mais decisivos”. Mas o que se pode aferir de tal enunciação? Lógico que a resposta deve levar em conta o conjunto do enredo tecido por Sérgio Buarque de Holanda, entretanto para os objetivos dos meus aforismas de hoje o fragmento da enunciação pode auxiliar na compreensão do cenário político brasileiro, passando por Brasília, pelo Estado Paulista, chegando à terra de Maria Chica.

 

Embates

Vejamos: enquanto no plano nacional, o Ministério Público Federal oferece ao juiz federal Sérgio Moro denuncia contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva atribuindo a este uma série de crimes, inclusive ser chefe de uma organização criminosa criada para lesar os cofres públicos e se locupletar com o dinheiro do brasileiro, no âmbito paulista, mais especificamente na Assembleia Legislativa, os deputados estaduais se engalfinham diante da investigação relativa a supostos desvios e superfaturamentos na merenda escolar de duas dezenas de cidades do interior do Estado. Embates político-partidários fazem parte da seara ideológica dum país, conforme apontou Sergio Buarque de Holanda, em que a peculiaridade do existir nacional “parece ter sido”, desde os períodos coloniais, “uma acentuação singularmente enérgica do indivíduo, do irracional, do passional, e uma estagnação ou antes uma atrofia correspondente das qualidades ordenadoras, disciplinadoras, racionalizadoras. Quer dizer, exatamente o contrário do que parece convir a uma população em vias de organizar-se politicamente”.

 

Lá e cá

Em Brasília, as coisas andam para lá de complicadas, tanto para o governo que assumiu os postos depois do impeachment da mandatária, outrora ungida pelo arauto do petismo nacional, por outro, o Homem de Garanhuns se vê cada vez mais entrelaçado, do ponto de vista negativo, com as tramoias tecidas nos bastidores palacianos para se perpetuar no poder ad infintium. Aqui a situação também anda periclitante, pois a disputa pela sucessão do atual prefeito ganhará nos próximos dias grande dramaticidade, pois, quiçá a Justiça Eleitoral de primeira instância ter concedido o registro ao atual chefe do Executivo, os advogados de um grupo opositor, ingressaram com ação no TRE (Tribunal Regional Eleitoral), coisa que o atual alcaide faria se a decisão lhe fosse desfavorável. O teatro dantesco pode ficar por conta da maneira como as informações chegam ao eleitorado – a meu ver, distorcidas, para não dizer enviesadas, objetivando apenas passar um lado da questão, quando o correto seria haver a imparcialidade, mas ai já não é com este colunista.

 

Hermenêuticas e hermeneutas

Mas voltando à seara brasiliense e aos ensaios sobre as origens do país que constam na obra Raízes do Brasil, é significativo observar que em sua gênese, a nossa nação carecia de um princípio ordenador racional. Comportamento de outrora que se mantem aqui desde a abertura democrática, tendo como ápice a nossa Constituição Federal que carece ainda de muitos ajustes, contudo, é ela que norteia as relações entre a sociedade, o Estado e os integrantes de um orbe carente de cidadania, cujas leis ainda, segundo o que se consta, são hermeneuticamente conduzidas de forma a favorecer determinados grupos em detrimento da razão e da letra fria da lei. Desta forma, os textos que Sergio Buarque de Holanda compôs em 1936 continuam atuais, pois analisar o passado significa compreender o presente e lançar os holofotes para o futuro – sem ser a sibila do castelo que permeia todo o penúltimo romance de Machado de Assis: Esaú e Jacó [quem quiser ler essa singular narrativa pode encontrar vários exemplares na biblioteca pública municipal que tem um excelente acervo à disposição do cidadão-leitor].

 

Debate

E já que a temática é mesmo a política local, informações que chegaram até este colunista dão conta de que um jornal regional realizará, no dia 26 de setembro, um debate com os candidatos a prefeito de Penápolis, contudo, há um entrave, pois o estafe do atual alcaide, postulante a própria sucessão, não garante a sua presença em tal evento. Parece-me que a sua ausência seria motivada pela participação do seu atual vice, porém desafeto político antes mesmo deste se apossar do principal assento da cidade. Se isso se confirmar, é lamentável, pois quem perde é a democracia e os penapolenses. Não entrarei no mérito da recusa e seus motivos, entretanto, penso que para administrar uma cidade como Penápolis, o governante não pode se recusar a debater com seus oponentes as ideias e os projetos que têm para o nosso orbe, exceto se o programa não seja voltado aos cidadãos e sim de si para si, desta maneira, o devir será governado pela e para a primeira pessoa do singular, o simplesmente: “eu”! Este colunista entrou em contato com o presidente do PSDB local, Benone Suarez de Queiroz e este informou que não procedem as informações segundo as quais o atual prefeito teria se recusado a participar do debate que vem sendo organizado pelo jornal regional.

 

Prometeu

Deixando a seara política penapolense de lado e retomando as investigações que são realizadas visando esclarecer os rombos perpetrados à maior empresa brasileira – de capital misto – a Petrobrás, as observações feitas não só por Sérgio Buarque de Holanda, mas também por Oliveira Vianna em Populações Meridionais do Brasil, são sempre uteis para se analisar o comportamento de Lula e a corte que o aplaude cada bravata propalada por ele como se estivesse nos seus tempos de sindicalistas que afrontava as multinacionais e outras empresas capitalistas e o poder dos coturnos. Mas, se lá, um séquito, ao mesmo tempo aplaude as verborragias ditas por um líder, que se quer messiânico – já que sempre diz “nunca antes na história” carreada por palavras de ordem “deixem o homem trabalhar” – aqui em nossa cidade, há que analisar a questão sucessória com mais racionalidade e menos emotividade, contudo, o homem é muito mais emoção do que razão e na maioria das vezes é governado por desejos imediatos que são manipulados por Prometeus que emergiram do legislativo.

 

Handebol

Encerro meus aforismas dominicais, na expectativa de termos grandes questões advindas de Curitiba e também da corte eleitoral em sua segunda instância, parabenizando a equipe de Handebol do Colégio Futuro pelo espírito de luta na partida contra o time do Coração de Maria. O destaque diz respeito não ao resultado da peleja, mas sim, pela forma como os estudantes do Futuro enfrentaram o adversário com muitos jogadores que praticam a modalidade juntos há algum tempo. Diante do que presenciei naquela noite de segunda-feira, me parece que o novo prefeito e o futuro Secretário de Esportes poderiam articular, junto com as escolas públicas e particulares da comarca, competições anuais envolvendo várias modalidades esportivas. Sendo assim, fiquemos no aguardo de que o vitorioso seja mais sensível ao universo social/esportivo e educacional. E-mail: gilbertobarsantos@bol.com.br, gilcriticapontual@gmail.com, social@criticapontual.com.br. www.criticapontual.com.br.

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