Olhar Crítico

Extraordinário

Interessa-me observar aqui nesses olhares extraordinários que são preparados no amanhecer de um novo dia, o penúltimo romance que Machado de Assis publicou em 1904, ou seja, o já clássico Esaú e Jacó. Para quem não sabe, passei os últimos quatro anos analisando em detalhe os 121 capítulos que compõe a obra, objetivando encontrar elementos que me possibilitasse dizer que, para o Bruxo de Cosme Velho, como ficou conhecido, ou Machadinho como era chamado pelos amigos literários em torno da Academia Brasileira de Letras, a República não havia substituído a Monarquia – em breve caros leitores terão mais notícias deste trabalho.

 

Tentações

Para o momento, basta atentar-me para dois capítulos específicos daquele romance que me transportou para o presente penapolense. O primeiro é o XLVII – S. Mateus, IV, 1-10. O título faz alusão à tentação que Jesus Cristo sofreu no deserto. Essa passagem que se encontra na Bíblia, mais especificamente no Novo Testamento, foi transposta para o romance pelo autor de personagens enigmáticas e complexas como Capitu justamente para fazer alusão à tentação que o advogado conservador Batista vinha sofrendo da esposa, Cláudia que queria vê-lo ocupando um cargo na estrutura ministerial monárquica, nem que para isso tivesse que deixar os amigos de Partido Conservador e virar a casaca para os lados dos Liberais.

 

Dança

O segundo é a seção XLVIII – Terpsícore. Para quem não sabe, a designação da seção alude a “uma das nove musas da mitologia grega, patrona da poesia lírica e da dança”. Parece-me que os dois capítulos são significativos já que traz possibilidades de se fazer conexões com as últimas cenas do teatro político local. Eu vos explico caro leitor: o desfecho do item sobre o assedio sofrido por Batista vinha de dentro da própria casa e a esposa, quando este se recusa a se tornar liberal, diz ao esposo que ninguém dança uma polca com ideias e sim de acordo com a música. Ou seja, se os liberais é que estão no governo, torna-se liberal! Conclui um leitor atento das enunciações machadianas. A ficção serve para entender que alguns vereadores deixaram suas legendas para se juntar ao maestro, cuja batuta crê-se mais afinada do que a do seu criador, portanto, podendo tornar-se o alcaide a partir de 2017.

 

Bailado

Mas passemos ao segundo destaque, quando dona Cláudia, segundo o narrador, um conselheiro aposentado da Monarquia, sonha com o último baile da Ilha Fiscal – esse mesmo promovido pelo Império como forma de galantear os militares chilenos que estavam no Brasil. Aquele evento é considerado como o último porque logo depois a Coroa foi extinta e o imperador Pedro II exilado. Mas deixando ficção e história brasileira de lado para me concentrar no presente, o que tem a ver essa narrativa machadiana com os recentes acontecimentos políticos penapolenses? Tudo e nada, dependendo da inclinação dos leitores dos meus olhares. Se pensar na concretude e na completude, pode se dizer que o trio de vereadores que deixou o PROS acalantam o desejo de bailar a valsa dos vencedores que será executada no dia 1º de janeiro de 2017.

 

Observâncias

Até ai nada de mais, acho que vivemos numa democracia, mesmo que os ventos que sobram de Brasília apontem que há um sério risco de preceitos democráticos serem jogados na latrina para satisfazer a sanha de poder de um líder messiânico e sebastianista. Mas não cuidemos disso agora, pois Brasília fica na região central do Brasil e eu escrevo do Sudeste brasileiro para, em sua maioria, leitores penapolenses, mesmo sabendo que a rede mundial de computadores pode levar esses aforismas bem longe e essa é a minha intenção, ou seja, que mais pessoas leiam sobre as tratativas da política maria-chiquense. Sendo assim, vou direito ao que interessa aos meus leitores: um olhar diferenciado – será que pode ser considerado assim – sobre as mudanças de partidos que ocorreram nos últimos tempos em Penápolis.

 

Cargos?

Não é novidade para ninguém a dança das cadeiras partidárias e com pífio conteúdo ideológico – há quem vá dizer que se tem ideologia, mas ainda eu não vislumbro esse quadro: durmam com um barulho desses! Mas sem dispersar e me mantendo no foco, ficam-me algumas interpelações: segundo algumas fontes deste colunista, os vereadores que deixaram o PROS e a base do governo municipal na Câmara tinham alguns indicados em determinados cargos na estrutura administrativa. Sendo assim, a pergunta vai direto ao detentor desses cargos: o prefeito que acabou de empossar no Daep, o engenheiro Edson Bilche Girotto. Pois bem: será que o chefe do Executivo não irá requerer esses postos? Além desses, crê-se que o de vice-presidente da Funepe (Fundação Educação de Penápolis) era da alçada do alcaide local e, se era, como fica agora? Não cabe a este colunista responder a essas questões, pois a problemática é da alçada do prefeito que se pretende lançar candidato à sua própria sucessão, cuja eleição acontece logo mais em outubro.

 

Cargo a disposição

Se por um lado, temos a questão envolvendo o vice-presidente da Funepe, Rodolfo Valadão e os vereadores Lucas Casella, Jonas Chamarelli que se debandaram lá pelas bandas do PSD – legenda que está prestes a apear da proteção do governo federal -, por outro temos um ex-petista que bastou a água ferver para este pular do barco que o abrigou politicamente e partidariamente – sem o verniz ideológico – nos últimos 13 anos. Também é notório que Alexandre Gil de Mello que, não aguentando a pressão interna advinda da ala mais radical do partido formada por petistas que carregaram o partido nas costas na época de vacas magras, pediu para sair e caiu nas graças do novo arauto do PSD. Reitero novamente, nada de mais, pois a democracia e a legislação permitem essa dança das cadeiras e o desejo fictício de Dona Claudia – personagem machadiana – pode, enfim tornar-se concreto. Contudo, no plano local, Alexandre Gil de Melo ocupa um cargo na Funepe e, há quem diga que é da cota do PT. Pois bem! Se isso é fato e este deixou a legenda quando esta agoniza, será que o presidente da Câmara colocará o cargo a disposição do presidente da Fundação, o historiador e mestre, Cledivaldo Aparecido Donzelli – tido por muitos como petista histórico?

 

Serenidade?

Enfim, parece-me que a serenidade aponta que todos esses vereadores, inclusive Jonas Chamaralli – teria que voltar ao seu posto na cancela, abrir e fechar a porteira quando as enormes locomotivas passarem – deveriam colocar os assentos dos quais são “proprietários” à disposição do prefeito e também ao presidente da Funepe. Entendo ser isso necessário para que se tenha uma atitude correta com o prefeito, pois este ficou só e desolado na tribuna da Câmara. Mas como não tenho nada a ver com o peixe e nem seu molho, recolho meus olhares ao universo que ele pertence, ou seja, às páginas do site Crítica Pontual, contudo, se os cargos não forem devolvidos parecerá estranho e como parecerá!

 

Arengas

Tendo esses olhares como premissas, uma fonte revelou a este colunista que durante a sessão do legislativo ocorrida na noite de ontem, os quatro vereadores que pularam o muro para a casa do PSD ufanaram-se sobre as razões que os levaram a trair as respectivas legendas, mesmo porque não havia motivo para deixá-las, a não ser o eleitoreiro, para não dizer politiqueiro, como se diz nas ruas das cidades brasileiras. Importa-me aqui tentar entender porque o ex-presidente da Câmara, Caíque Rossi, vociferou sobre a lei da ficha limpa municipal que foi de sua iniciativa. O objetivo do pronunciamento diz respeito ao lamaçal que tomou conta de Brasília. Até ai tudo bem, entretanto escudar tais argumentos no desejo de que todo crime praticado por políticos no exercício de seu mandato deve ser apurado, parece-me meio incongruente, porém, correto. Se não vejamos!

 

Incongruências

Faço minhas as observações propaladas pelo vereador Professor Luiz Alves de Oliveira (PV). Conforme informação que chegou até este colunista, Luiz teria dito que ali na Câmara de Vereadores todos são de ficha limpa, contudo, acrescentou as incongruências. Isso acontece porque foram engavetados vários pedidos de CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito). “Vocês barraram todas as investigações que eram propostas”, teria dito ele. Entretanto, para não ficar no diz-que-me-disse, vale a pena recordar que não foram para frente os pedidos para que as irregularidades constatadas na plantação de grama fossem investigadas, contudo, o Ministério Público fez o trabalho e aponta que o dolo aconteceu, mas ai já não é com este colunista e sim com a Justiça que dará o veredicto final dessa pendenga esmeraldina. No final do ano, o Clube dos Engavetamentos, como está sendo chamado pelos adversários políticos, enxovalhou os eleitores com uma sessão mais rápida do que um raio e engavetaram mais um pedido de investigação, desta vez sobre um vereador que faz parte do clube. Novamente, o tema foi parar no Ministério Público que abriu inquérito. Como podem olhar meus caros leitores, os cinco vereadores vem votando contra o povo desde o começo dessa legislativa, para não dizer da CIP (Contribuição de Iluminação Pública) – que de contribuição está virando obrigatória pela maneira como vem sendo cobrada – e o voto de Minerva. Voltarei a esse tema em breve.

 

Segurança

Encerro os olhares extraordinários desta terça-feira informando que logo mais, a partir das 9h na sede do Sindicato do Comércio Varejista, os integrantes do Conseg (Conselho Comunitário de Segurança) se reúnem para debater assuntos relativos à segurança do município, bem como propor medidas para solucionar as questões, como por exemplo, a grande quantidade de menores envolvidos no comércio de entorpecentes. Algumas autoridades escolhidas, eletivamente para a área social, acham que a situação deve ser vista como “questão de polícia”, portanto, não há o que fazer, exceto tomarem o chazinho das cinco enquanto a sociedade continua perdendo crianças e adolescentes para o mundo do crime. E-mail: social@criticapontual.com.br, gilcriticapontual@gmail.com, gilbertobarsantos@bol.com.br.

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