Olhar Crítico

Docência

No transcorrer da semana, muito se disse sobre esse geógrafo e eminente professor penapolense, portanto, escrever algo sobre Manoel Berbel de Oliveira Pessôa neste exato momento, pode ser meio tautológico, portanto, enfadonho para alguns que leem semanalmente os meus olhares. Contudo, acho que ainda tem coisas a serem ditas sobre esse senhor que inspirou muitos estudantes, entre eles o físico penapolense que é professor titular na USP, Fernando Fagundes Ferreira. De imediato, afirmo-vos leitores dominicais que não fui aluno de Mané Pessoa, mas o conheci fora das escolas, o suficiente para tê-lo em grande estima.

 

Literatura

Embora não tenha assistido nenhuma de suas aulas, conversava muito com Mané, principalmente por conta de ser apreciador das linhas semanais que publico aqui no INTERIOR. Ele sempre me trazia pertinentes observações sobre as minhas narrativas, contudo, independentemente de o professor concordar ou não com o conteúdo das poéticas compostas aqui, às vezes, aceleradas pelo tique-taque do relógio que sempre nos apressa a terminar uma tarefa porque já há outras esperando ser concluídas. Pois bem, mas uma das coisas que gostávamos de falar era sobre literatura e o apreço que tínhamos pelas enunciações do escritor baiano Jorge Amado.

 

Autógrafo

Sempre que o encontrava e tínhamos tempo para conversar, seja na Banca aos domingos pela manhã ou em qualquer outro ponto da cidade, falávamos das qualidades do autor de romances seminais para a prosa nacional que enfocava um aspecto peculiar da vida brasileira: o coronelismo que deveria ter ficado apenas nos anais da história, entretanto continua ditando as regras na política nacional até essa segunda década do Terceiro Milênio. Isso é fato e, para tanto, basta os brasileiros analisarem friamente as relações que se estabelecem entre o eleito e eleitores nas cercanias espalhadas pelo Brasil. Esse tipo de postura, que sangra profundamente a cidadania, encontra-se nas enunciações amadianas presentes em Gabriela, cravo e canela: crônica de uma cidade do interior e também em Tocaia Grande: a face obscura. Pois bem! Manoel Pessôa certa vez me disse que tinha uns exemplares das narrativas de Amado autografadas pelo próprio autor. Nunca cheguei a ver essas preciosidades, mas penso que a família deve preservá-las com um importante relicário.

 

Política

Deixando o mundo da docência, da literatura e das considerações a um exemplar cidadão penapolense para outro momento, concentrar-me-ei a partir de agora em outro teatro, mais dantesco e, para muitos, desconfiante, pois em política tudo que parece ser hoje amanhã já não é o, já que conforme atesta Maquiavel em seu clássico O príncipe, as circunstâncias do presente são diferentes do passado por mais próximo que seja. Isso pode ser visto também a partir da ótica dialética e do pré-socrático Heráclito, segundo a qual o homem não se banha duas vezes no mesmo rio: o ser humano não é o mesmo e nem as águas que o formam o rio são as mesmas. Por que vejo o universo da política como teatro? Devem estar-se perguntando os meus leitores dominicais. Simplesmente porque, como nos afirma o antropólogo Erving Goffman em seu trabalho A representação do eu na vida cotidiana, os homens sociais estão sempre representando papéis e os políticos, como sendo a imagem e semelhança de seus eleitores, assim o fazem também!

 

Farpas

Posto isto, tendo a crer ser significativa a minha tentativa de compreender a troca de farpas protagonizada aqui nas páginas do INTERIOR entre o atual chefe do Executivo e seu antecessor, o petista João Luís dos Santos. O que pude compreender, é que ambos fizeram, a exemplo de Hitler e Stalin na Segunda Guerra Mundial, um pacto de não agressão! Todavia, se no passado o nazista não respeitou o acordo, invadindo a URSS e sofrendo fragorosa derrota na chamada batalha de Stalingrado, aqui a coisa é diferente, pois a contenda entre a dupla de políticos é infinitamente menor ao que protagonizou os dois líderes totalitários que legaram amargas lembranças para a humanidade. Mas deixando a II Guerra de lado e concentrando-me no presente, quem atirou a primeira pedra? Eis a pergunta de hoje quase bíblica de hoje. Quem acompanha as encenações no teatro sucessório local pode afirmar que o petista alfinetou o prefeito que respondeu em seguida. Mas o que se pode aferir disso tudo?

 

Trebelhar

Que no trebelho sucessório, o PT de João Luís dos Santos tende a se posicionar ao lado do pré-candidato Caíque Rossi, o novo arauto do PSD local que conta com as bênçãos do ressuscitador do partido: o ex-prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab que é bem próximo do Governo Federal que não disse ainda ao que veio nesse segundo mandato legado à Dilma Rousseff por mais de 50% do eleitorado brasileiro. Como diria Max Weber, é preciso entender a conexão de sentido entre PT e PSD em Penápolis. Atente-se para o fato de Rossi foi o primeiro presidente da Câmara nessa legislatura e o petista Alexandre Gil de Melo – que ocupa cargo na estrutura administrativa e pedagógica da Funepe [que foi salva pelo atual prefeito conforme este canta em prosa e verso pelos recônditos da cidade] preside agora a Câmara. Interessante notar que o atual chefe do Executivo rompeu com muitas pessoas e fez pacto com outras tantas para fazer com que seu pupilo ocupasse por 24 meses o principal cargo no Legislativo local.

 

Tabuleiro

Agora a criatura parece querer subsumir o criador, mas ai são coisas da política e quem cria um ser político deve saber que este pode querer sobrepujá-lo, mas ai já não é mais com este colunista que vos escreve meus caros leitores, e sim com os homens públicos que se engalfinham a cada quatro anos para conseguir um peixe que está no poder, a exemplo do que nos narra o romance Fernão Capelo Gaivota composto por Richard Bach. De qualquer forma, as peças estão postas no tabuleiro – que não é o da baiana – político e o eleitor deve prestar muita atenção nos jogadores que trebelham, pois ao que parece, Caíque Rossi não quer ser mais o peão decisivo como foi na CIP, mas quer passar dessa condição a de jogador e não de peça que pode se transformar em Torre ou Bispo. Resta saber quem vai ser o peão petista que aceitará a empreitada para tentar dar xeque-mate no atual prefeito que está enrolado com a justiça e uma miríade de processo no Ministério Público. Abordarei esse assunto na próxima semana, mesmo porque, a exemplo do que acontecia no filme Bye, bye Brasil – dirigido pelo cineasta Cacá Diegues -, a população já começa a colocar as suas cadeiras na praça central para assistir a exibição do filme Tudo por uma esmeralda. Há quem acredite que a película deveria ser exposta no palácio encantado da cidade. E-mail: gilbertobarsantos@bol.com.br, social@criticapontual.com.br, gilcriticapontual@gmail.com. www.criticapontual.com.br.

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